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2ª Base De Fé Da ICB - A doutrina da trindade

Pr. Manoel Góis (Mano)



Pr. da Igreja de Cristo em Henrique Jorge
Fortaleza-CE - Membro da COPAD





"Cremos  na existência de um só Deus Triúno, Pai, Filho e Espírito Santo, um em essência e Trino em Pessoa. Mt 28:19; Jo 14;8-11,16-17; 16:13-15; I Jo 5:5-8.



  


 

A doutrina da Trindade percorreu longo caminho até uma formulação final que atendesse ao anseio da igreja cristã.  Começa com as disputas cristológicas e termina com a bem elaborada obra de Agostinho: A Trindade.
 
Não há dúvidas que a doutrina da trindade tenta atender a noção judaica do Deus único, a doutrina cristã do Deus encarnado e as afirmações bíblicas do Deus Espirito revelado em suas páginas.
Compreender a natureza desse Deus multi-revelado, sem contrariar nenhum aspecto da revelação judaico cristã constituiu-se no grande empreendimento da teologia cristã desde os seus primórdios.
 
Consideremos, portanto, em primeiro lugar o texto bíblico como fonte da revelação da Trindade, muito embora o termo jamais tenha sido usado em suas páginas.   É ele que apresenta o Deus Único revelado nas três dimensões: o Pai, o Filho e o Espírito.
 
AS APRESENTAÇÕES BÍBLICAS DE DEUS
 
Nas Escrituras do Velho e Novo Testamento, está muito clara, a apresentação de três pessoas significativas no relacionamento do homem com o mundo espiritual.  A cada uma dessas pessoas é atribuído, pelos escritores sagrados, qualidades divinas. No entanto, não podemos falar de três deuses, pois isto configuraria uma ideia politeísta. 
 
Principalmente nas páginas do Antigo Testamento, temos a revelação do Deus dos patriarcas, que se tornaria também o Deus de uma nação, Israel.  É compreendido inicialmente como o DEUS DOS DEUSES, mas essa compreensão vai evoluir para o ÚNICO DEUS.
Nos textos bíblicos a seguir temos o testemunho bíblico do Deus Uno: “Não fareis outros deuses comigo; deuses de prata ou deuses de ouro não fareis para vós.  Êxodo 20:23
 
E ainda: (...)“E a casa que estou para edificar há de ser grande; porque o nosso Deus é maior do que todos os deuses”.  2 Crônicas 2:5(...) “Porque o Senhor é Deus grande, e Rei grande sobre todos os deuses”.  Salmos 95:3(...) “Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor. Ame o Senhor o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças.”. Deuter 6.4-5 (...) “Eu sou o Senhor, e não há outro; além de mim não há Deus; eu te cingirei, ainda que não me conheças. Para que se saiba, até ao nascente do sol e até ao poente, que além de mim não há outro; eu sou o Senhor, e não há outro.”  Isaias 45.5-6 (...)“Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1Tm 2.5).(...) “Visto que Deus é um só, que justifica pela fé a circuncisão, e por meio da fé a incircuncisão”.  Romanos 3:30 (...)”Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele”.  1 Coríntios 8:6
 
Todos esses textos afirmam a existência de um Deus único.  Esta compreensão está tanto na fé judaica como na fé cristã.  No entanto, o Novo Testamento vai nos apresentar um novo rosto de Deus, o Jesus Cristo de Nazaré carregando na sua existência todos os atributos da divindade, e ao mesmo tempo também nos apresentará o Espirito Santo como pessoa divina.  O Novo Testamento, portanto, traz consigo uma revelação mais clara das distinções da Divindade. Esta revelação foi feita na encarnação do Cristo e no derramamento do Espírito Santo. Seguem os textos que comprovam isto,
 
“No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus e era Deus. Ele estava com Deus no princípio. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito”.  João 1:1-3(...) “Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade”.  João 1:14. “Pois em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade, e, por estarem nele, que é o Cabeça de todo poder e autoridade, vocês receberam a plenitude.  Colossenses 2:9-10
Respondeu Jesus: "Eu afirmo que antes de Abraão nascer, Eu Sou!"  João 8:58
Eu e o Pai somos um".  João 10:30
Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens.   Filipenses 2:5-7
 
O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser, sustentando todas as coisas por sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, ele se assentou à direita da Majestade nas alturas, tornando-se tão superior aos anjos quanto o nome que herdou é superior ao deles.   Hebreus 1:3-4
Mas um certo homem chamado Ananias, com Safira, sua mulher, vendeu uma propriedade,  E reteve parte do preço, sabendo-o também sua mulher; e, levando uma parte, a depositou aos pés dos apóstolos. Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus.  Atos 5:1-4
Não entristeçam o Espírito Santo de Deus, com o qual vocês foram selados para o dia da redenção.  Efésios 4:30
Portanto, como diz o Espírito Santo: Se ouvirdes hoje a sua voz,  Hebreus 3:7
Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?  1 Coríntios 6:19
 
Diante do testemunho das escrituras neo-testamentárias, que falam de Cristo como o Logos Divino encarnado e a crença da Igreja de que Ele é Deus surgiram já nos séculos I e II, as primeiras perguntas sobre a natureza de Cristo: Se Jesus Cristo Cristo é divino é Ele igual a Deus?  Se é igual a Deus, temos dois deuses? Seria Ele uma divindade inferior? Ou ele não seria divino? Seria apenas um homem aperfeiçoado?  Diante dessas e tantas outras  interrogações e interpretações que iam surgindo acerca da natureza de Jesus e sua relação com o Pai, a Igreja Cristã inicia um processo de esclarecimento doutrinário, de onde nasceram as primeiras doutrinas acerca da pessoa de Cristo.  A princípio as questões giram em torno da natureza de Jesus, sua humanidade e sua divindade, são as chamadas “questões cristológicas”  e a partir das questões cristológicas nasceram as definições trinitárias.  A bem da verdade, a doutrina do Espírito Santo quase não é tocada nesse período, todas as questões giram em torno da pessoa de Cristo.  Mas não se pode falar da Trindade sem antes tratar da questão cristológica.
No cerne da questão trinitária está o desafio de conciliar unidade e pluralidade em Deus, ou seja, como admitir a unicidade de Deus diante da manifestação da divindade de Jesus e do Espírito.  Mais ainda, a questão também, devia considerar a natureza de cada pessoa da trindade e o relacionamento entre elas.   Passemos portanto a considerar agora as teorias surgidas na tentativa de uma resposta adequada a questão cristológica e trinitariana.
 
 As primeiras questões já aparecem no século II,  mas as definições oficiais só vão acontecer nos  Concílios de Nicéia I (325) e Constantinopla I (381), no entanto, as controvérsias ainda perduraram por séculos.
 
O MODALISMO
 
O Modalismo - Pai, Filho e Espírito Santo: três modos de aparecer do mesmo Deus.
Em resumo, a doutrina modalista ou monarquianismo modalista,  afirmava a crença de que Deus é um e único. Entretanto, se revelava na história de três modos.   Lembrando que a principio, a afirmação dos modos de Deus se revelar estava restrito ao Pai e ao  Filho,  somente mais tarde é acrescido o Espirito Santo.  Essa extensão ao Espirito Santo, dos modos de Deus se revelar,  foi feita por Sabélio, em Roma, migrando da questão cristologica a questão trinitaria.  Ele afirmava três revelações de Deus:  uma, como Pai, na criação e na legislação do Antigo Testamento; outra, como Filho, na Redenção; e a terceira, como Espírito Santo, na obra de santificação dos homens.  A ideia de comunhão de três pessoas não está presente o que existe é uma só pessoa se revelando de três modos diferentes. 
O modalismo foi condenado oficialmente pois, negava a Cristo como Pessoa Divina e distinta do Pai.  Além de não responder as inúmeras vezes que a Escritura apresenta o filho se referindo a Deus como outra pessoa. 
 
 Uma outra dificuldade dessa corrente era que ensinando que o Filho era o próprio Pai ou uma modalidade pela qual o Pai se manifestava; por conseguinte, o Pai teria padecido na cruz, daí a ser denominado essa doutrina de patripassianismo.  (donde o nome patri, de pater, pai; passianismo, de passus, padecido).
 
Rejeitando assim o modalismo,  a lgreja  afirmava sua fé em Cristo, Pessoa Divina e distinta do Pai. Todavia não estava explicada a maneira como se relacionam entre si o Filho e o Pai.
 
SUBORDINACIONISMO


Subordinacionismo - O Pai é o único Deus, o Filho e o Espírito Santo são criaturas subordinadas
Como enfrentamento a doutrina modalista, a maioria dos cristãos afirmavam a divindade e personalidade do filho, porém no tocante a sua relação com o Pai, não se tinha uma definição fechada, daí a maioria admitir a subordinação, ou seja, Cristo é uma pessoa da mesma natureza do Pai, no entanto, subordinada ao Pai.  Porém, o modo dessa subordinação gerou muitas questões, pois afetava a natureza do Filho.   Ário, presbítero  de Alexandria  foi o que explorou com mais intensidade essa doutrina.  Ele justificava a subordinação de Cristo afirmando que o Filho é criatura do Pai, a primeira e a mais digna de todas, destinada a ser instrumentos para a criação de outros seres. Em virtude da sua perfeição, o Filho ou Logos poderia ser chamado “Filho de Deus”.    Portanto, Jesus é a primeira criatura, o protótipo de todas as criaturas, mas não Deus.  Ele e seus discípulos enfatizavam o fato de que Jesus foi um ser humano perfeitíssimo, porque ele estava cheio do Espírito.  Ele é a criatura mais semelhante ao Pai que se pode conceber, sem, entretanto, chegar à igualdade de natureza com o Pai.
Esta corrente pretendia fazer justiça a duas doutrinas básicas da fé: a unidade de Deus, pois não há ninguém igual a Ele e, ao mesmo tempo, ele possui um Primogênito perfeito, divino, porquanto foi adotado por Deus e proposto como mediador, salvador e caminho exclusivo de acesso ao Pai.
As acusações à doutrina de Ário consideravam os seguintes erros: 
- O Filho é criatura, portanto, houve um momento da sua criação, por conseguinte não eterno.
- O Filho é divino, porém não da mesma essência do pai.  Ele é, portanto, semelhante, mas não igual ao Pai.
Por conta desses erros as doutrinas de Ário foram rejeitadas e tidas como heréticas pela igreja.
É necessário perceber que a controvérsia está sempre girando em torno da divindade de cristo, assim É certo, porém, que quem julgava ser o Filho criatura do Pai tinha o Espírito Santo na conta de criatura do Filho; seria um dos espíritos servidores(cf. Hb 1,14), diferente dos anjos apenas por gradação.   Atanásio, ao combater o arianismo, defendia também a divindade e a consubstancialidade do Espírito Santo. Por isto, um sínodo de Alexandria em 362 reconheceu a Divindade do Espírito Santo.
 
O TRITEÍSMO
 
O Triteísmo - O Pai, o Filho e o Espírito Santo são três deuses
 
O triteísmo afirma as três Pessoas divinas. Acredita na divindade do Filho, na Pessoa do Espírito, como Deus em igualdade.  Mas ao admitir as três pessoas como três substâncias independentes e autônomas, não se afirma a relação entre elas nem a comunhão como constitutivo da Pessoa divina. A Trindade transforma-se em três deuses. Somam-se os três divinos, como se atrás de cada Pessoa não houvesse um Único. Existem então três absolutos e não um, três seres eternos e não um, e três criadores e não um.
A afirmação trinitária destaca a existência objetiva de três Únicos, Pai, Filho e Espírito Santo. Mas não os vê separados e não-relacionados.   Crê que as Pessoas da Trindade estão eternamente relacionadas em comunhão infinita. Pode-se dizer, há três Pessoas de uma única comunhão.  Por conta disso o triteísmo não responde a questão trinitária, ao contrário gera uma idéia politeísta.
 
AS DECISÕES DOS CONCÍLIOS
 
Concilio de Niceia(325)
 
 
O Imperador Constantino, em 325 convoca  um Concílio que se realizou na cidade de Nicéia da Bitínia, próxima de Constantinopla.  Entre os assuntos do Concílio, havia um principal: a disputa ariana.  É nesse concilio que é feita a afirmação da crença oficial da Igreja com relação a doutrina cristã da Trindade.  A bem da verdade, é bom que se diga que a ênfase principal é sobre a pessoa de Cristo.  Como você verá o Espírito é apenas citado como parte da crença cristã.
 
O Sínodo de Nicéia firmou este Credo:
 
«Cremos em um só Deus, Pai Todo-Poderoso,
criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis.
E em um só Senhor Jesus Cristo,
o Filho de Deus,
unigênito do Pai,
da substância do Pai;
Luz de Luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro,
gerado, não criado,
consubstancial ao Pai;
por quem foram criadas todas as coisas que estão no céu ou na terra.
 
O qual por nós homens e para nossa salvação, desceu (do céu),
se encarnou e se fez homem.
Padeceu e ao terceiro dia ressuscitou e subiu ao céu.
Ele virá novamente para julgar os vivos e os mortos.
E (cremos) no Espírito Santo.
E quem quer que diga que houve um tempo em que o Filho de Deus não existia,
ou que antes que fosse gerado ele não existia,
ou que ele foi criado daquilo que não existia,
ou que ele é de uma substância ou essência diferente (do Pai),
ou que ele é uma criatura,
ou sujeito à mudança ou transformação,
todos os que falem assim,
são anatematizados pela Igreja Católica e Apostólica.»
 
Constantinopla I (381)
 
O Concílio de Constantinopla I foi realizado em 381, com a presença de  150 padres ortodoxos, depois do afastamento de 36 padres macedonianos(seguidores de Macedônio)  que rejeitavam a ideia do Espirito Santo como pessoa divina,  retomaram o artigo 32 do Símbolo de fé niceno, que rezava apenas: “Cremos no Espírito Santo” e foram-lhe acrescentadas as palavras: “Senhor e Fonte de Vida, que procede do Pai(cf. Jo 15,26), adorado e glorificado juntamente com o Pai e o Filho, e falou pelos Profetas”.
Assim teve origem o Símbolo de fé niceno-constantinopolitano, que refuta tanto a heresia ariana quanto a macedônia e afirma  a Trindade.
 
A TRINDADE
 
Por Trindade entende-se o único Deus, que subsiste em três pessoas distintas e divinas e de mesma essência: Pai, Filho e Espírito Santo. Em suma, Deus é a Trindade.
 
ARGUMENTOS
 
O Deus único é três pessoas.  Esta afirmação considera os seguintes aspectos bíblicos:
 
- O TESTEMUNHO DA ESCRITURA ACERCA DO DEUS ÚNICO
 
As Escrituras afirmam que Deus é um só.  Não admite outros deuses diante de si. Negar sua unicidade é abraçar a idolatria.  Esse pressuposto bíblico, portanto, é a base da afirmação trinitária.  Não podemos afirmar a divindade de outro ser sem que ela esteja convergindo para a unicidade de Deus. 
Sobre a revelação de Deus como o único Deus sobre toda a criação, Grudem (1999, p.174-175) afirma:
                                    Quando Deus fala, repetidamente deixa claro que ele é o único Deus verdadeiro; a ideia de que existem, três Deuses a adorar, e não um só, seria impensável diante de declarações tão veementes. Só Deus é o único Deus verdadeiro, e não há nenhum outro como ele. Quando ele fala, só ele fala – não fala como um Deus dentre três que devem ser adorados. Mas diz: “Eu sou o Senhor, e não há outro; além de mim não há Deus; eu te cingirei, ainda que não me conheces. Para que se saiba, até ao nascente do sol e até ao poente, que além de mim não há outro; eu sou o Senhor, e não há outro” (Isaias 45.5-6).
 
Assim, ao afirmar a divindade de Jesus Cristo e do Espírito Santo, temos de admitir que isso não é possível se não convergir para a unicidade de Deus e a única maneira disso acontecer é entendendo a Trindade como sendo um único Deus.  Pessoas divinas, distintas, mas com a mesma essência, co-existindo numa mesma comunhão de pessoas.
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 
- Heresias trinitárias – Artigo de Dom Estevão Bettencourt.
- ERICKSON, Millard J. Introdução à teologia sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1997.
- FERREIRA, Franklin; MYATT, Alan. Teologia Sistemática: Uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual. São Paulo: Vida Nova, 2007.
- GRUDEM, Wayne A. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999.
- A doutrina da Trindade: fundamentação bíblico-sistemática e paradigmas para a atualidade.  Artigo científico de autoria de André Ribeiro de Oliveira e Luiz Felipe Xavier.





9ª Base De Fé Da ICB - Igreja, corpo de cristo

Pr. Itiel Lucena


Pastor da Igreja de Cristo
Bahia






"Na existência de uma única Igreja de Cristo, Invisível, Santa e Universal, que é o Corpo de Cristo, à qual pertencem todos os genuínos cristãos, que serão ressuscitados, transformados, trasladados e arrebatados, na vinda de Jesus, como Igreja Triunfante, e que na terra se manifesta nas Igrejas locais, como Igrejas Militantes." Mt 16:18; I Co 12:12-13; Ef 4:1-16; Cl 4:15; Rm 16:4,5,16; Ap 2;1,8,12,18; 3:1,7,14.


A IGREJA O CORPO DE CRISTO


        O QUE É A IGREJA que definição podemos dar de igreja? William Gurnall define assim: “A Igreja não é nada mais do que Cristo manifestado”. Isto significa que a igreja é embaixadora (representante) de cristo no mundo. Cristo declarou que os seus discípulos devem empenhar-se por ter uma vida irrepreensível e santa tal modo que o mundo possa ver a suas boas obras e o nome do senhor venha a ser glorificado. “Assim também brilhe a vossa luz diante das pessoas, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus. ” (Mt 5,16)

          Definição etimológica. A palavra igreja vem do hebraico qāhāl; e do grego ekklēsia. Ambas as palavras, do texto sagrado, carregam o mesmo significado: reunião pública, ou assembleia regularmente convocada, cujo objetivo é congregar-se para deliberar sobre o bem comum.
        Definição teológica. Igreja é o conjunto daqueles que nasceram de novo por meio da fé e do arrependimento são selados com o Espírito Santo de Deus e imediatamente adotados em seu corpo espiritual como sua possessão, com o propósito de testemunhar acerca do Evangelho. O mesmo termo é aplicado ao ajuntamento dos fiéis num determinado lugar para adorar a Deus. Com o tempo, a palavra passou a designar o lugar de reunião dos crentes.
   

      A Doutrina da Igreja como o Corpo Místico de Cristo está bem clara nos ensinos neotestamentários. Este ensino aparece de modo explícito, e também de modo implícito. Paulo escrevendo para a igreja e doutrinando sobre este assunto diz: ” Assim como cada um de nós tem um corpo com muitos membros e esses membros não exercem todos a mesma função, assim também em Cristo nós, que somos muitos, formamos um corpo, e cada membro está ligado a todos os outros. ( Rm 12.4,5). E ainda: “Ora, vocês são o corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo. ( Rm 12.27).

       No entanto, o que faz toda a diferença na compreensão da profundidade desta doutrina cristã é o significado da realidade espiritual que envolve a palavra místico. Paulo não utiliza essa palavra de modo explícito, porém ao ensinar sobre a doutrina da Igreja como Corpo de Cristo podemos perceber de modo implícito esta realidade. Quando ele assim se expressa: “Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito. (1Co 12.13)

     Este batismo no corpo de Cristo diz respeito ao Novo Nascimento e/ou a regeneração. Este é o aspecto místico que envolve a verdadeira união e comunhão entre Cristo e a Igreja, entre a Igreja e Cristo. Isto é algo sobrenatural que está acima da compreensão humana.
      

      Nossa limitação humana não consegue alcançar tudo quanto está envolvido nesta realidade espiritual é uma realidade mística tão profunda que Paulo declara que a igreja está assentada com Cristo nas regiões celestiais. Sem a regeneração não existe batismo (entrada no Corpo de Cristo), e tudo se resumiria em práticas religiosas vazias e desprovida da vida de Cristo. Por isto Jesus disse a um homem bem religioso: É necessário nascer de novo....” ( Jo 3. 3-5)

       É preciso definir a palavra místico para que possamos ter ideia do que realmente significa esta verdade. A palavra “mística”, embora sua primeira aparição aconteça no escrito de Dionísio Areopagita, que data do final do século V, início do século VI da era cristã, é algo cujo conteúdo sempre esteve presente na história do Cristianismo.  Depois passou a ser usada mais como substantivo, por volta do século XVII, na França.  Na verdade, a mística propriamente dita encontrou não poucas dificuldades para estabelecer sua cidadania nos meios teológicos, especialmente protestantes.
O significado de místico é: 1.Referente aos mistérios, às cerimônias religiosas secretas. 2.Que não se dá segundo as leis naturais ou físicas; sobrenatural, espiritual, fenômeno que está além da lógica e da razão.
      

      Este ensino bíblico envolve uma realidade muito profunda, tão profunda que o apostolo Paulo a expos em várias de suas Cartas (1Cor 12, 12); (Cl 1, 18); (Ef 5, 23); (Rm 12, 4-5); etc. E, em S. João, no capítulo 15, encontra-se as últimas exortações de Jesus. Ele se expressa do seguinte modo: "Eu sou a videira e vós os ramos... Permanecei em mim e eu permanecerei em vós".
 
UNIÃO MÍSTICA COM CRISTO FORMANDO UM CORPO (GRANDE MISTÉRIO)


      A união entre Cristo e sua Igreja formando misticamente um corpo é o mistério que faz com que o crente nascido de novo possa viver seguro quanto a glória eterna. Paulo nos afirma que a esperança da glória se dar porque Cristo habita em nós. Paulo expressa esta realidade gloriosa do seguinte modo:” Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja; da qual me tornei ministro de acordo com a dispensação da parte de Deus, que me foi confiada a vosso favor, para dar pleno cumprimento à palavra de Deus: o mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos; aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória; o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo; ( Cl 1.14-28)
 
     Existem muitos escritos teológicos e até mesmo artigos acadêmicos nas instituições de ensinos religiosos sobre a união mística de Cristo com sua Igreja. Também tem havido inúmeros livros que explicam a união mística entre Cristo e sua Igreja. No entanto acredito que nada se compara ao que John Owen (1616-1683) descreve quando fala sobre este tema expressando-se do seguinte modo:
“A nossa união com Cristo é tão real que, na visão de Deus, é como se nós tivéssemos sofrido o que Cristo sofreu, sofrido para redimir a Igreja. Ele agiu gloriosamente quando levou "... em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro" e "... padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus" (I Pedro 2:24; 3:18). O propósito do nosso santo e justo Deus foi o de salvar a Igreja, mas o pecado dos Seus remidos não podia ficar impune. Foi necessário, então, que a punição para aquele pecado fosse transferida daqueles que a mereciam, mas não podiam suportá-la para Aquele que não a merecia, porém poderia suportá-la. Este é o fundamento da fé cristã e toda a revelação divina contida nas Escrituras. Vamos examinar ainda mais um pouco essa verdade e considerar como ela está cheia da glória de Cristo.

1. Não é contrário à justiça divina que alguns sofram punição pelos pecados de outros. Confirmarei esta afirmação, por hora, apenas ao dizer que Deus, que não faz nada errado, sempre agiu assim. Quando Davi pecou, setenta mil homens foram destruídos por um anjo, e então Davi disse ao Senhor: "Eis que eu sou o que pequei, e eu o que iniquamente obrei; porém estas ovelhas o que fizeram? Sejam pois a tua mão contra mim e contra a casa de meu pai" (2 Samuel 24:17). Quando o povo de Judá foi levado cativo, Deus o puniu pelos pecados de seus antepassados, especialmente aqueles pecados cometidos nos dias de Manassés (2 Reis 23:26-27). E, finalmente, ao destruir a nação judaica, Deus a puniu pelo derramamento do sangue de todos os profetas desde o começo do mundo (Lucas 11:50-51).

2. Há sempre uma ligação especial entre aqueles que pecam e aqueles que são punidos. Por exemplo, há uma relação entre pais e filhos, entre reis e seus súditos. Há também a ideia de compartilhar a punição. Foi dito aos filhos de Israel: "E vossos filhos (como errantes) pastorearão neste deserto quarenta anos, e levarão sobre si as vossas infidelidades, até que os vossos cadáveres se consumam neste deserto" (Números 14:33). A punição devido aos seus pecados foi transferida para os filhos, mas parte da sua própria punição foi exatamente o conhecimento do que haveria de acontecer aos seus filhos.

3. Há uma união maior e um relacionamento mais íntimo entre Cristo e a Igreja do que existem em qualquer outro vínculo no mundo. Isso pode ser visto de três formas:

a. Há um elo natural de ligação entre Cristo e Sua Igreja. Deus fez todas as pessoas de um sangue (Atos 17:26). Cada um é irmão e vizinho do outro (Lucas 10:36). Essa mesma relação existe entre Cristo e a Igreja. "E visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo" (Hebreus 2:14). Há, entretanto, em dois aspectos, uma diferença entre a união de Cristo com a Igreja e a irmandade comum entre os homens. Primeiro, Ele tomou a nossa natureza sobre Si por um ato voluntário de Sua vontade, mas nós não tivemos escolha quanto ao nosso relacionamento um com o outro pelo nascimento. Segundo, Ele entrou nessa união por apenas um propósito, ou seja, que em nossa natureza Ele pudesse redimir a Igreja "... para que, pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo; e livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão" (Hebreus 2:14- 15).

b. Há uma união moral e espiritual entre Cristo e a Igreja. Isto é como o relacionamento existente entre a cabeça e os membros do corpo, ou entre a vinha e seus ramos (Efésios 1:22-23; João 15:1-2). É também como o elo de ligação entre maridos e esposas. "Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela" (Efésios 5:25). Como Ele era o cabeça e marido da Igreja (que só poderia ser salva e tornada santa pelo Seu sangue e Seus sofrimentos), foi apropriado, então, que Ele assim sofresse, e era correto que os benefícios dos Seus sofrimentos fossem legados àqueles pelos quais Ele sofreu.
Uma objeção pode ser levantada em razão de que “... Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores", ou seja, não havia união entre Ele e a Igreja naquele tempo (Romanos 5:8). Diz-se que somos unidos a Cristo pela fé. Portanto, antes da nossa regeneração não estávamos unidos a Ele. Como, então, Ele poderia justamente sofrer a nosso favor? Respondo que era o propósito de Deus, antes dos sofrimentos de Cristo, que a Igreja (composta dos eleitos) pudesse ser a Sua esposa, para que Ele pudesse amá-la e sofrer por ela. Jacó amou a Raquel antes que ela se tornasse a sua esposa. Ele "... serviu por uma mulher, e por uma mulher guardou o gado" (Oséias 12:12). Raquel é chamada a esposa de Jacó por causa do seu amor para com ela e porque estava destinada a ser sua noiva antes que a tivesse desposado. Assim Deus, o Pai, deu todos os eleitos para Cristo, confiando-os a Ele, para serem salvos e santificados. Cristo mesmo diz ao Pai: "Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste: eram teus, e tu mos deste, e guardaram a tua palavra. Eu rogo por eles: não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus" (João 17:6,9).

c. A terceira maneira pela qual Cristo está unido à Sua Igreja é mediante a nova aliança da qual Ele é a garantia e o penhor. "De tanto melhor concerto Jesus foi feito fiador" (Hebreus 7:22). Aqui está o âmago do mistério da forma sábia de Deus salvar a Igreja. A transferência dos pecados dos pecadores para Cristo, que é de toda maneira inocente, puro e reto em Si mesmo, é a vida e a alma de todo o ensinamento das Escrituras, O que Cristo fez por nós O torna glorioso para nós!
Vamos considerar a justiça de Deus ao perdoar os nossos pecados. Todos os eleitos de Deus são pecadores. Como pode Deus ser justo, então, se Ele os deixa sem punição, vendo que não poupou os anjos que pecaram, nem Adão quando ele pecou no princípio? A resposta está na união entre Cristo e a Igreja. Desde que Cristo representa a Igreja na presença de Deus, Deus justamente O pune por todos os pecados dela para que todos os seus membros estejam libertos e perdoados graciosamente. (Romanos 3:14-26). Na cruz, a santidade e justiça de Deus encontraram-se com a Sua graça e perdão. Esta é a glória que dá prazer aos corações e satisfaz as almas de todos os que creem. Quão maravilhoso é para eles verem Deus Se regozijando na Sua justiça e, ao mesmo tempo, manifestando misericórdia ao dar-lhes salvação eterna! No gozo desta gloriosa verdade, deixem-me viver, e nesta fé deixem-me morrer.
Cristo é glorioso, também, pela obediência à lei que Ele perfeitamente cumpriu. Era absolutamente necessário que a lei fosse cumprida e isto nunca poderia ser feito por nós. Através da união de Cristo com a Igreja, entretanto, a lei foi cumprida por nós. "Porquanto, o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne; para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o espírito" (Romanos 8:3-4).

        Um entendimento pela fé desta glória de Cristo dispersará todos os temores e removerá todas as dúvidas de nossas pobres almas tentadas. Tal conhecimento será uma âncora que os firmará bem seguros em todas as tempestades e provações da vida, como também na morte.”
          

           A união mística da Igreja com Cristo, de Cristo com sua igreja forma então um corpo em que Cristo é a principal causa e efeito. Ele é a causa ao mesmo tempo que também é o resultado de todas as coisas, tanto das que estão nos céus quanto as que estão na terra. Tanto do que já está consumado, quanto do que se consumará. Paulo expressa isto declarando; “Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém. (Rm 11.36). Mais além de ser a causa e o efeito, ele é o cabeça deste corpo místico sua igreja.

CRISTO É O FUNDAMENTO E O CABEÇA DO SEU CORPO  

          Biblicamente é nitidamente claro que a união de Cristo com sua igreja forma um corpo místico onde o Cristo redivivo é o fundamento, o alicerce ao mesmo tempo que também exerce sua soberana vontade como cabeça deste corpo. Este é o ensino do apostolo Paulo: “Porque ninguém pode colocar outro fundamento além do que está posto, o qual é Jesus Cristo! (1 Co 3.11)/; E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência”.(Cl 1:18)
  

         A verdadeira igreja de Cristo está alicerçada na Pedra, na Rocha inabalável, no Cristo Emanuel (Deus Conosco). No Deus que em sua compaixão encarna para por meio de seu sacrifício e morte pagar o resgate necessário a aquisição de sua amada igreja. Ele é o fundamento e ninguém pode colocar um alicerce diferente. Ele é a pedra sobre a qual devemos construir. Santo Agostinho de modo expressivo escreve que a Igreja, não obstante agitada e abalada pelas vicissitudes da história, não cai, porque é fundamentada na pedra que é Cristo, e sobre este fundamento também a Igreja está edificada.

           Pedro expressa essa verdade quando declara: “Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina.” (At 4.11). E o próprio Cristo, quando da resposta de Pedro: “ tu és o Cristo, o filho do Deus vivo”, responde: “sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” Portanto, a igreja é uma comunidade vencedora porque está edificada pelo próprio Cristo e sobre o Cristo redivivo.   

           Mas, o Cristo que é a base, o alicerce, o fundamento também é o cabeça deste corpo místico que ele próprio edifica. Ele edifica sua igreja colocando cada membro do corpo em seu lugar próprio no corpo, repartindo seus dons de modo inequívoco.  Paulo expressa esta realidade quando declara:” Ele é a cabeça do Corpo, que é a Igreja; Ele é o princípio e o primogênito dentre os mortos, a fim de que em absolutamente tudo tenha a supremacia. ( Cl 1.1118); Trata-se, pois, de uma pessoa que não está unida à Cabeça, a partir da qual todo o Corpo, sustentado e unido por seus ligamentos e juntas, efetua o crescimento concedido por Deus. Só Cristo nos livra do pecado” (Cl 2.19).

O CORPO DE CRISTO – A IGREJA INVISIVEL (UNIVERSAL) E A VISIVEL (MILITANTE)  

          A Igreja como Corpo místico de Cristo se expressa no mundo como igreja local, visível e militante. Os genuínos crentes que por ocasião do Novo Nascimento (regeneração) são selados com o Santo Espirito de Deus, conforme: “Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa; O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória.(Ef 1.13,14), compõem a Igreja como Corpo Místico de Cristo, e esta  é de natureza dupla: igreja Invisível (universal),visível (militante),
As igrejas locais como expressão visível do Corpo de Cristo no mundo.
          

           A Igreja de Cristo invisível, universal e única se manifesta no mundo nas igrejas militantes locais como expressão visível do Corpo místico de Cristo em cada localidade. Essas Igrejas Locais composta por pessoas que embora tenham sido regeneradas e seladas com o Santo Espirito ainda continuam com virtudes e defeitos, Enquanto de sua peregrinação terrena, estão sendo aperfeiçoadas na própria imagem do Filho de Deus Jesus Cristo, conforme: “Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor. (2 Co 3.18)
          

           Na terra, somos a Igreja Militante, isto é, a que luta, em prol do Reino de Deus, que combate contra o pecado, Satanás e seus vis ardis, que milita em busca de permanecer e prosperar em sua união completa com Cristo. A Igreja, na terra, pode ser, também, chamada de Igreja Peregrina, pois não temos, aqui, morada definitiva (Hb 13, 14). Nossa casa é a Casa do Pai celestial.
          

           Em Mt.16:18, a Igreja é invisível, universal e única, no entanto, em Mt.18:17, se percebe que esta Igreja é local e está organizada, possui problemas a serem resolvidos, pode ser ouvida, tocada, exortada e disciplinada e possuem as suas próprias peculiaridades, necessidades e demandas locais.
           

            No livro do Apocalipse nos capítulos 2 e 3, o Senhor Jesus se dirige a cada Igreja Local, através do anjo de cada uma delas, levando sempre em conta a necessidade de cada localidade, e conclui advertindo cada uma delas que ouçam o que o Espírito diz as igrejas. Observemos que a palavra igreja está no plural. Então, cada uma daquelas Igreja Local fazia parte da Igreja invisível, universal, espiritual e única. 
           

          Em seu livro “A vida normal da igreja”  Watchman Nee, se expressou assim: "Temos entre nós, dois aspectos da Igreja claramente diferentes: a Igreja e as Igrejas, a Igreja Universal e as Igrejas locais. A Igreja é invisível; as Igrejas (locais) são visíveis. A Igreja não tem organização; as Igrejas são organizadas. A Igreja é espiritual; as Igrejas são espirituais e, também, físicas. A Igreja é puramente um organismo (o corpo místico de Cristo); as Igrejas são um organismo, mas, ao mesmo tempo, são organizadas, o que se vê pelo fato de que os presbíteros e os diáconos desempenham ofícios ali...todas as dificuldades da Igreja surgem em conexão com as Igrejas locais, não com a Igreja universal. Esta é invisível e espiritual, portanto, além do alcance humano, enquanto aquelas (locais) são visíveis e organizadas, portanto, ainda sujeitas ao toque da mão humana... estando tão próximas de nós que, se surgirem problemas, nós os sentimos agudamente"
 

A IGREJA TRIUNFANTE NA VINDA DE CRISTO

       Podemos definir como Igreja Triunfante a parte do Corpo Místico de Cristo que já se encontra nas moradas eternas, na bem-aventurança, no destino final de nossa caminhada. Essa assembleia de eleitos é composta de todos os que foram regenerados pelo poder do Santo Espirito, dos que combateram o bom combate, correram a carreira e guardaram a fé. “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda. (2 Tm 4:7,8).
           

         Outra parte que comporá a igreja triunfante em sua totalidade ainda se encontra militando na terra, ainda se encontra no ardor da batalha pelejando contra Satanás, contra o pecado, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais.
           

          A Igreja foi destinada por Deus para vencer. A Bíblia nos mostra que todas as forças e potestades, que se levantaram, e se levantam contra ela, serão destruídas pelo Rei dos Reis e Senhor dos Senhores. Jesus em breve voltará, então, a vitória total da Igreja se consumará.
        

        Em breve na segunda vinda de Cristo Igreja invisível, universal, espiritual e única o Corpo Místico de Cristo, a noiva do Cordeiro, conforme (Ap.19:7-9; 21:9-27), que no tempo presente existe, invisivelmente, nas igrejas locais, será revelada. Isto ocorrerá, somente após a primeira ressurreição, quando todos os que fazem parte dela serão, ressuscitados, transformados, e arrebatados na Segunda vinda de Jesus Cristo como Igreja Gloriosa e Triunfante
      

           A manifestação total da Igreja Triunfante ocorrerá quando Jesus voltar para Arrebatar a sua Igreja Militante, e ressuscitar aqueles que morreram em Cristo. Nessa ocasião, os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro, em corpos gloriosos; depois, os que estiverem vivos, pertencente a igreja peregrina e militante, serão transformados, para encontrar com Jesus nos ares. Foi assim que Paulo ensinou aos Tessalonicenses: “Porque o mesmo Senhor descerá do Céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor”(1Tes 4:16-17).Aleluia!!

RELIGIÃO, TEOLOGIA, DOGMA E SOCIEDADE

Pastor Alexandre Carneiro

Igreja de Cristo em Henrique Jorge, Fortaleza, Ceará.

      A manifestação de eventos sociais no cosmo humano está condicionada ao critério da formalização. A concepção do trabalho, da família, da crença, da política, enfim as mais diversas modalidades de relacionamentos que os indivíduos estabelecem entre si com fim de construírem a sua história se manifestam primeiramente como idealização abstrata sem conteúdo e sem finalidade social para posteriormente se tornarem bens comunicáveis, assumindo um certo grau de legibilidade e deste modo validados como instituição. A formalização é um estado do pensamento concretizado em bem de consumo social. Noutras palavras a formalização nada mais é do que a vida simbólica que permite ao pensamento o estatuto de existência social. Nada sobrevive no mundo da história humana sem o amparo da forma seja ela material ou imaterial. Não há história humana sem a instituição simbólica (Castoriadis, 1982). A história social não pode prescindir da forma porque a própria história social é forma; a extinção da forma significaria concomitantemente a extinção da própria sociedade e da história humana. Temos até então lançado o que se poderia chamar de pressupostos para a tentativa de análise Da religião e, neste contexto, a compreensão da teologia e do dogma


 A forma da religião


      O empreendimento de construção histórica dos significados da existência social dos seres humanos é um ato contínuo e plural resultado da interação de vários atores (Berger, 1985). A religião é uma forma de interpretação do mundo e consiste simultaneamente a designação de uma forma de conduta humana no mundo. O significado da história dum determinado contexto físico e numa determinada época será a síntese das diferentes experiências culturais que fomentam os diversos campos da sociedade; cada setor ao mesmo tempo autônomo e dependente dos demais (Bourdieu, 1989). Cabe a religião um papel relevante no canteiro de obras da história humana (Berger, 1985). A história humana na perspectiva da visão religiosa é história sobrenatural. A existência social receberá uma significação sagrada, a vida humana terá um estatuto que lhe empresta legitimidade, o sagrado. A forma do mundo se assentará numa simbologia mística e operará com valores específicos do mundo religioso como a idéia de divindade, a concepção dualista do bem e do mal, a noção de crença e de adoração. (Otto, 1992; Durkheim, 1989; Eliade, 1992). 


O papel da teologia no formalismo religioso


      A teologia é o discurso racional da crença, portanto a parte da religião que responde pela racionalização do sagrado como modelo de interpretação do cosmo. O que compete a teologia no campo da religião. Paul Tillich (1987) dirá primeiramente que a teologia é função da igreja e que antes de qualquer coisa ela atende as necessidades da igreja; cabe-lhe a tarefa de realizar a interpretação criativa da existência, tendo a verdade eterna como fundamento e o compromisso “querigmático” de traduzir a verdade eterna à situação temporal na qual será recebida. Para este teólogo alemão estadunidense este duplo alicerce da teologia representa um problema seriíssimo não resolvido pela teologia ortodoxa e nem pela teologia liberal. O engasgo dos ortodoxos é a abordagem da situação presente porque falam a partir de um passado atribuindo estatuto de infinitude a eventos transitórios. Dirá o autor:


Nesse sentido o fundamentalismo tem traços demoníacos. Ele destrói a humilde honestidade da busca pela verdade, divide a consciência de seus seguidores que refletem, e os torna fanáticos. Isto porque são forçados a suprimir elementos da verdade dos quais eles estão veladamente conscientes (Tillich, 1987:13).   


      Ora, se de um lado o fundamentalismo se recusa a falar a situação de outro uma teologia liberal tende a se perder na relatividade da situação. Requer-se, portanto, da teologia que dialogue tanto com a ortodoxia quanto o liberalismo, não abrindo mão da revelação que está acima das situações cambiantes e simultaneamente velando a importância da situação para a realização do trabalho teológico. Tillich assinalará os dois critérios formais de toda teologia: forma e conteúdo. Distingue teologia de fé atribuindo àquela uma natureza material; como um bem que circula no âmbito da comunicação social o sistema teológico conquista lugar no processo de organização das relações sociais. Portanto o primeiro critério implica em assentir que: 


O objeto da teologia é aquilo que nos preocupa de forma última. Só são teológicas aquelas proposições que tratam de seu objeto na medida em que ele pode se tornar questão de preocupação última para nós (1987:20) 


      O segundo critério define o conteúdo da preocupação última da qual se ocupa a teologia:


Nossa preocupação última é aquilo que determina o nosso ser ou nosso não ser. Só são teológicas aquelas afirmações que tratam de seu objeto na medida em que ele possa se tornar para nós uma questão de ser ou não ser. Este é o segundo critério formal da teologia (Tillich, 1987:22)


O dogma e a existência social


      O dogma é cria da realidade transindividual (Goldmann, 1973); de fato nisto reside o caráter histórico da religião e de todo evento social. A realidade intelectual e cultural, ou seja, todo produto social consiste um fazer coletivo, prerrogativa do grupo e não do indivíduo. A ação história implica um mega empreendimento humano, possível somente na medida em que os indivíduos se reúnem e reunidos são capazes de pensar coletivamente e convencionar uma síntese das consciências individuais: O sujeito coletivo só existe nos limites da ação histórica e cultural (Goldmann, 1973:27). Qual a relação do dogma com a existência social? O mundo social nada mais é senão uma tentativa de ordenar um sentido para o cosmo sob a perspectiva da convivência humana. De outro modo seria o mesmo que dizer que a convivência humana no mundo é impossível sem um acordo coletivo acerca da rotina. Para que a história aconteça é necessário a emersão do social e este não se instaura sem a introdução de elementos duráveis e permanentes no plano das condutas individuais. Como bem afirma Goldmann: 


Se passarmos para um nível mais geral, constatamos que os homens sempre foram obrigados a introduzir, para poder viver e se orientar, uma ordem mais ou menos consciente no conjunto de sua representação do mundo e que todo grupo tende a criar uma imagem idêntica que chamamos, no caso dos grupos privilegiados que constituem os sujeitos da criação cultural, uma visão do mundo. Naturalmente, essas criações de categorias mentais e de representação do universo... só são válidas na medida em que, a partir de uma situação concreta, conseguem tornar inteligível a realidade empírica e orientar o comportamento. É também verdadeiro que nenhuma ação eficaz é concebível sem tais disposições (1973:31). 

      Visto sob ampla perspectiva sociológica o dogma consiste uma estrutura global, de valor provisório e atuação específica num contexto histórico determinado por condições ao mesmo tempo sociais e particulares. A noção social de dogma se confunde, portanto com a noção de ordem e esta essencialmente identificada com a noção de controle onde prevalecem a renúncia e a repressão. O processo de gestação e de gestão do dogma ocorre na contramão das aspirações individuais; não existe dogma social sem que num certo sentido de assassine o indivíduo. O âmbito de vigência do dogma não é compatível com os postulados da existência do individuo. A postulação de uma ordem social passa necessariamente pela noção de sacrifício social subjacente a concepção do dogma. Continuando Goldmann dirá: 


Não é menos importante saber que, até aqui, toda ordem social, toda tentativa de ação histórica para dominar a natureza, de desenvolver uma cultura, de criar uma técnica, de organizar as relações sociais e humanas implicou sempre um certo número de sacrifícios decisivos das aspirações dos indivíduos (1973:32). 


      A crítica ao dogmatismo é válida na medida em que o dogma afronta a vida, sacrifica a liberdade criativa e impõe aos seres humanos paradigmas envelhecidos e incompatíveis às demandas reais da sociedade. No entanto com bem assinala Goldmann (1973) é necessário evitar o extremo oposto e cair numa crítica generalizada e infundada, ignorando ingenuamente que as disposições dos padrões sociais são absolutamente necessárias aos homens no que concerne viver , ser orientado e agir de modo eficaz. 


A patologia do dogmatismo


      Dogma é um elemento essencial à instauração e à manutenção de uma ordem no cosmo social. Não se pode assegurar uma vigência do social prescindindo-se do dogma. Como bem se poderia dizer o dogma é uma necessária condição de contínua sobrevivência da sociedade. Nesse momento não importa a questão do privilégio nem do tradicionalismo; importa, sim, assentir que a condição de manutenção do social impõe que em cada época a sociedade em seu conjunto esteja sob o sacrifício inerente aos dogmas como forma de garantia do progresso de toda a sociedade. Se não é possível estacar a existência da sociedade da instituição simbólica do dogma onde reside a patologia da questão? 


O dogmatismo se torna patológico e mórbido na medida em que, defendendo idéias e posições, disposições e atitudes numa situação que não lhe corresponde mais, favorece a preservação de privilégios e instituições antigas e se opõe à ação dos homens que aspiram a liberdade (Goldmann, 1973:31)


      Há uma patologia intrínseca à natureza de toda disposição dogmática; ou seja, a proposição de perpetuidade atribuída a um determinando quadro cultural, ou seja, a perenidade celebrada de um fragmento ou de todo um conjunto cultural contém em si mesma uma conspiração contra a cultura como ato livre, contínuo e diverso. Não há que duvidar acerca do empreendimento de construção da sociedade que se impôs aos indivíduos uma ruptura, em grande medida, com o princípio da liberdade em favor do princípio da segurança. Na verdade essa descrença pueril alimenta as estruturas morais da sociedade ocidental na medida em que se descarta a possibilidade de uma associação entre liberdade e garantia de direitos fundamentais. O dogma é portador de uma espécie de patologia congênita. Ainda de deve considerar que o conteúdo humano da sociedade é variável em decorrência do exercício do pensamento e das implicações da razão; enquanto que o dogma trás em si mesmo o elemento da invariabilidade. Ora, como bem assevera Goldmann, com o processo de mudança efetivado pelos próprios indivíduos no modo de suas relações sociais, determinadas categorias e leis comportamentais perdem sua validade e nada têm a dizer aos novos contextos, devendo ser superadas. Ainda de deve considera o problema das demandas sociais em relação aos dogmas instituídos com o fim de satisfazê-las. De a manutenção dos dogmas se justifica racionalmente pelo preço de sacrifício de todos em favor do progresso social, noutras épocas, dirá Goldmann, que ocorrem situações em que a manutenção da repressão não corresponde mais a nenhuma necessidade da sociedade em seu conjunto e serve unicamente para a perpetuação de privilégios ultrapassados (1973;33). 


O dogma religioso


      O dogma não possui sentido restrito a religião. De maneira geral são tentativas de formulação de verdades aplicáveis ao universo da existência social. No campo religioso... Tomemos o dogma como enunciação de algo entrevisto como verdade religiosa, mas inda não bem explicado, não bem racionalmente formulado (Whitehead apud Mikowski, 1988:118). Sua presença no domínio religioso se torna necessária na transição da religião enquanto experiência individual para tornar-se um evento público constituindo-se cultura. O dogma, portanto não se manifesta nos aspectos primitivos da experiência religiosa e não sobrevive ao impacto da revelação como manifestação particular e íntima na alma humana. O espaço do dogma é a religião racional convertida em instituição, um bem a ser comunicado coletivamente, portador de visão política do mundo e fomentador de identidade social. O papel dos dogmas seria reproduzir as estruturas fundamentais de uma dada ordem religiosa. Para Whitehead o dogma é ao mesmo tempo solução e problema para a religião. Ele é solução na medida em que o fato religioso requer respostas racionais a serem dadas aos seus membros e a sociedade em geral; o dogma intermédia essas respostas; mas de outra forma a religião enquanto instituição social não sobrevive alheia as mutações e reconfigurações do espaço social; então, por sua natureza histórica, precisa progredir e se renovar; e é exatamente nesse contexto que se da um estrangulamento. O dogma, sobretudo, enquanto explicação do sagrado levanta uma pretensa inalterabilidade, traduz uma verdade eterna e imutável, transcendental. Na tentativa de dar novas respostas às novas demandas sociais, a religião enfrenta um obstáculo intrínseco. Para este filósofo, fatos novos vão aparecendo na tessitura da sociedade e exigem novas explicações religiosas á luz de suas instituições fundamentais que forçam a renovação do seu discurso. A esse respeito Whitehead dirá que as religiões cometem suicídio quando buscam suas inspirações em seus dogmas (Whitehead apud Mikowski, 1988). O fato é que de tempos em tempos o mundo reclama novas formulações que respondam de modo original aos desafios contemporâneos. E essas respostas inéditas não provêm dos dogmas, mas da experiência religiosa que poderá ou não reformulá-lo O estudo da Religião, da teologia e do dogma reafirma a constituição imaginária da sociedade e simultaneamente o papel desempenhado pelos símbolos religiosos no empreendimento de construção dos significados da vida humana no cosmo. Os três fenômenos ocupam destacado lugar entre os eventos mediadores e construtores de mecanismos de propulsão e manutenção das relações humanas pautadas no interesse de um bem-estar e no cuidado pela preservação da civilização humana ante a ameaça da morte. Religião, teologia e dogma são fenômenos essencialmente culturais, construções históricas, atos coletivos, tentativas contínuas de uma definição plena e impossível do sentido do cosmo. Isto consiste tanto a sua relevância na medida em que tomam para si a tarefa de atribuírem forma e significado ao mundo social, buscando validar uma lugar para história humana no universo; quanto sua precariedade na medida em que na condição de representação social não são aptas de atribui um estatuto final para o sentido da vida. 


Bibliografia 


BERGER, Peter. L. O dossel sagrado, SP, Paulinas, 1985. 

BOURDIEU, Pierre, O Poder Simbólico, Lisboa, Difel, RJ, Ed. Bertrand, 1989. 

CASTORIADIS. CORNELIUS. A Instituição Imaginária da Sociedade. RJ, Paz e Terra, 1982. 

DURKHEIM, Émile. As Formas Elementares de Vida Religiosa, SP, Ed., Paulinas, 1989b. 

ELIADE, Micea. O Sagrado e o Profano: A Essência das Religiões. São Paulo, Martins Fontes, 1992. 

GOLDMANN, Lucien. Crítica e Dogmatismo na Cultura Moderna, RJ, Paz e Terra, 1973. 

MIKOWSKI, Tadeu Cristovam. Em Deus sem Dogma – A religião Segundo Alfred North Whitehead, Blumenau, FURB, 1988. 

OTTO, Rudolf. O Sagrado, Lisboa, Edições 70, 1992. TILLICH, Paul. Teologia Sistemática, São Leopoldo, Sinodal, 1987.



14ª Base De Fé Da ICB - Dons do Espírito

Pastor Herbert Amorim

Pastor da Igreja de Cristo em Eusébio -CE




"Cremos na vigência do exercício dos Dons Ministeriais, do Dom e Dons do Espírito Santo, tal qual se encontram na Palavra de Deus. Mc 16:17-20; At 2:1-13, 38-39; 10:44-47;  Rm 12:3-8; I Co 13 e 14; Ef 4:11."


  


 

    Este ponto doutrinário tem sido palco de divergência entre denominações pentecostais e as tradicionais que divergem quanto a vigência dos dons do Espírito Santo e sua obra na igreja. Para melhor proveito, daremos maior destaque a vigência e atualidade dos dons espirituais,-  pensar teológico, denominado de continuísmo,defendido por nossa denominação.
 
      Por definição, Cessacionismo é a visão cristã de teólogos reformados e batistas fundamentalistas, geralmente de origem puritana que defendem. o pensamento de  que alguns dons do Espírito Santo, notadamente os sobrenaturais, foram úteis apenas para os primórdios da igreja cristã, tendo cessado essa manifestação no período da Igreja Primitiva. 1 
 
      Usando as referências biblicas para apoiar a defesa da vergência dos podemos entender que, quando Jesus inaugura a missão da igreja, nos evangelhos, ao comissionar seus discípulos com imperativo do ide, Ele afirmou que os sinais seguirão aos que crerem (Marcos 16:17), estes sinais não viriam dos próprios discípulos, e posterior também não viriam da ação meramente humana da igreja, um evento sobrenatural estava pra acontecer em suas vidas, porque havia a promessa que Ele derramaria o seu Espírito sobre toda a carne, (Joel 2:28), este evento foi precedido por uma ordem: ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder. (Lucas 24:49), pois recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra. (Atos 1:8). 
 
    E como Jesus prometerá de fato, como toda sua promessa se cumprira, está também se cumpriu, foi nos dias de Pentecoste(Atos 2:1), motivo pelo qual se define como pentecostais as igrejas que experimentaram fatos semelhantes ao dia de pentecoste2, quando de repente veio do céu um som, como de um vento muito forte, e encheu toda a casa na qual estavam assentados. E viram o que parecia línguas de fogo, que se separaram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito os capacitava. (Atos 2:2-4), e também como a promessa afirmava a consequência deste evento foi o testemunhar, pois naquela ocasião havia em Jerusalém judeus, tementes a Deus, vindos de todas as nações do mundo. Ouvindo-se este som, ajuntou-se uma multidão que ficou perplexa, pois cada um os ouvia falar em sua própria língua. Atônitos e maravilhados, eles perguntavam: "Acaso não são galileus todos estes homens que estão falando? Então, como os ouvimos, cada um de nós, em nossa própria língua materna? Partos, medos e elamitas; habitantes da Mesopotâmia, Judéia e Capadócia, Ponto e da província da Ásia, Frígia e Panfília, Egito e das partes da Líbia próximas a Cirene; visitantes vindos de Roma, tanto judeus como convertidos ao judaísmo; cretenses e árabes. Nós os ouvimos declarar as maravilhas de Deus em nossa própria língua!" (Atos 2:5-11). 
 
    Essa promessa nos alcançou, e alcançará a quem assim crer, pois o apostolo Pedro isso nos declara: A promessa é para vocês, para os seus filhos e para todos os que estão longe, para todos quantos o Senhor, o nosso Deus chamar". (Atos 2:39), até porque a promessa não se restringe ao Judeus convertido apenas, mas aos gentios também, fato registrado Dr. Lucas ao escrever: Que os judeus convertidos que vieram com Pedro ficaram admirados de que o dom do Espírito Santo fosse derramado até sobre os gentios, (Atos 10:45).
   
   Então sobre o Continuísmo, podemos definir como cosmovisão teológica cristã acerca da vigência e continuidade dos dons do Espírito Santo e que ainda são repartidos até os dias atuais e estão em uso, até a contemporaneidade, pois são necessários na igreja. O Espírito Santo é o mesmo, o mesmo que agia nos apóstolos e os revestia com carisma sobrenaturais, o mesmo que estava presente durante os tempos do Antigo Testamento e também dotando de virtudes aqueles a quem Deus escolheu especificamente para realizar as suas obras em tempos do Novo Testamento. O continuísmo assim, acredita que o mesmo Espírito ainda age e trabalha na igreja contemporânea3. 
 
  Para que ocorresse este evento divino, nos dias do Pentecoste, houve um fenômeno espiritual , quando Jesus foi crucificado, nos três dias de seu sepultamento e sua ressurreição a escritura sagradas nos afirma que: Por isso é que foi dito: "Quando ele subiu em triunfo às alturas, levou cativo muitos prisioneiros, e deu dons aos homens". (Que significa "ele subiu", e não que também descera às profundezas da terra? Aquele que desceu é o mesmo que subiu acima de todos os céus, a fim de encher todas as coisas.) E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, (Efésios 4:8-11). 
 
 Estes relatos sagrados, escritos nos textos bíblicos citados, são a base para declaramos, que cremos na vigência do exercício dos Dons Ministeriais, do Dom e Dons do Espírito Santo, e que sem esta virtude é impossível fazer a Obra de Deus com sucesso. A descida do Espírito Santo concretizou-se no quinquagésimo dia após a ressurreição de Cristo, e já depois da ascensão de Jesus aos céus. Neste interim foi necessário, não só para confirmação da ressurreição, na mente dos discípulos, e glorificação do Mestre lá nos céus, mas também para criar expectativa do cumprimento da promessa.  
 
 Estas mesmas verdades nos levam a afirmar que para se cumprir, com excelência a missão sem que esteja revestido pelo Espírito é, afirmar assim, bem como, admitir que é possível realizar a Obra de Deus com intelecto, inteligência e conhecimento meramente humano. E isso é contraditório ao texto: Pois Cristo... me enviou ... para pregar o evangelho, não com palavras de sabedoria humana, para que a cruz de Cristo não seja esvaziada Cristo, Sabedoria e Poder de Deus ... Pois está escrito: "Destruirei a sabedoria dos sábios e rejeitarei a inteligência dos inteligentes". (1 Coríntios 1:17,19). 
 
  Assim é necessário o Espírito Santo para realizamos a Obra, fazendo que tenhamos diferentes dons, de acordo com a graça que nos foi dada e com esta graça que nos dá para, e Ele que faz como que se alguém tem o dom de profetizar, use-o na proporção da sua fé. Se o seu dom é servir, sirva; se é ensinar, ensine; se é dar ânimo, que assim faça; se é contribuir, que contribua generosamente; se é exercer liderança, que a exerça com zelo; se é mostrar misericórdia, que o faça com alegria. (Romanos 12:6-8)  
 
  Contudo as obras do Espírito Santo, na vida do cristão, nunca serão parâmetro para nivelamento espiritual, nem tão pouco, para a soberba, pois uma vida cheia do Espírito Santo será evidenciada por ações recheada de amor.  Assim afirma o apóstolo Paulo: ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine. Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas, mas não tiver amor, nada serei. Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, mas não tiver amor, nada disso me valerá. (1 Coríntios 13:1-3.)  
 
 Enquanto a igreja estiver aqui, militando, haverá a necessidade da Ação e poder do Espírito Santo e sua Obra, missão e testemunho, no cumprimento do ide do Senhor, contudo a Vinda de Cristo e o arrebatamento da igreja caracterizar assim o fim da obra do da igreja, não havendo mais necessidade de sua Ação, pois não será mais militante e assim, será a inauguração do Céu seu triunfo, mas o que permanecerá? O Amor. O amor nunca perece; mas as profecias desaparecerão, as línguas cessarão, o conhecimento passará. (1 Coríntios 13:8)     
 
  É interessante esclarecer que nós não deixamos de ser humanos por sermos habitação do Espírito Santo, e todo o conhecimento e poder que Ele concede a um Cristão, agiremos e veremos as coisas terrenas, como humanos, isto é em parte, opaco é imperfeito, como sempre, mas quando Jesus vier não, pois assim esta escrito, quando, porém, vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá. Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino. Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido. (1 Coríntios 13:10-12), estes textos, que acabamos de citar, são uns dos fatores para a discordância, pelos cessacionistas,4 porque nem todas as denominações entende que esse “perfeito”, é Jesus, alguns dizem que é a Bíblia, quando foi copilada o cânon das Escrituras completo, assim entende que como o tempo para o vencimento da vigência dos dons, isto é, eles cessaram.  
 
  Contudo o Apóstolo Paulo nos motiva no próximo capítulo que sigamos o caminho do amor e, contudo, busquemos com dedicação os dons espirituais, principalmente o dom de profecia. (1 Coríntios 14:1). Os dons sempre terão seu propósito para a edificação da igreja (Efésios 4:12-14), mesmo que edifiquem também aquém o dele é revestido (1 Coríntios 14:4), motivo este é que Paulo motiva a busquemos os dons que edifiquem a igreja, mesmo não desprezando o dom individual: Gostaria que todos vocês falassem em línguas, mas prefiro que profetizem. Quem profetiza é maior do que aquele que fala em línguas, a não ser que as interprete, para que a igreja seja edificada.1 Coríntios 14:5 queremos fazer um adendo para esclarecer que o maior não é a pessoa quem profetisa, mas a virtude do profetizar. 
 
  Assim permaneça o amor.  Observemos a diferenças entre pentecostalismo e continuismo: 
 
  Há a necessidade de esclarecer a diferença entre um continuísta e um pentecostal. Não visamos com isso nenhum tipo de censura, mas apenas a melhor compreensão do fenômeno carismático e de sua teologia. 
 
  Alguns continuístas famosos não estão dentro da tradição pentecostal. Alguns teólogos como Donald A. Carson, John Piper, Wayne Grudem, por exemplo, são de tradição calvinista, e aqui podemos assemelhar a Igreja de Cristo no Brasil, a da doutrina da salvação eterna do crente genuína, e declara que, com esta posição não possuem nenhuma ligação direta com igrejas pentecostais.
 
  Citemos: o pentecostalismo clássico: é um continuíssimo acrescentado de outro dom extraordinário: o batismo “no” e batismo “com” o Espírito Santo. Para estes, o primeiro se refere a salvação e o segundo ao revestimento de poder. A pequena diferença da Igreja de Cristo no Brasil  para o pentecotalismo clássico é que, utilizamos ambas as expressões: o “batismo no” e o “batismo com” o mesmo significado, qual seja: o dom salvífico e o recebimento dos dons, como o revestimento de poder. Cremos no Dom (salvação) e nos dons do Espírito. (plenitude, enchimento, revestimento).
 
   Esse dom, segundo a teologia pentecostal, capacita o crente ao serviço da proclamação (cf. Atos 1.8). Dizem eles que não é um dom melhor nem pior do que os demais, mas difere no propósito. Enquanto os dons gerais estão voltados para dentro da Igreja, o Batismo no Espírito está voltado para fora. A firma que é a Igreja capacitada a agir no mundo, enquanto os demais dons capacitam à igreja na ação comunitária de edificação e consolo, dizem ainda que no pentecostalismo estritamente assembleiano, especialmente baseado em uma teologia lucana diferente (todavia complementar) à teologia paulina, se ensina que esse dom vem acompanhado de um sinal, o falar em línguas. Esse sinal não deve ser confundido com o dom, que é a variedade de línguas, declaração esta não apoiada pela Igreja de Cristo no Brasil, pois não se entende o falar em línguas como a evidencia do revestimento de poder da pelo Esprito Santo, e que pode ser evidenciadapor qualquer dom carismático.
 
  Devemos entender que os dons nunca devem nos levar à ações infantis6 na igreja, como ja dissemos, e sim à maturidade, por isso Paulo nos adverte a termos, este cuidado, vejam essa versão de seu Livro:”
 
  “Queridos irmãos, não se deixem ficar num nível infantil quanto à compreensão destas coisas. Quando se trata de imaginar o mal, nessa altura sim, convém que sejam como meninos inocentes; mas procurem entender as coisas desta natureza com a inteligência madura de pessoas adultas. 1 Coríntios 14:20. 
 
  O culto é o espaço espiritual organizado pelos homens, mas inspirado pelo Espirito Santo para edificação da igreja e deve se manifestar a multiforme graça, como estar escrito: 1 Coríntios 14:26 Portanto, que diremos, irmãos? Quando vocês se reúnem, cada um de vocês tem um salmo, ou uma palavra de instrução, uma revelação, uma palavra em língua ou uma interpretação. Tudo seja feito para a edificação da igreja. O Espírito Santo nunca causara desordem ao culto, e sim ordem espiritual, mesmo uma pessoa sendo tomada pela inspiração do Espírito Santo pode se conter, e espera o momento apropriado para a edificação da igreja, pois não esta possuída é sim inspirada, vejamos versículo 32 Os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas.  
 
  Assim, depois destas considerações  bíblicas, afirmamos que a Igreja de Cristo no Brasil ao determinar como ponto inegociável de fé a atualidade dos dons espirituais (sobrenaturais, miraculosos) declara: cremos na vigência do exercício dos Dons Ministeriais, do Dom e Dons do Espírito Santo, tal qual se encontram na Palavra de Deus.
 
  “ Portanto, meus irmãos, busquem com dedicação o profetizar e não proíbam o falar em línguas. 1 Coríntios 14:39
 
  Nossa postura doutrinária quanto a essa matéria concordda com a teologia protestante continuísta renovada, carismática e alguns pontos com continuismo pentecostal clássica. Para nós, um ensinamento deixado pelos apóstolos e uma promessa dos profetas reafirmadas por Jesus nos Evangelhos, e comprovada no Livro de Atos dos apóstolos e vivida pela igreja primitiva, foi também relatadas nas diversas Cartas, fatos estes experimentados por cristãos em missão em todo mundo em diversas épocas, testemunhos registrados em livros históricos atuais, também defendida pelos pioneiros da Igreja de Cristo no Brasil, que fizeram missão cumprindo o Ide do Senhor, estes homens eram simples, humanos, toda via, demonstraram ser cheios do Espírito Santo, e um respeito e conhecimento profundo e apurado da doutrina bíblica. 
 
   Mais uma vez, a igreja de Cristo no Brasil seleciona com responsabilidade seu fundamento de apoio da doutrina bíblica, destacando-se nessa matéria das demais igrejas evangélicas de linha continuísta. Desde o início afastou-se do desvirtuamento da teologia pentecostal da salvação condicional e, do dispensacionalismo escatológico, enxugando estas doutrinas com muita cautela em sua confissão de fé.
 
  De outra face, mesmo crendo na vigência dos dons sobrenaturais do Espírito Santo e com uma notável diversidade litúrgica entre nossas igreja e regiões eclesiástico, felizmente encaramos com muita seriedade a ação miraculosa do Espírito Santo em nossa denominação. Vimos progressiva e historicamente desenvolvendo com bastante equilíbrio a condução de nossa litúrgia e ensino doutrinário sobre o assunto. De um modo geral, temos evitado os excessos comuns dos movimentos pentecostais, da teologia da prosperidade, inclusive às manifestações desenfreadas de inserção sincrética de litúrgias africanistas e indigenistas já tão comuns nas novas igrejas pentecostais, ex: giros, rodopios e uso de objetos e fetiches (copo dágua e etc) comuns nas igrejas dissidentes do movimento pentecostal clássico.
 
 Em igual pensamento, temos rejeitado quase que naturalmente a utilização de apetrechos judaizantes e, hierárquias vétero-testamentárias (estolas, “quipás’, “tsitsit”, patriarquismos, festas judáicas adereços do tabernáculo e etc.) inovações comuns às dissidentes de renovações carismásticas e típicas de movimento de inchaço eclesiástico.
 
  Nesse assunto, não cedemos ao debate, pois aliadas a nós, estão sérias correntes de teologia continuístas o que reafirma a confiabilidade de nossa reputação de uma Igreja cuja doutrina fundamenta-se firmemente nas Sagradas Escrituras. Salientamos que Mas tudo deve ser feito com decência e ordem.( 1 Coríntios 14:40.) 




1ª Base De Fé Da ICB - Salvação Eterna E Justificação

Pastor Otoniel Marcelino

Membro da Igreja de Cristo em Cidade Verde - Natal /RN




"Doutrina da justificação pela fé, salvação eterna do crente genuíno, sem concurso do mérito próprio. A justificação do pecador é somente pela graça de Deus, na suficiência do sangue remidor de Jesus Cristo, com eterna segurança. " -  Jo 10.27-29; Rm 8.1-2, v.31-39 e Ef 2.1-9


  

 INTRODUÇÃO
 

    A confissão de fé da Igreja de Cristo no Brasil começa com: “1) Doutrina da justificação pela fé, salvação eterna do crente genuíno, sem concurso do mérito próprio. A justificação do pecador é somente pela graça de Deus, na suficiência do sangue remidor de Jesus Cristo, com eterna segurança. Jo 10.27-29; Rm 8.1-2, v.31-39 e Ef 2.1-9.”
 
    A nossa finitude não permite conhecermos a Deus e pelo nosso caráter não podemos nos aproximar dele (dEle). Então, Deus tomou a iniciativa de fazer por nós o que não podíamos fazer sozinhos. Essa iniciativa de Deus, falando com simplicidade, o cristianismo chama de graça, ou seja, o amor de Deus para aqueles que não o merecem. Um amor que se preocupa, se humilha e resgata.
 
    O cristianismo é uma religião de salvação. Salvação não é apenas sinônimo de perdão. “É muito mais do que isso! Representa todo o plano de Deus para a humanidade, e isso inclui pelo menos três fases, senão vejamos:
 
     A PRIMERA diz respeito à nossa libertação da culpa e do juízo causados pelo pecado e ao nosso perdão pleno e gratuito, acompanhado da nossa reconciliação com Deus e da adoção como seus filhos (adoção, salvação, redenção inicial, regeneração, justificação).
 
    A SEGUNDA é nossa libertação progressiva dessa natureza do mal que nos mantém cativos ao pecado, começando com nosso novo nascimento na família de Deus e continuando com nossa transformação pelo Espírito à imagem de Cristo. (santificação)
 
    A TERCEIRA é a libertação final do pecado, que persiste tanto em nossa natureza caída como em nosso ambiente social, quando, no dia final, receberemos um corpo novo e glorioso e seremos transportados para um novo céu e uma nova terra” (redenção final, glorificação).
 
    Essas três fases ou tempos da salvação (passado, presente e futuro) estão associadas no Novo Testamento aos três principais eventos da carreira salvífica de Jesus: sua morte, sua ressurreição seguida pelo dom do Espírito Santo e seu retorno com poder e glória. Paulo refere-se a elas como justificação, santificação e glorificação”.
 
    Conquanto, a obra redentora de Deus em Cristo tenha sido consumada no passado, não significa que esteja enterrada no passado, apesar de consumada, se prolonga pela eternidade, desde hoje e para sempre. “O Espírito Santo fala por meio do que foi dito e age por meio do que foi feito”.


CONCEITOS BÁSICOS
 
    Sabemos muito bem que misericórdia não é mérito, e com esse destaque queremos tentar definir os principais elementos da salvação: a justificação, a regeneração ou novo nascimento e a santificação, com destaque à justificação pela fé. Senão, vejamos.
 
   O termo “justificar” significa tornar justo, restituir à inocência. A justificação bíblica tem um sentido prático mais profundo do que o aspecto puramente judicial, é um processo mediante o qual o erro é corrigido, o mal se torna bem e o bem se torna melhor. A justificação é o ato judicial de Deus para o pecador que deposita sua confiança unicamente em Cristo, portanto, declarado justo aos Seus olhos, e livre de toda culpa e punição.
 
    A Regeneração ou Novo nascimento é o ato regenerador, uma  concessão da natureza divina ao homem (2 Pe 1.4). O Espírito Santo é o agente da transmissão dessa nova natureza. É o momento em que o Espírito de Deus se une ao Espírito do homem. A regeneração cristã assim difere do conceito humano de “mera reabilitação”, é na verdade uma nova geração divina, tendo como o novo nascimento uma condição essencial para uma nova vida. Assim, a regeneração não é um processo, mas um ato divino em nós. Uma vez nascido de novo, nascido para sempre.
 
  E, uma vez recebida essa nova natureza, torna-se possível por esta revificação espiritual e a nossa recuperação moral. Desse ato transformador de nossa natureza, é possível a todos aqueles que creem no Senhor Jesus andarmos segundo sua vontade. Essa mudança interior é produto do arrependimento para com Deus e da fé em nosso Senhor Jesus Cristo. Cremos portanto, que a nossa regeneração (novo nascimento) é um ato irreversível de Deus.
  
  A Santificação cuida-se do nosso estado, tanto quanto e a justificação de nossa posição. Na justificação somos declarados justos, na santificação nos tornamos progressivamente justos. A justificação nos torna seguros, a santificação nos faz sadios. Sobre a justificação, Deus a afirmou de uma vez por todas e Cristo sofreu de uma vez por todas, então, a revelação e a redenção cristãs estão completas em Jesus sem nenhum acréscimo humano. Isso é justificação pela fé, somente.

JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ
 
    Consciência é o senso abstrato de retidão e de erro. “Como pode o homem ser justo para com Deus?” (Jó 9.2), disse Jó. Este é o grande problema que incomoda a vida do pecador. O senso de pecado e da existência de Deus são universais na natureza humana e a experiência leva essa sensibilidade para à consciência através da observação e da reflexão.
 
    A justificação pela fé é o tema central das duas epístolas aos Romanos e aos Gálatas, na verdade, a essência da mensagem do apóstolo Paulo. Esse assunto também, foi o foco dos reformadores: Lutero, orientado por sua profunda experiência sustentou que a Justificação pela Fé era o artigo de uma igreja que se conservaria de pé ou cairia; e o Dr Edward Harold Browne acrescentou que é também o artigo de uma alma que se mantém de pé ou cai.” – Moule.
 
   “Para Tomás de Aquino e Pedro Lombardo, dentre outros eruditos da escola da Idade Média, a justificação tinha um sentido semelhante ao da regeneração; e no decreto do Concílio de Trento, a justificação é considerada equivalente à santificação, sendo ali descrita como ‘não a mera remissão dos nossos pecados, mas também a santificação e a renovação do homem interior’.” – Moule.
 
    Desse modo, a justificação diz respeito à nossa posição perante Deus judicialmente, e não ao nosso estado de vida moral e espiritual. Desse modo é que afirma Bancroft: “A justificação presente na vida do cristão, se estende em duas direções: o passado e o futuro. Trata do pecado e da culpa, de ambas, judicialmente, e estabelece o crente como eternamente justo na presença de Deus.”
 
    O homem trabalha a justificação muito diferente do tratamento de Deus, porém, no que diz respeito a justificação (garantia de nossa salvação eterna), o método é divino e não humano. O homem justifica o inocente, Deus justifica o culpado; o homem justifica à base do mérito; Deus justifica à base da misericórdia, dia Bancroft, cite-se Rm 8.33: “Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justiça”. Ainda, Rm 3,24: “ justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus”.
 
    Comparativamente, nos dias do Antigo Testamento, os sacerdotes eram uma casta distinta com privilégios negados ao restante do povo. Esta distinção entre sacerdotes e o povo é abolida em Cristo “Não há mais sacrifício para oferecer pelo pecado – uma vez que Cristo foi suficiente para acabar com toda essa dívida. No entanto, há sacrifícios de louvor, de gratidão e de dedicação que, como sacerdócio santo, deveríamos oferecer a Deus continuamente. Portanto, o homem é justificado ou considerado reto no sangue de Cristo, ou seja, à base da morte propiciatória de Cristo


SALVAÇÃO CONDICIONALMENTE SEGURA
 
    “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu     Pai, e permaneço no seu amor. ” João 15:10
 
    A expressão “salvação condicional” é um termo usado para definir que a salvação do crente é condicionalmente segura dependendo da sua fidelidade ao Evangelho. Vários textos bíblicos são destacados para defender essa visão de Evangelho, mencionemos alguns: Ex 32.33; Mt 10.22; Mt 24.11-13; Mc 13.13; Cl 1.21-23; 1 Co 10.12;1 Co 9.26-27; Hb 3,12; Hb 10.26-28 e Ap 3.5.
 
    Essa Escola de pensamento soteriológico (doutrina da salvação) é baseada nos ensinamentos do holandês Jacob Arminio (1560 – 1609), formando o Arminianismo, sistema de ideias teológicos no campo da salvação que defendem basicamente que a perseverança dos Santos está condicionada ao comportamento do mesmo depois de sua conversão e que esse processo de fidelidade ou infidelidade por resultar em um mérito de garantia ou de perda da salvação, que permanece continua e, subordinada à uma constância vigilância moral e individual, isto é, durante a carreira cristã, o salvo poderá perder a e readquirir sua salvação diversas vezes, mesmo que tenha confirmada sua nova identificação com o Senhor Jesus.


SALVAÇÃO INCONDICIONALMENTE SEGURA
 
    João 6.37: “Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora”.
 
    A Igreja de Cristo no Brasil tem como um dos fundamentos de ensino da sua organização que o verdadeiro crente jamais perde a sua salvação. Os versículos básicos de apoio a essa visão doutrinária são: Lv 17-19; Jo 6.37; Jo 10.27-29; Rm 5.8-11; Rm 8.1-2; Rm 8.31-39; Rm 8.30; Rm 8.30; Rm 10.9-10; Ef 2.19; 1 Co 6.17; 1 Co 12.13; Tt 3.5.
 
    Realmente há uma complexidade de discussão entre essas duas visões interpretativas, talvez até pudéssemos chamar de teologia de “antinômio”. Uma vez que, dentro desta discussão se levantam questões bastante sensíveis, por exemplo, a mais comum; se o crente verdadeiro que comete um ato pecaminoso e não tem tempo de se arrepender antes da sua morte ou da vinda do Senhor Jesus teria garantia sua salvação.
 
    A perspectiva cristã da soteriologia abraçada pela Igreja de Cristo na dogmática da salvação incondicional, faz-se uma ressalva singular na tentativa de distinguir a garantia da salvação apenas a alguém genuinamente nascido de novo e que embora sujeito ao pecado confia no sacrifício de Cristo em sua perfeita justificação ao mesmo tempo que não ratifica a mesma garantia a qualquer experiência meramente religiosa, por mais piedosa que seja.  Nisto temos fundamentada confiança: "Em quem também confiastes, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa." – Efésios 1:13. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”. – 2 Co 5.17.
 
    Nesse prisma doutrinário abraçado pelo Igreja de Cristo, para aquele que passou pela genuína experiência com o evangelho, exige-se frutos que revelam a autenticidade de sua regeneração (Mt 11.20-24).
 
    Desse modo, há uma via de mão dupla, o novo nascimento que anula completamente o pecado: "sou eu, eu mesmo, aquele que apaga suas transgressões, por amor de mim, e que não se lembra mais de seus pecados”. – Is 43.25 e, a oportunidade de produzir frutos dignos de arrependimento, pois como adverte Paulo em 2 Co 5.1: “Pois todos nós devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba de acordo com as obras praticadas por meio do corpo, quer sejam boas quer sejam más”.
 
    Desse modo, embora as obras não nos confiram mérito para a salvação, o que nos dá garantia incondicional, estas serão julgadas para o recebimento de galardões, daí porque, o julgamento do crente no Tribunal de Cristo, de acordo com a revelação do Paulo, é “para que cada um receba de acordo com as obras praticada por meio do corpo, quer sejam boas que sejam más”. Somos tendentes a pensar que é só para receber galardão, não, é o que merece.
 
    Atrevo-me, baseado na doutrina da salvação incondicional a responder ao questionamento proposto inicialmente, afirmando que o verdadeiro salvo não vive na prática do pecado, por isso quando o genuíno salvo morre (ou é  arrebatado na vinda do Senhor) estando ele em estágio elevado de santificação ou ainda com dificuldades de manter-se plenamente fiel, em ambos os casos, será tomado para a eternidade com Cristo, tendo porém que comparecer perante Ele no seu  tribunal.
 
    Então se alguém morre em Cristo (convertido genuinamente), mesmo que esteja em determinada circunstância cometendo algum “pecado” ao longo da carreira cristã, será salvo pela justificação do sangue de Jesus, nosso Salvador e por seu sacrifício eterno, o que não o impede que seja submetido ao Tribunal de Cristo e ao julgamento dos santos que antecede nossa convivência eterna com Deus, experiência que figurativamente é apresentada nas Escrituras como as Bodas do Cordeiro. Nosso julgamento, porém se difere do juízo final e do julgamento do trono branco (Ap 20.11-15), este sim, destinados aos ímpios e não aos crentes genuínos.
 
    João nos chama atenção com uma palavra muito clara “Todo o que permanece nele não vive pecando; todo o que vive pecando não o viu nem o conhece”. – 1 Jo 3.6. Desse modo, deve haver um equilíbrio na convicção desta exposição da salvação incondicional porque é comum quando se apresenta distorcida pode criar em algumas pessoas um comportamento de “libertinagem”, ou seja, ação do libertino e não do salvo.
 
    Por isso, admira-nos, imaginar que alguém que nasceu genuinamente em Cristo volte a praticar o pecado como antes, desvairadamente e esquecido de Cristo, como se jamais tivesse recibo o Espírito. Mas, é cogitável considerar que alguém mesmo nascido de novo possa cometer pecados eventuais ou passar por fraquezas momentâneas que o afastem da comunhão, mas que mantenham sua consciência triste e sensível a voz do Espírito testificando que onde ele esteja é um filho de Deus e, deve render-se e voltar a comunhão.
 
    O que não se pode admitir com o fundamento das Escrituras é ideia equivocada de que a doutrina da salvação eterna, ou como se costuma dizer “de uma vez salvo, salvo para sempre”, crie certo nível de irresponsabilidade e de libertinagem cristã. Quem encara a salvação eterna como pretexto para o pecado, permanece em condenação, por que aliás, jamais nasceu de novo genuinamente! Quem nasce de novo do Espírito se inclina para as coisas do Espirito, quem nunca nasceu de novo permanece escravo do pecado. O genuíno cristão vive a luta contínua entre carne (corpo ainda não glorificado) e espírito (regenerado), mas em seu interior ele tem prazer e vontade de vencer e obedecer a Deus.


CONCLUSÃO
 
    Os organizadores da Assembleia de Cristo, Igreja de Cristo e hoje Igreja de Cristo no Brasil, em 13 de dezembro de 1932, na cidade de Mossoró – RN, estruturaram a forma doutrinária no que concerne a salvação incondicional  sem afirmar a teologia da eleição (predestinação). Essa fórmula híbrida de nossa soteriologia, embora inovadora, certamente aumenta a nossa  dificuldade teológica, se comparados às igrejas que optaram de forma exclusiva pelo calvinismo ou pelo arminianismo. Mesmo por que, em razão dessa dualidade, não são incomuns em nossa história e, em nosso meio (nas diferentes igrejas e regiões) que tais lacunas teológicas sejam preenchidas tendenciosamente para um lado ou para o outro (mais arminianamente ou mais calvinisticamente). Mas, mesmo essa diversidade também pode ser encarada com leveza e respeito mútuo.
 
  O mais importante para a solidez de nossa confissão de fé quanto à salvação incondicional, é a partir desse desafio tentar conciliar equilibradamente o conceito de salvação incondicional sem mérito (na concepção monergista inserida pelo calvinismo da salvação exclusiva como ato divino), e ao mesmo tempo abstrair do arminianismo, o melhor do seu conceito de livre-arbítrio (sinergismo, da salvação como uma ação divina somada a reação humana), sobretudo no que diz respeito à nossa responsabilidade com o evangelho, a santificação e a vigilância individual e eclesiástica.
 
  Para nós, a salvação incondicional sem o mérito humano não é uma opção é uma constatação ao que diz às Escrituras, ao que nos rendemos plena e revogavelmente:
 

I Jo 5.18-20 :


"Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não está no pecado; aquele que nasceu de Deus o protege, e o Maligno não o atinge.Sabemos que somos de Deus e que o mundo todo está sob o poder do Maligno.Sabemos também que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento, para que conheçamos aquele que é o Verdadeiro. E nós estamos naquele que é o Verdadeiro, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna." 



13ª Base De Fé Da ICB - Ressurreição e vida eterna 

Presbítero Geraldo Jordão

Co-Pastor da Igreja de Cristo em Rosa dos Ventos - Parnamirim /RN




Cremos:
 
“Na ressurreição dos mortos, na vida eterna dos Salvos e na condenação eterna dos injustos que não aceitaram Cristo Jesus como Salvador. Dn 12:2; Jo 5:28-29; At 17:31; 24:15; Heb 9:27-28, e Ap 20:11-15. “



    Em um final e semana, há quase dois mil anos atrás, dois homens caminhavam de Jerusalém em direção a Emaús, uma aldeia que ficava há 11 km daquela cidade. Carregavam em seus corações um sentimento de perda irreparável, uma sensação de vazio,  desamparo e a nítida impressão, causada pela injustiça, dor e pelo sofrimento de que o mal é a realidade última para o ser humano. Assim como aqueles dois discípulos, quando passamos pelos vales escuros, segundo nossa realidade, também podemos ser levados à cegueira espiritual e induzidos a pensar que o choro e a morte são as últimas notícias de nossa existência.  
Foi justamente a intervenção do Mestre, que intencionalmente, num primeiro momento se apresenta como um desinformado desconhecido, que os fez gradativamente, reconhecer as palavras de fé e de vida baseadas nas promessas das Escrituras Sagradas das quais Ele mesmo é a revelação definitiva, fazendo com que a esperança nascida de sua ressurreição pudesse reviver seus corações devastados pela sombra da morte.
 
    Daqueles dias até o presente século, a doutrina da ressurreição continua sendo um dos mais importantes fundamentos do cristianismo. Ela está presente nas Escrituras desde o Antigo Testamento, prometida através dos profetas e mencionada em livros como os Salmos e outros escritos. Ela é a esperança de muitas gerações antes de nós. Encontramos, por exemplo, indícios dessa crença ainda no livro de gênesis quando Abraão, mesmo sabendo que deveria sacrificar a seu filho Isaque, declarou com confiança que os dois voltariam do monte, ou seja, ele cria que Deus poderia fazer Isaque voltar à vida e cumprir a promessa de que ele seria seu descendente (Genêsis 22:5 e Hebreus 11:17-18). Igual doutrina também é declarada de forma muito evidente pelo profeta Daniel (cap. 12:2), quando o mesmo revela tanto a ressurreição de justos para a vida eterna quanto de injustos para o desprezo e vergonha eterna. Semelhantemente, esse mesmo entendimento fora registrado por Isaías, o profeta messiânico, afirmando a ressurreição daqueles dentre o seu povo que esperavam o Messias e a sua própria ressurreição (Isaías 26:19).
 
  A Escritura compara o fenômeno da ressurreição ao renascimento da vida vegetal a partir da chuva sobre a terra, quando na terra desertificada surge o milagre da vida.  Assim como a árvore mencionada no capítulo 14, nos versos de 7 a 9 do livro de Jó. O próprio Jó tinha a esperança da ressurreição (versos 13-15). O Salmista Davi declara sua confiança em viver eternamente com o Senhor e a certeza de que seu corpo estava guardado em Deus (Salmos 16: 9-11). É claro que nesta passagem está também a referência profética à ressurreição do Messias, pois o corpo do rei Davi conheceu a decomposição. Entretanto, é nítida a confiança plena do salmista em uma ressurreição futura conforme a esperança mencionada no final do conhecido Salmo 23: “habitarei na casa do Senhor”.
 
   No capítulo quinze da primeira carta de Paulo aos Coríntios, o apóstolo  apresenta a ressurreição como fundamento de toda a fé cristã e sem o qual ela não faria nenhum sentido, pois diferente de muitos sistemas filosóficos, e mesmo possuindo enorme impacto em nossa caminhada terrena, este fundamento nos aponta sempre para a esperança de transcender esta realidade e nos levar a uma transformação tal, que nos permita viver a plenitude da presença de Deus em uma nova dimensão.
 
   O apóstolo João afirmou claramente essa verdade nos assegurando que somos filhos de Deus, mas ainda não nos tornamos aquilo que o projeto de Deus estabeleceu (I João, 3:2). A ressurreição leva a uma transformação da nossa fragilidade em fortaleza, o corruptível se torna incorrupitível. A esperança da ressurreição era a força motriz que movia Paulo a enfrentar todos os tipos de adversidades, tanto físicas quanto mentais, visto que o Evangelho nos desafia a considerar o Reino de Deus como um bem maior do que a própria vida, e em momentos de conflito este passa ser a opção do cristão, mesmo significando sofrimento e morte.
 
  Dentro deste mesmo contexto, alguns irmãos da Igreja em Corinto, estavam deixando-se levar pelos ensinos do pensamento grego da época de que não existe ressureição, ou no mínimo, estavam construindo um pensamento semelhante, tanto que Paulo, grande conhecedor da filosofia grega, cita a frase que resume o pensamento hedonista o qual nasceu no ocidente a partir de Aristipo de Cirene (435-335 a.C.) e é mais tarde desenvolvido por Epicuro de Samos (271 ou 270 a.C.): “Comamos e bebamos porque amanhã morremos” (I aos Coríntios 15:32).
 
  Válido, mencionar que o hedonismo ensina que o maior bem da vida é o prazer (em todas as suas formas) e a busca por este é o que dá sentido à existência humana (conceito de Aristipo). A diferença entre do hedonismo de Aristipo para o de Epicuro, é que o último, propunha a busca e o gozo dos prazeres de forma moderada, sob pena de sofrer as consequências do exagero. A ideia não é totalmente nova, pois esta percepção já estava presente no povo israelita que, ao invés de se voltar para Deus num momento de grave crise resultante da invasão do rei Senaqueribe, preferia se entregar ao fatalismo, realizando uma espécie de “banquete de despedida da vida” (Isaías 22:13), procurando obter o máximo de prazer que podiam diante do curto tempo de vida que lhes restava. Essa atitude, era sua reação ao medo da morte, afastando-lhes da vida em sua realidade última e plena: o próprio Deus, a fonte da vida, assim descrito nas palavras de Paulo diante dos filósofos em Atenas, citando as ideias dos próprios gregos (Atos 17:25).
 
 Não se pode negar que a mesma ideia hedonista está presente de forma inconsciente (ou não) no pensamento moderno, revelada em frases quotidianas como: “a vida é curta, aproveite hoje, pois amanhã ninguém sabe!...” ou nas músicas: “hoje o tempo voa...vamos viver tudo que a há para viver, vamos nos permitir!”. Há um senso comum de que, no final, o que importa mesmo, é viver o prazer da forma mais intensa possível, sem se preocupar com as consequências. A ideia de que, pelo menos de vez em quando, é necessário “enfiar o pé na jaca”.
 
  Sobre o mesmo assunto, o sábio escritor de Eclesiastes, o rei Salomão (admitindo-se a ideia mais aceita de que ele realmente foi o autor em aproximadamente 935 a.C.), já havia chegado à conclusão de que todos os objetivos e bens terrenos, quando considerados como fins em si mesmos, levam a insatisfação e ao sentimento de vazio, traduzido nos termos que ele utilizou: “vaidade das vaidades” ou “correr atrás do vento”, uma vez que a finitude humana destrói qualquer sentimento de auto realização e tudo parece perder o sentido quando o homem toma consciência de sua efemeridade. A partir da própria experiência pessoal, na busca por realizações e prazeres típicos da existência terrena, ele passa à perceber os efeitos do esgotamento das sensações, e a falta de propósito para a existência humana, como se, ter nascido ou não, não fizesse a menor diferença. É justamente neste ponto que ele percebe que ao homem é lícito e bom gozar daquilo que a vida oferece, desde que isto seja orientado através de uma moral superior e guiado por uma visão que transcende a existência: a percepção de que há um Deus que provê todas essas coisas, mas que também mostra ao homem como equilibrar o uso das mesmas. A verdade é que, no momento que perdemos a perspectiva da continuidade da existência, passamos a viver a “urgência do prazer”, ou seja, o tempo é curto e eu preciso obter todo o prazer que puder. Para muitas pessoas esse senso de urgência passa a determinar seu comportamento, passando a ser o fator predominante nas suas decisões e afetando o senso ético. A ideia é: “para ser feliz (gozar a vida), vale tudo”. É justamente o medo da morte que nos escraviza ao pecado, enquanto a fé nos liberta pela esperança da ressurreição.
 
 Uma vez que consideramos a continuidade da existência, é inevitável levantarmos algumas questões. A primeira delas é: como a ressurreição ou ressuscitação (há quem faça uma diferenciação entre os termos, entretanto, lexicamente os dois são iguais) é apresentada na bíblia?  Ou seja, como é a sua natureza?  Em primeiro lugar, se faz necessário estabelecer a diferença da ressurreição de Cristo e os demais exemplos na bíblia. Antes da ressurreição do Mestre ocorreram outras, citemo-las: o caso do soldado que volta à vida após ser colocado no túmulo do profeta Eliseu (II Reis, cap. 13), a filha de Jairo (Marcos, 5:41-42), o filho da viúva de Naim (Lucas 7:14), diversos crentes na promessa do Messias após a sua ressurreição (Mateus 27:50-53) e o caso mais emblemático: a ressurreição de Lázaro quatro dias após a sua morte (João 11:43). Todos estes casos evidenciam o domínio de Deus sobre a vida.  Uma vez que como Criador, ele tem o poder de reviver a criatura, trazer de volta a existência aquilo que está morto. Entretanto, Cristo não ressuscitou no mesmo sentido dos casos mencionados; Cristo volta a vida, conforme o poder que o Pai lhe outorgou com um novo corpo. Não se trata simplesmente de reviver num corpo vulnerável, mas de ressurgir para uma existência em um nível elevadíssimo; em um corpo que não está mais sujeito as mesmas fragilidades do anterior.
 
 Nesse mesmo raciocínio, podemos afirmar que todas as pessoas citadas anteriormente voltaram a morrer, Cristo porém; foi feito as primícias dos que dormem. Ele ressuscitou para nunca mais morrer, e de forma precursora, este tipo de ressurreição é a primeira de muitas que acontecerão pela fé (1 Coríntios 15:20). Ele é o modelo, o padrão ideal para este fenômeno.
 
 A segunda questão é: quem irá ressuscitar? E a resposta é: todos! Conforme já citado aqui, Daniel nos revela que todas as pessoas que um dia existiram neste mundo serão trazidas à vida, princípio que é confirmado pelo próprio Senhor Jesus quando ele declara que, a exemplo de Lázaro, todos os mortos ouviram a sua voz e voltaram à vida, uns para a ressurreição da vida e outros para a ressureição da condenação conforme afirmação de Cristo no evangelho de João (5:28-29). Esta condenação está identificada como a segunda morte, o afastamento total da presença de Deus, vida vazia e desprovida de significado, conforme revelado em Apocalipse 20:11-15 e é resultado do julgamento do Trono Branco.
 
 A terceira questão que se pretende responder é: Como se dará a ressurreição? No capítulo quatro da carta aos 1 Tessalonicenses, a partir do verso treze, o apóstolo Paulo fala sobre a primeira grande ressurreição. Esta diz respeito a todos os que depositaram sua total confiança em Cristo durante a era da Igreja (período que se inicia no dia de pentecostes e termina no dia do arrebatamento). Ele explica a dinâmica do arrebatamento e a sua ligação com a ressureição dos salvos em Cristo: Haverá uma unificação entre os que estiverem vivos e aqueles que morreram guardando a fé: os que ressuscitam passam a ter um novo corpo glorioso e os que estão vivos passam por uma transformação para obtê-lo. Ambos estarão habilitados, em uma fração de segundos, a encontrar com Cristo além do espaço terrestre. Isto explica a expressão “ser semelhante a ele” usada pelo apóstolo João (I João, 3:2) e a aquela corroborada pelo próprio apóstolo Paulo ao chamar de corpo glorioso (Filipenses 3.20-21), ou seja, um corpo capaz, por exemplo de resistir ao atrito com o ar durante o arrebatamento, quando a força do campo gravitacional será superada por uma força maior, a celestial.
 
 O químico Antoine Lavoisier (1743-1794) demonstrou através de seus experimentos, que os produtos resultantes das reações químicas possuem a mesma massa que os elementos utilizados nelas. Este é o princípio da conservação das massas, sintetizado em sua célebre frase: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Paulo não era um cientista, mas falava por inspiração divina e acertou em cheio ao falar sobre a diversidade da matéria que compõe os diferentes corpos inclusive entre corpos semelhantes.  Tudo é matéria e energia, mas a organização dos mesmos determina as características e atributos das diferentes formas dos seres animados ou inanimados. De forma semelhante, a analogia de Paulo utilizando a figura do grão que morre, germina e renasce com um novo corpo está perfeitamente sintonizada com a declaração de Lavosier.
 
 Ainda, nesta relação entre revelação e ciência, é interessante afirmar que a morte, em última análise, é uma série de reações químicas, ou seja, processos de transformação da nossa matéria e a ressurreição poderia ser explicada como o reagrupamento dessa matéria em nova estrutura molecular que resultará em um corpo com qualidades muito superiores ao original. Esse novo corpo poderia ser resultado de uma mudança de estado físico (fenômeno físico) dessa matéria que foi reordenada em nível molecular.
 
 Para melhor explicar esse raciocínio, quero citar um exemplo de fenômeno físico: a água pode se encontrar no estado sólido, líquido ou gasoso, mas sua molécula H2O continua a mesma, ou seja, o fenômeno físico altera apenas a forma da matéria. Mas se ampliarmos este entendimento, poderemos considerar que, além dessa mudança de estado físico que poderia aumentar a densidade dessa matéria (aumentando incrivelmente sua resistência), ocorreria adicionalmente uma série de reações químicas – fenômenos nos quais duas substâncias combinadas fazem surgir uma nova com características próprias (isso habilitaria este corpo ressurreto a vencer diversas limitações, a obter novas habilidades e características).  
 
 De qualquer forma, o maior milagre da ressurreição é reagrupar aquilo que foi disperso pela desintegração, seja ela natural ou provocada pelo homem (cremação do corpo por exemplo). Isso certamente não seria possível em laboratório mesmo que estivéssemos falando de um corpo inanimado, imagine-se então de um corpo complexo como do ser humano!
Na mesma esteira, Paulo afirmou que nem todo corpo é igual, embora haja semelhança na composição básica, pois todo ser vivo é matéria baseada em carbono, oxigênio, hidrogênio e nitrogênio: “Nem toda carne é uma mesma carne; mas uma é a carne dos homens, outra a carne dos animais, outra a das aves e outra a dos peixes.” – I Carta aos Coríntios 15:39 – assim, a estrutura molecular atribui características diferentes, habilitando a um ser, por exemplo, respirar sob a água e a outro, suportar temperaturas baixíssimas ou altíssimas. Até mesmo entre os corpos inanimados existem diferenças: mais uma vez Paulo, pelo Espírito, está extremamente alinhado com as descobertas científicas: “Uma é a glória do sol, outra a glória da lua e outra a glória das estrelas; porque uma estrela difere em glória de outra estrela.” (verso 41). Afirmação plenamente confirmada hoje pela astronomia a qual afirma que as estrelas possuem diferentes padrões de luminosidade e temperatura superficial. Concluímos pelas Escrituras, que todos terão um corpo resistente e portanto, imortal, mas nem todos terão um corpo glorioso; toda vez que esta expressão aparece nos textos sobre ressurreição, ela está se referindo aos que confiaram suas vidas a Jesus, como Senhor e Salvador. Essa diferença está justamente relacionada aos diferentes destinos de salvos e não-salvos: a liberdade para viver em uma nova dimensão com novos propósitos e portanto, com um corpo superior ou o aprisionamento em um lugar tenebroso, sem esperança e sem dignidade.
 
 O filósofo contemporâneo Luís Felipe Pondé, afirma que “O homem é um tipo de animal que carrega o cadáver nas costas a vida inteira, porque sabe mais do que deve e menos do que precisa.” Certamente esse “cadáver” simboliza o sofrimento de estar consciente de própria finitude (saber mais do que deve), um certo mal-estar em saber que no final, tudo termina e todas as realizações parecem não ter nenhum sentido à medida em que nos aproximamos do fim, ao mesmo tempo que a sua racionalidade não é suficiente para obter todas as respostas das quais precisa, notadamente, as questões clássicas da filosofia, como: “qual o sentido da vida?” ou “o que é a verdade?”.
 
 A crença na ressurreição nos proporciona um novo sentido para esta existência terrena. Ela nos faz enxergar além da finitude, nos dando a expectativa da entrada em um novo ciclo de existência humana, que trará respostas para muitos dos nossos questionamentos e nos levará a uma experiência que transcende toda a anterior e a todo o conhecimento acumulado até hoje através das civilizações, como descrito pelo apóstolo Paulo: “Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam.” (I Carta aos Coríntios 2:9).
 
 Esta percepção da mudança radical entre as duas dimensões (terrena e celestial) ficou extremamente clara no diálogo de Jesus com os saduceus. Os saduceus constituíam uma seita judaica que surgiu a partir da construção do segundo templo. Mas, diferente dos fariseus, eles não aceitavam a tradição oral e principalmente negavam veementemente a ressurreição. No capítulo 22 (verso 23 em diante) do Evangelho de Mateus, encontramos estes religiosos tentando enlaçar Jesus através de uma pergunta sofista sobre a situação conjugal de uma mulher, após a ressurreição. Aqui, neste texto, a resposta de Jesus revela duas verdades fundamentais: a primeira é que a dinâmica da mudança de paradigma na nova existência só pode ser compreendida pelo conhecimento imparcial das Escrituras: “errais não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus”. Jesus explica que uma das atribuições do casamento, a de perpetuar a espécie a partir do relacionamento amoroso entre homem e mulher, não terá mais significado na dimensão celestial; se os saduceus possuissem uma compreensão ampla das Escrituras, saberiam que esta etapa da humanidade já estaria superada após a ressurreição e semelhantemente a isto, muitas outras mudanças ocorrerão na nossa nova forma de existência.
 
 A segunda verdade só pode ser entendida pela experiência com o poder de Deus: Ele é um Deus de vivos! Jesus por diversas vezes manifestou o poder de Deus sobre a morte. A possibilidade de imortalidade não é algo absurdo do ponto de vista científico: existem seres na natureza, como por exemplo, a Turritopsis dohrnii (uma espécie de água-viva) que sinalizam a engenharia Divina na criação de indivíduos imortais. Esta pequena criatura tem a capacidade de rejuvenescer renovando suas células e se perpetuando, imune às doenças, desaparecendo somente se for vítima de um predador. 


 Podemos afirmar que o homem criado conforme a narrativa do livro de gênesis foi um ser projetado para ser imortal. A ressurreição é a esperança da retomada do projeto original de Deus, brutalmente alterado pelo pecado, e mais do que isto, é também um aperfeiçoamento extremamente significante deste projeto. A morte é uma anomalia, a ressurreição é a sua correção definitiva, pois Deus é a fonte da vida!

 
 Se acordarmos todos os dias para enfrentar o caos desse mundo e sua desesperança, apenas munidos da nossa compreensão limitada e pela experiência de nossos ancestrais, certamente acabaremos desiludidos e entregues ao fatalismo. Ao se deparar com esta sensação, qualquer ser humano corre em busca de respostas. As pessoas correm para as ideologias e seus pensadores. Mas, devemos fazer a nós mesmos a pergunta de Pedro: “para onde iremos nós?". A resposta é a mesma que ele descobriu pela graça da revelação do Espírito: Só Ele (Cristo) tem as palavras de vida Eterna (João 6:68). Quem se apropria dessas Palavras está em Cristo e nele permanece, sabe que todas as coisas aqui são provisórias: possuem propósito e tempo determinado. Quem está ligado a Videira tem vida em abundância, vida que se renova e que continua para sempre.
 
 Cremos pois, como  Igreja de Cristo no Brasil, na ressurreição como um fundamento no qual toda nossa fé está estabelecida: toda  a doutrina de perdão, justificação e salvação eterna encontra sentido nesta verdade como fato determinado por Deus e que representa uma realidade racional, perfeitamente possível e aceita através da fé mediada pelo Espírito de Deus. Vivamos, assim todos os nossos dias aqui arraigados na esperança da ressurreição! Amém!

 

9ª bASE DE FÉ DA ICB - Intercessão de Cristo

Pr. Carlos Iremar Santos Barros

Pastor da Igreja de Cristo – Rosa dos Ventos
Parnamirim-RN/ Membro da COPAD-ICB
(Comissão Permanente para Assuntos Doutrinários)





"Cremos na intercessão de jesus cristo: único mediador e salvador entre Deus e os homens. "

(I Timóteo 2:5, Mateus 18:18-20; João 14:6-13; Atos 04:11-12)


    A carta aos Hebreus no capítulo 4 e versículo 14 apresenta um texto que diz: “Visto que temos um grande Sumo Sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão.”. Todo o conteúdo da carta aos Hebreus está preso à importância do sumo sacerdote e ao seu papel na missão de interceder a Deus pelas vidas, bem como em sua função mediadora de todo o processo de sacrifícios para remissão dos pecados.
 
    É adequado, portanto, que comecemos com uma breve verificação a respeito da atitude dos Judeus em relação ao sumo sacerdote. Seu ofício na fé do povo hebreu apresentadas no Antigo Testamento está constituído nas próprias informações nele descritas. Somente um sumo sacerdote entrava no lugar santíssimo uma vez por ano para realizar o sacrifício que expiava “todos os pecados” do povo (Lv.16.34) “E isto vos será por estatuto perpétuo, para fazer expiação pelos filhos de Israel de todos os seus pecados, uma vez no ano. E fez Arão como o Senhor ordenara a Moisés”.
 
    Acreditava-se que quando um sumo sacerdote morria todos aqueles que tinham matado acidentalmente alguém e fugido a uma cidade de refúgio ficavam livres e podiam retornar às suas casas (Nm.35.25) “E a congregação livrará o homicida da mão do vingador do sangue, e a congregação o fará voltar à cidade do seu refúgio, onde se tinha acolhido; e ali ficará até à morte do sumo sacerdote, a quem ungiram com o santo óleo. Os escribas concordavam que sua culpa tinha sido tão completamente expiada pela morte do sumo sacerdote que eles poderiam voltar às suas ocupações antigas. 

   Outra indicação do sentimento intenso de Israel a respeito do sumo sacerdote está refletida na seguinte informação histórica: no Séc. I, o poder do cargo era percebido ao se entregar para um sumo sacerdote as oito partes dos trajes do sumo sacerdócio, que eram esplêndidas. Assim, como uma garantia contra rebeliões, Herodes o Grande, e mais tarde os romanos, conservavam esses trajes encerrados na fortaleza de Antônia, e somente os entregavam nos dias de festas. Durante décadas, os Judeus protestaram pela liberação dos trajes do sumo sacerdote, até que finalmente, em Junho de 45 D.C. o imperador Cláudio ordenou pessoalmente a entrega dos trajes. De uma maneira significativa, o sumo sacerdote resumia os temas centrais da religião do Antigo testamento. A lei podia condenar, mas também oferecia um modo de aproximação por meio de um sacrifício de expiação que só podia ser oferecido pelo Sumo Sacerdote. Assim, o Sumo Sacerdote era uma ponte entre o homem e Deus, e uma via pela qual a graça de Deus poderia fluir em direção a um povo que, por menos merecedor que fosse ainda era o objeto da afeição de Deus.


Jesus é o Sumo Sacerdote perfeito

 
   Não é de admirar, que o autor da carta aos Hebreus se esforce tanto para mostrar que da mesma maneira como o judaísmo tem seus sumos sacerdotes. Cristo, é o “Sumo Sacerdote” do cristianismo  “Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo (Hb 2.17)  E, ainda:

“Por isso, irmãos santos, participantes da vocação celestial, considerai a Jesus Cristo, apóstolo e sumo sacerdote da nossa confissão(Hb.3.1); “Visto que temos um grande Sumo Sacerdote” (Hb.4.14).


    Cristo é desse modo, um intercessor glorioso, único Mediador e Salvador entre Deus e os homens que traz uma salvação completa, permanente e que inspira respeito. Como disse, o profeta Zacarias profetizou que Jesus seria um sacerdote em seu próprio trono, isto é, Rei e sacerdote ao mesmo tempo:

“Ele mesmo edificará o templo do Senhor, e ele levará a glória; assentar-se-á no seu trono e dominará, e será sacerdote no seu trono, e conselho de paz haverá entre ambos os ofícios”. (Zc. 6.13)

 
   Jesus como Judeu era descendente de Davi da tribo de Judá. Entretanto Deus havia escolhido os descendentes de Levi para serem sacerdotes. Neste caso, Jesus existindo sob a Lei de Moisés, poderia ser rei porque era da tribo real (Judá) e principalmente da linhagem de Davi:

“Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então farei levantar depois de ti um dentre a tua descendência, o qual sairá das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino”. (2 Sm.7.12)


“Homens irmãos, seja-me lícito dizer-vos livremente acerca do patriarca Davi, que ele morreu e foi sepultado, e entre nós está até hoje a sua sepultura. Sendo, pois, ele profeta, e sabendo que Deus lhe havia prometido com juramento que do fruto de seus lombos, segundo a carne, levantaria o Cristo, para assentá-lo sobre o seu trono” (At 2.29-30).

 
   Contudo, Jesus não poderia ser um sacerdote segundo a Lei de Moisés porque não era da tribo de Levi, que havia sido separada por Deus para exercer o sacerdócio. Corroborando a essa afirmação, o escritor de Hebreus confirma que Jesus era sumo sacerdote segundo uma ordem distinta, não segundo Arão, ou da tribo de Levi, mas segundo a ordem de Melquisedeque:


“Como também diz, noutro lugar: Tu és sacerdote eternamente, Segundo a ordem de Melquisedeque” (Hb. 5.6). “Onde Jesus, nosso precursor, entrou por nós, feito eternamente sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque” (Hb.6.20).

 
    Reforçando-se no mesmo livro essa linhagem sacerdotal temos, ainda, sua melhor explicação:

 “De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico (porque sob ele o povo recebeu a lei), que necessidade havia logo de que outro sacerdote se levantasse, segundo a ordem de Melquisedeque, e não fosse chamado segundo a ordem de Arão? ... Porque aquele de quem estas coisas se dizem pertence a outra tribo, da qual ninguém serviu ao altar, Visto ser manifesto que nosso Senhor procedeu de Judá, e concernente a essa tribo nunca Moisés falou de sacerdócio”. (Hb. 7.11,13,14)

 
    Desse modo, o escritor da carta aos Hebreus destacou que Melquisedeque foi sacerdote e rei de Salém:  

“E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e era este sacerdote do Deus Altíssimo. E abençoou-o, e disse: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra; E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos. E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo” (Gn. 14.18-20)

 
“Porque este Melquisedeque, que era rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, e que saiu ao encontro de Abraão quando ele regressava da matança dos reis, e o abençoou” (Hb 7.1)

 
    E também registrou que as escrituras dão a Melquisedeque o aspecto de ser eterno, não sendo anotado seu nascimento, linhagem ou morte:

“Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre”. (Hb 7.3)

 
    Melquisedeque assim, assemelha-se a Jesus porque parece continuar para sempre sendo sacerdote, porque não há registro de sua morte. Assim, como Jesus sendo divino, vive e serve para sempre como sacerdote de nossas almas:

“E, na verdade, aqueles foram feitos sacerdotes em grande número, porque pela morte foram impedidos de permanecer,Mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo.Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles”. (Hb 7.23-25)


    Outra semelhança era que Melquisedeque contrariaria a Lei de Moisés sendo sacerdote e rei ao mesmo tempo, Jesus contrariou essa condição, sendo rei como sacerdote ao mesmo tempo, em cumprimento a profecia de Zacarias.
 
    Dessas primeiras considerações, prosseguimos à afirmação de que a obra sacerdotal de Jesus é apresentada no Dia da expiação. No Santo dos santos no tabernáculo ou na presença de Deus, com sangue para fazer expiação pelos pecados. Jesus entra no Santo dos santos com sangue (Hb 9.11-12), Mas que isso Jesus não ofereceu a Deus o sangue de animal morto, em vez disso ele ofereceu seu próprio sangue tornando-se tanto o sacerdote como próprio sacrifício (Hb 9.11-12, 28).
 
    Desse ato, seu sacrifício foi adequado e eficaz para o perdão dos pecados, podendo ser realizada uma única vez, em contraste com os sacrifícios dos sacerdotes do velho testamento, que eram oferecidos anualmente (Hb 9.12,24-28;10.10-14). 
Por tais razões, Jesus é apresentado em Hebreus como um sumo sacerdote superior aos sacerdotes levitas. Os sumos sacerdotes, mesmo oferecendo sangue pelos pecados do povo, eram também pecadores (Hb 5.1-3; 7.26-27). Antes que pudessem interceder pelo povo no dia da expiação, precisavam oferecer um novilho pelos próprios pecados. Jesus, no entanto, ainda que tentado, era sem pecado (Hebreus 2.18; 4.15; 7.26).
 
    Mais que isso, Cristo possui todas as características fundamentais ao ministério sacerdotal como sua constituição ter sido criada pelo próprio Deus (Hb 5.4); sua posição de mediador entre Deus e os homens (I Tm. 2.5); daquele que intercede, abençoa e oferece a Deus sacrifícios pelos pecados do povo (Lv.9:22. Gn.14:18-20; Sl.110; Zc.6:13. Rm.3:24,25; 5:6-8; 1Co.5:7; Ef.5:2; Hb.3:1; 4:14; 6:19,20; 7:1-28; 8:1-13; 9:11-15, 24-28; 10:11-14; I Jo.2:2; 4:10). E, todas essas características são norteadoras dos benefícios que recebemos através da obra redentora do sacrifício de Cristo Jesus.
 
    Esta obra se torna perfeita porque o sumo sacerdote de nossas vidas também é o objeto do sacrifício: “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo.1:29), em cumprimento a Êxodo cap. 12 e Isaías 53; Ele é o “Cordeiro sem defeito e sem mácula” (IPe.1:19); e “Cordeiro Pascal”, que foi imolado por nós (I Co.5:7).
 
 A     lém disso, sua oferta de sacrifício o faz nosso advogado, que intercede diretamente a Deus e contra o nosso adversário (o Diabo, nosso acusador) (Hb.7:25; 1Jo.2:1; Ap.12:10; Rm.8:24; Hb.7:25; 9:24. 4).
 
    A obra intercessora de Cristo ao povo está ligada ao seu sacrifício expiatório na cruz do calvário. Jesus não sofreu apenas dores numa cruz, ele foi uma oferta real de substituição e a sua intercessão é legítima e sacerdotal. Jesus Cristo entra no Santo dos Santos pelo próprio sacrifício. Sendo este completo, essencialmente puro, inocente, insubstituível, exclusivo e inalterável (Hb.9.24)


    Essa obra foi realizada com tal perfeição que nenhuma acusação legal pôde ser feita contra aqueles pelos quais Ele pagou o preço. Nosso Senhor e, Salvador Jesus Cristo nos justifica pela apresentação de seu próprio sangue e obra expiatórios, diante de Deus. O apóstolo Paulo, em (Rm.8:33,34), afirma: "Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu, ou antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e, também intercede por nós".
 
    Outro ponto relativo à obra intercessora de Cristo é que ela está relacionada com a nossa santificação completa, irrestrita. Quando nos dirigimos ao Pai, em nome de Cristo (Mt.18:18-20; Jo.14:13), as nossas orações defeituosas são afinadas Nele; os nossos pecados são perdoados por Ele; as nossas limitações humanas e materiais são plenamente suplantadas e superadas por sua divindade eterna.
 
    Em suma, só existe um único intercessor e mediador entre Deus e os homens pelo qual uma pessoa possa ser salva. E esse mediador se deu em preço de redenção por todos aqueles que cressem, assim como o amor e a misericórdia de Deus foi estendida a todo o mundo, a obra intercessora de Jesus Cristo também foi estendida a todos os homens. Ele pagou um preço suficiente para a salvação de toda a humanidade, o seu sacrifício fez com que todos estivessem debaixo de novos termos diante de Deus, não estando mais sob a lei como um pacto de obras, mas a realidade genuína de estar em Cristo como um estilo de vida e assim desfrutar da graça. Não debaixo da inocência, mas debaixo do novo pacto: “Ele se deu a si mesmo em preço de redenção”. Por isso cremos na intercessão de Jesus Cristo como único mediador e salvador entre Deus e os homens.

“Há um só mediador entre Deus e os homens,
Jesus Cristo, homem.” (I Tm 2.5)

Jesus e o seu ofício de profeta
 

    Um profeta era aquele que falava por Deus. Um porta-voz. Jesus atuava conforme o conceito de um profeta verdadeiro, desafiando as injustiças de estruturas de poder política e religiosa.  Assim como o ministério sacerdotal de Jesus era manifesto, percebemos também que o ofício de profeta era autêntico na sua vocação. Embora, as cartas de Paulo não citem Jesus como profeta e os evangelhos nem sempre o identificarem com esse oficio, vimos que em algumas ocasiões as pessoas o chamavam de profeta, por exemplo, quando em (João 4.9) em que Jesus fala a mulher samaritana um pouco da sua vida passada, ela imediatamente o chamou de profeta. Em (João 9.17) “Tornaram, pois, a dizer ao cego: Tu, que dizes daquele que te abriu os olhos? E ele respondeu: Que é profeta”. O cego de nasceu precisando dar uma resposta aos fariseus de quem o havia curado, ele responde dizendo ter sido um profeta. Havia uma expectativa nos judeus que viria um profeta predito por Moisés, tanto que na multiplicação dos pães e peixes em (João 6.14) alguns disseram: “Este é, verdadeiramente, o profeta, que devia vim ao mundo”. Isto se baseia que sendo Moisés um dos primeiros profetas da história, profetizou da parte de Deus sobre o profeta Jesus em (Dt. 18:18) “Eis lhes suscitarei um profeta do meio de seus irmãos, como tu, e porei as minhas palavras na sua boca, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar”.
 
    Mesmo Jesus se encaixando com a profecia de Moisés, é certo que o ministério profético de Jesus é muito maior do que de um profeta modelo do antigo testamento, ou ministério profético registrado no novo testamento como o de João Batista. Jesus não se configurava apenas num mero portador da manifestação de Deus, como todos os profetas da história, mas ele era o manancial da revelação de Deus, Jesus era aquele sobre quais os profetas falavam e escreviam. Enquanto os profetas normais diziam: “Assim diz o Senhor”, Jesus era o único profeta com a prerrogativa de dizer: “Eu, porém, vos digo”.

“Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho”. (Hebreus 1.1)

    É importante destacar que o papel irretocável do oficio de profeta é falar as pessoas sendo da parte de Deus, e nesse caso, ninguém representa melhor esse oficio de mensageiro de Deus do que o seu próprio filho. Que não apenas intercede a Deus pelas vidas humanas, mas, fala aos seus corações dos planos de Deus para a salvação de suas almas, através dele mesmo que é o verbo (palavra) eterno de Deus (João 1.1) “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”, Ele é a verdadeira luz que ilumina a todo homem, todas as coisas foram feitas por intermédio dele. Pela sua Palavra.
 
    No ofício de profeta Jesus é a pessoa exclusiva que pode mostrar o que Deus tem desenhado na história desde a fundação do mundo. Jesus Cristo é o profeta que necessitamos para nos ensinar os propósitos de Deus, com finalidade de abrir os nossos olhos da nossa falta de saber. Jesus é o nosso profeta principal, que nos revela plenamente os conselhos ocultos do Altíssimo sobre a nossa salvação.
 
 
Sollus Christus (Salvação somente por Cristo).
 
    A expressão latina “Sollus Christus” faz referência a “Salvação somente por Cristo”. Termo que faz parte de um dos cincos Solas proposto pelo protestantismo no período da reforma protestante, para resumir os pilares de fé do cristianismo. A salvação do homem somente através de Cristo é graciosa, porque reconhece o sacrifício de Jesus na cruz do calvário como o único meio de escape para a humanidade, possibilitando salvação a todos que creem na sua palavra. Como o único mediador entre Deus e os homens. A Graça e a fé são doutrinas centrais na teologia da reforma protestante, elas destacam que a salvação é Sollus Christus, “Somente por Cristo”. Isto é, Cristo é o único e suficiente salvador: como afirmam as Escrituras: “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” (Atos 4.12). Nesse sentido, B.B. Warfield escreveu: “O Poder salvador da fé reside, portanto, não em si mesma, mas repousa no Salvador Todo poderoso”.
 
    Não existem outros caminhos, Jesus se consolida como o único e possível caminho existente para trilhar e encontrar salvação. Manter Jesus Cristo no centro é o alicerce da reforma protestante, como disse Martinho Lutero de que Jesus Cristo “é o centro e a circunferência da bíblia”, O que Jesus é e o que ele fez em sua morte e ressurreição representa o conteúdo central das escrituras.
 
    Ulrich Zwingli afirmou: “Cristo é o cabeça de todos os crentes, os quais são o seu corpo, e sem ele o corpo está morto”. É indefensável, não reconhecer que Jesus é tudo em todos e sem ele nada podemos fazer, como afirmam as escrituras:

“Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (João 15.5).
 
“Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece”. (Filipenes 4.13)


    Em Romanos nos capítulos 1 e 2 a humanidade é apresentada como indesculpável, por isso, apóstolo Paulo afirma, não existir nenhum respaldo teológico natural que consiga unir Deus e os homens, exceto a auto-manifestação de Deus e sua obra salvadora em Cristo, isto é, a vida unida a Cristo é o exclusivo caminho da salvação.
 
    Os reformadores basearam suas leituras nas Escrituras Sagradas, sempre confirmando que salvação só seria possível através de Jesus e, até acharam útil pensar a respeito de Cristo como Profeta, Sacerdote e Rei, mais sempre na centralidade do vero ministério de Jesus Cristo como apto mediador entre Deus e os homens.
 
 
Credenciais de Jesus em seu nascimento virginal, e a promessa de que seria o Ungido de Deus.
 
    Jesus não se configura por acaso como o único intermediador entre Deus e o homem, porque o projeto de redenção criado por Deus desde a fundação do mundo estava sobre o filho. As Escrituras dizem em João 1.3: “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”. É plausível aceitar uma variedade de promessas que se cumpriram na vida de Jesus, tanto aquelas que apontavam as características do Messias esperado pelos Judeus quanto as promessas que pairavam sobre o grande mistério que envolvia o seu nascimento.
 
    O Evangelho de Mateus deixa muito claro aos seus leitores que Jesus era o Messias de Israel. Ele utiliza vários de­talhes nos primeiros dois capítulos que deixam isso muito evidente. A genealogia de Jesus do capítulo 1 de é um bom exemplo que retrata a his­tória dos antepassados humanos de Jesus desde Abraão, passando por Davi, cuja descen­dência foi prometida o trono eterno. Mateus faz menção a esses textos messiânicos reconhecidos para mostrar que os detalhes do nascimento de Jesus estão em perfeita conformidade com o Antigo Testamento.
 
    Alguns elementos na genealogia no evangelho de Mateus eram a cha­ve para evidenciar o direito de Jesus ao reino. O primeiro era o relaciona­mento que Jesus tinha com Abraão, “Livro da geração de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão” (Mateus 1.1). Ressaltando que a conscientiza­ção de Israel a respeito de seu destino nascia em Abraão. Deus chamou esse homem de Ur dos Caldeus e o enviou para a Palestina. Ali Deus fez a Abraão promessas especiais, in­cluindo a da posse definitiva da terra da Pa­lestina, a de que um grande povo nela viveria, a de um relacionamento especial entre Deus e os descendentes de Abraão e a do descen­dente (semente) por meio de quem todos os povos da terra seriam abençoados (Gn. 12; 15; 17). Essas promessas faziam parte de uma ali­ança (contrato ou juramento) e seriam cum­pridas por meio de um homem, que viria da linhagem de Abraão. A genealogia de Mateus prova que Jesus procedia dessa linhagem.

    O segundo elemento genealógico signifi­cativo é o relacionamento com Davi. Mais tarde, na história de Israel, Deus prometeu a Davi que o Messias viria de sua linhagem fa­miliar. O último rei nasceria da família de Davi, e seria o maior rei de Israel. Ao registrar a genealogia de Jesus desde Abraão e desde Davi, Mateus demonstra o direito de Jesus ao trono. A genealogia de Jesus não somente o estabelece como verdadeiro homem, mas tam­bém fundamenta sua reivindicação ao trono de Israel, na condição de semente prometida de Davi.

     No registro genealógico, o foco do evan­gelho de Mateus torna-se ainda mais claro. Somos convidados a olhar para dentro desse grande livro e ver Jesus como rei. Com o re­trato que Mateus faz de nosso Senhor, apren­demos o que está implícito na ideia de domínio e compreendemos o destino através de Jesus que Deus tinha para a humanidade.

    No texto de Lucas 1.26-56, o anjo Gabriel que já havia falado há alguns meses antes a Zacarias, foi agora enviado a pequena cidade chamada Nazaré e ali apareceu a uma jovem chamada Maria. Dessa forma, assim como Zacarias, Maria ficou surpresa e perturbada com a aparição do anjo, e com sua saudação. No entanto, após declarar a Maria do amor de Deus, o anjo anunciou que ela teria um filho, e que a criança seria chamada “filho do Altíssimo”. Ele viria da linhagem de Davi seria Rei de Israel, cumprindo a promessa da aliança do Antigo testamento. Nessa pessoa, o divino e o humano estariam perfeitamente integrados, e seriam cumpridas todas as promessas e propósitos de Deus para a humanidade.


    A pergunta emblemática de Maria se encontra no versículo 14 quando ela indaga o anjo dizendo: “Como acontecerá isso, se sou virgem?”. A resposta do anjo anunciava o cumprimento de outra promessa do Antigo Testamento descrita em Isaias 7.14: “A virgem ficará grávida e dará à luz a um filho, e o chamará de Emanoel”. Não haveria pai humano, o poder do Espírito Santo a cobriria e  sobrenaturalmente a semente geraria vida em um óvulo, e a criança seria o próprio filho de Deus, como se afirma em Lucas 1.35: “E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus”. Diante dessa explicação Maria se rende dizendo faz comigo conforme a tua Palavra. O segundo elemento genealógico signifi­cativo é o relacionamento com Davi. Mais tarde, na história de Israel, Deus prometeu a Davi que o Messias viria de sua linhagem fa­miliar. O último rei nasceria da família de Davi, e seria o maior rei de Israel. Ao registrar a genealogia de Jesus desde Abraão e desde Davi, Mateus demonstra o direito de Jesus ao trono. A genealogia de Jesus não somente o estabelece como verdadeiro homem, mas tam­bém fundamenta sua reivindicação ao trono de Israel, na condição de semente prometida de Davi.
 
    No registro genealógico, o foco do evan­gelho de Mateus torna-se ainda mais claro. Somos convidados a olhar para dentro desse grande livro e ver Jesus como rei. Com o re­trato que Mateus faz de nosso Senhor, apren­demos o que está implícito na ideia de domínio e compreendemos o destino através de Jesus que Deus tinha para a humanidade.
 
    No texto de Lucas 1.26-56, o anjo Gabriel que já havia falado há alguns meses antes a Zacarias, foi agora enviado a pequena cidade chamada Nazaré e ali apareceu a uma jovem chamada Maria. Dessa forma, assim como Zacarias, Maria ficou surpresa e perturbada com a aparição do anjo, e com sua saudação. No entanto, após declarar a Maria do amor de Deus, o anjo anunciou que ela teria um filho, e que a criança seria chamada “filho do Altíssimo”. Ele viria da linhagem de Davi seria Rei de Israel, cumprindo a promessa da aliança do Antigo testamento. Nessa pessoa, o divino e o humano estariam perfeitamente integrados, e seriam cumpridas todas as promessas e propósitos de Deus para a humanidade.
 
    A pergunta emblemática de Maria se encontra no versículo 14 quando ela indaga o anjo dizendo: “Como acontecerá isso, se sou virgem?”. A resposta do anjo anunciava o cumprimento de outra promessa do Antigo Testamento descrita em Isaias 7.14: “A virgem ficará grávida e dará à luz a um filho, e o chamará de Emanoel”. Não haveria pai humano, o poder do Espírito Santo a cobriria e  sobrenaturalmente a semente geraria vida em um óvulo, e a criança seria o próprio filho de Deus, como se afirma em Lucas 1.35: “E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus”. Diante dessa explicação Maria se rende dizendo faz comigo conforme a tua Palavra. 

Compreendendo Jesus na expiação e na vicariedade.
 
    Ao ponderarmos em algumas conclusões sobre a morte de Jesus, necessitamos de fazer distinções de certos conceitos. A morte de Jesus traz expiação de pecados para aqueles que aceitam a sua eficácia dentro da atitude de fé. O termo “expiação” refere-se ao cancelamento de pecados. A expressão “vicariedade” refere-se à morte de um em lugar de outro. Ambos as terminologias são muitas vezes usadas conjuntamente e ajustadas como um só termo (Expiação vicária). Porém são dois conceitos distintos que podem ser unidos em certas circunstâncias.
 
    Observando com cuidado o Antigo Testamento, percebemos que ele aborda na sua grande maioria das vezes, apenas os temas de expiação a exemplo da experiência do cordeiro que redime Isaque; o primogênito de Abraão, mas mesmo aqui porém na redenção do primogênito, temos o conceito de substituição, mas não vinculado ao conceito de expiação. Porém, em Isaias 53, de forma bastante exclusiva, encontramos uma alusão clara e expressa do tema da morte vicária a que o Messias seria submetido em resgate a humanidade.
 
    Sobre o tema sacrifical parece válido explicar que o sacrifício de expiação do Antigo Testamento tendia muito mais em aproximar o homem para com Deus ( YHWH). No entanto, no texto de Isaias 6.7 em que se afirma:“Porém um dos serafins voou para mim, trazendo na sua mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz”, se Desdobra o ensino de que Deus concede um momento direto com o homem sem se preocupar com a questão da culpa e do pecado, por isso quando o profeta Isaias levanta a demanda da sua culpabilidade, uma simples brasa pode expiar a sua impuridade. Aqui existe uma expiação desvinculada de sacrifício, porém num contexto de uma seção com Deus.
 
    A expiação do Antigo Testamento estava assim, direcionada à restauração da comunhão do ser humano com Deus. O Sangue do animal aspergido sobre o altar e a arca da aliança e sobre o aquele que estava ofertando representava uma aproximação, já que a vida do que era oferecido, com o sangue derramado voltava a Deus. Como o ofertante tinha que colocar as suas mãos sobre o animal antes da morte do mesmo, seria também levado perante Deus, restaurando a presença de Deus no templo e na sua vida caso Deus aceitasse a oferta. Assim como o sacrifício era visto como dependendo da aceitação de Deus, não seria propriamente a morte do animal, nem mesmo o sacrifício que efetuava a expiação, mas era o próprio Deus, mediante uma atitude de graça, que tornava o sacrifício apresentado como eficaz. Este entendimento enquadra o evento sacrifical a ser visto mais como um ato de obediência, submissão e reflexão do que um ato salvífico em si mesmo.
 
    Essa morte vicária de Cristo, por tanto, excede a morte dos profetas, e o sofrimento dos justo, que reiteradamente padeciam pela missão, como Jesus Cristo afirma em (Mateus 23.29-31) “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos justos, E dizeis: Se existíssemos no tempo de nossos pais, nunca nos associaríamos com eles para derramar o sangue dos profetas. Assim, vós mesmos testificais que sois filhos dos que mataram os profetas”.  A base da verdade na morte de Cristo, é a de que que Deus mesmo ofertou a sua própria vida a si mesmo como sacrifício pelo povo para a expiação e em resgate, com a finalidade de restaurar a humanidade à comunhão despedaçada por causa do pecado humano, motivado pelo amor de Deus pelo homem desgarrado.
 
    Desta ação única de Cristo advém seu comprometimento e sua autoridade para a intercessão! Jesus morreu, mas vive e intercede por nós eternamente. Jesus é vicário conforme Filipenses 2, no sentido de Deus criar carne e viver em nosso lugar. Disto testifica também João: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (João 1.14).
 
      Esta é uma demonstração clara de como deveria ser a nossa própria vida de servos humanos, sendo obedientes até a morte, e morte de cruz. Jesus é tão vicário na morte como na sua própria vida, da qual nos é dado participar, sendo Jesus também modelo para seguirmos, e assim Jesus vive vicariamente naquele que crê em Romanos 6.1-11 e Gálatas 2.20 “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim”.

  A morte de Jesus tem vários sentidos, o evangelho de Jesus já estava embutido no Antigo Testamento. Toda a promessa concernente ao projeto de salvação que inseria Jesus como personagem principal para a salvação da humanidade já continha desde o início dos tempos o conceito dessa expiação. Mas com a encarnação do verbo de Deus, com ministério e a morte de Jesus, essa boa nova o evangelho é revelada esclarecedoramente ao ser humano, este é constrangido a se posicionar por Cristo ou negá-lo.
 
  A morte de Jesus tem vários sentidos, o evangelho de Jesus já estava embutido no Antigo Testamento. Toda a promessa concernente ao projeto de salvação que inseria Jesus como personagem principal para a salvação da humanidade já continha desde o início dos tempos o conceito dessa expiação. Mas com a encarnação do verbo de Deus, com ministério e a morte de Jesus, essa boa nova o evangelho é revelada esclarecedoramente ao ser humano, este é constrangido a se posicionar por Cristo ou negá-lo.

 
    Dessa forma, depois do seu sofrimento, morte e ressurreição, o homem pode perceber com clareza: quão grande é amor de Deus e o grande perigo de uma vida de pecado. E, que o sacrifício de animais não era eficiente para expiação (perdoar) de pecado. E, assim, a revelação de que tudo depende de Jesus que é o ofertante e que é o próprio sacrifício serviu para ratificar que Jesus era tanto o Messias esperado como a própria encarnação de Deus que foi confirmado na ressurreição. Com tais conclusões, tornou-se necessário definir categoricamente a importância e a necessidade de um posicionamento definitivo em termos de aceitar ou rejeitar a oferta de Deus. 

      Todo aquele que recusa a Jesus Cristo desvaloriza tal demonstração do amor de Deus, se tornando com aqueles que o crucificaram. Para esses que o rejeitam, que outro sacrifício pode existir que valeria para corrigir a sua posição perante Deus?

    Jesus Cristo, logo é o “Messias não aguardado”. Há que se explicar tal afirmação: O povo esperava um messias, mas Jesus foi bem diferente do que se esperava. O evangelho já fora comunicado através do Antigo Testamento, mas não fora amplamente compreendido, nem a sua mensagem completamente desenvolvida. Agora com a vinda, morte e ressurreição de Jesus, a mensagem é mais clara e mais confrontativa. É necessário fazer uma escolha, e aceitar por completo a sua exigência de uma vida completamente entregue a Deus em Jesus, ou categoricamente desvincular-se de Deus. Não existe outro caminho, nem outra opção, o meio pelo qual o homem chegará a Deus é somente através do seu filho Jesus Cristo.

    A Igreja de Cristo no Brasil, na sua incansável busca de se desenvolver como instituição, sem abandonar a sua condição de ser um farol que ilumina as nações, não se aparta das principais colunas doutrinárias de fé, tornando-se uma instituição religiosa com atribuições prioritárias a serviço do evangelho do nosso Senhor e, Salvador Jesus Cristo. Uma premissa que marca a sua história como uma Igreja de vanguarda que firmemente se movimentou em direção as Sagradas Escrituras com apreço e tendo o conteúdo bíblico como regra de básica de fé. Isto a põe no perfil de Igreja genuinamente cristã, especialmente quando reconhece como ponto de fé e prática a exclusiva mediação, intercessão e salvação na pessoa de Cristo, o filho de Deus.Dessa forma, depois do seu sofrimento, morte e ressurreição, o homem pode perceber com clareza: quão grande é amor de Deus e o grande perigo de uma vida de pecado. E, que o sacrifício de animais não era eficiente para expiação (perdoar) de pecado. E, assim, a revelação de que tudo depende de Jesus que é o ofertante e que é o próprio sacrifício serviu para ratificar que Jesus era tanto o Messias esperado como a própria encarnação de Deus que foi confirmado na ressurreição. Com tais conclusões, tornou-se necessário definir categoricamente a importância e a necessidade de um posicionamento definitivo em termos de aceitar ou rejeitar a oferta de Deus. 

    Todo aquele que recusa a Jesus Cristo desvaloriza tal demonstração do amor de Deus, se tornando com aqueles que o crucificaram. Para esses que o rejeitam, que outro sacrifício pode existir que valeria para corrigir a sua posição perante Deus?
 
    Jesus Cristo, logo é o “Messias não aguardado”. Há que se explicar tal afirmação: O povo esperava um messias, mas Jesus foi bem diferente do que se esperava. O evangelho já fora comunicado através do Antigo Testamento, mas não fora amplamente compreendido, nem a sua mensagem completamente desenvolvida. Agora com a vinda, morte e ressurreição de Jesus, a mensagem é mais clara e mais confrontativa. É necessário fazer uma escolha, e aceitar por completo a sua exigência de uma vida completamente entregue a Deus em Jesus, ou categoricamente desvincular-se de Deus. Não existe outro caminho, nem outra opção, o meio pelo qual o homem chegará a Deus é somente através do seu filho Jesus Cristo.
 
    A Igreja de Cristo no Brasil, na sua incansável busca de se desenvolver como instituição, sem abandonar a sua condição de ser um farol que ilumina as nações, não se aparta das principais colunas doutrinárias de fé, tornando-se uma instituição religiosa com atribuições prioritárias a serviço do evangelho do nosso Senhor e, Salvador Jesus Cristo. Uma premissa que marca a sua história como uma Igreja de vanguarda que firmemente se movimentou em direção as Sagradas Escrituras com apreço e tendo o conteúdo bíblico como regra de básica de fé. Isto a põe no perfil de Igreja genuinamente cristã, especialmente quando reconhece como ponto de fé e prática a exclusiva mediação, intercessão e salvação na pessoa de Cristo, o filho de Deus.


7ª bASE DE FÉ DA ICB - Ressurreição de Cristo

Pastor Kleber Júnior de Souza
Pr. da Igreja de Cristo –Cidade Verde
Nova Parnamirim/ Tesoureiro-SENAMIC




CREMOS:

"Na ressurreição corporal do Senhor  Jesus Cristo e Sua gloriosa ascensão à direita de Deus Pai. "
(Jo 20:1-29; At 1:9-11; Rm 4:25)


    Ao falar da ressurreição do nosso Senhor Jesus, se faz necessário considerar nuanças que possibilitam a sua aceitação para só depois, mensurarmos as benesses redentoras oriundas de seu sacrifício, e a sua graciosa intercessão à direita de Deus Pai. Portanto, dissertaremos sobre o exercício da Fé, com o objetivo de condicionar uma melhor aceitação do fato da ressurreição, logo após procuraremos entender a questão corporal da mesma, com base nos textos sagrados das cartas de Paulo, em continuidade a esse tópico, relacionaremos algumas benesses dessa obra redentora. Em seguida, faremos uma abordagem sobre a gloriosa ascensão do Nosso Senhor Jesus Cristo, ao Santo dos Santos, além do véu, junto ao Pai Celestial, em que constataremos a eficácia do glorioso ministério de intercessão do Nosso Salvador à direita do Pai Eterno. 

Fé, meio de compreensão
 

    Ao ressuscitar, Jesus apareceu aos seus discípulos corporalmente, tendo sido visto por mais de quinhentas pessoas aproximadamente, e isso foi um fato registrado não somente nos Evangelhos, mas também em outros escritos da época. No entanto, para se ter uma aceitação da aparição corporal do Nosso Senhor, a fé é o meio pelo qual podemos entender, o sobrenatural de Deus também sob a óptica racional.
No sentido geral razão; é a faculdade de conhecimento intelectual próprio do ser humano, é um entendimento, em oposição à emoção. Logo a fé é racional, pois permite que tenhamos um entendimento em oposição à emoção.
 
    Podemos, segundo o conceito do escritor aos Hebreus, entender fé da seguinte maneira; “Fé é a certeza daquilo que se espera e a convicção de fatos que se não veem”, (Hb. 11;1), ou seja, na ordem natural de acontecimentos, esperar não significa a certeza concreta de um evento, porém, no pleno exercício da fé, esperar em Deus, é, saber que aquele que do nada trouxe à existência todas as coisas, é quem irá concretizar a promessa, porque quem prometeu é poderoso para fazer acontecer e realizar. 


   Ao ressuscitar, Jesus apareceu aos seus discípulos corporalmente, tendo sido visto por mais de quinhentas pessoas aproximadamente, e isso foi um fato registrado não somente nos Evangelhos, mas também em outros escritos da época. No entanto, para se ter uma aceitação da aparição corporal do Nosso Senhor, a fé é o meio pelo qual podemos entender, o sobrenatural de Deus também sob a óptica racional.

   No sentido geral razão; é a faculdade de conhecimento intelectual próprio do ser humano, é um entendimento, em oposição à emoção. Logo a fé é racional, pois permite que tenhamos um entendimento em oposição à emoção.

   Podemos, segundo o conceito do escritor aos Hebreus, entender fé da seguinte maneira; “Fé é a certeza daquilo que se espera e a convicção de fatos que se não veem”, (Hb. 11;1), ou seja, na ordem natural de acontecimentos, esperar não significa a certeza concreta de um evento, porém, no pleno exercício da fé, esperar em Deus, é, saber que aquele que do nada trouxe à existência todas as coisas, é quem irá concretizar a promessa, porque quem prometeu é poderoso para fazer acontecer e realizar


   Convicção, em muitos casos, parte da comprovação concreta de um fato. Mas, e quando esse não é visível? Ainda que pareça abstrato, a convicção vem do fato de que conhecemos o autor da promessa, e é por ele se fazer conhecido, que cremos na sua onipotência, onisciência, onipresença. São esses atributos e outros mais, que compõe o caráter do Criador e o que faz de feitos como o da ressurreição, tornarem-se compreensíveis e racionais. Isso se dá, por que conhecemos aquele que dos mortos fez reviver a Jesus, o Messias. Portanto, quando eu tenho fé devo tê-la de forma racional, com todo o entendimento, na perspectiva de que preciso mover-me na direção de Deus, para que, à medida que o conheço, vá me tornando íntimo, de forma que esta comunhão me habilita a ter acesso ao seu poder e promessas. E, assim, reconhecendo a ressurreição de Cristo como um fato verídico, alcançaremos a esperança de um dia também vencermos a morte e estar com Ele na eternidade, pois convictos desse acontecimento teremos plena certeza da vitória que nos foi dada.

Corpo Espiritual, uma realidade.
 
     Por esse mesmo raciocínio e cremos na imanência do inalcançável e transcendente, é plenamente aceitável a possibilidade de um corpo espiritual, comungar com o que é material e corruptível. Sobre isso Paulo escreveu aos Coríntios:

"Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E apareceu a Cefas, e depois aos doze. Depois foi visto mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria sobrevive até agora, porém alguns já dormem."

 (I Co 15:3-6)

     Essa é uma comprovação nas escrituras da morte e ressurreição do Senhor Jesus, pois ele habitou entre nós, em corpo material, e também em corpo espiritual.
 
     O apóstolo Paulo nos instrui, que assim como há corpo na matéria, existe também um corpo espiritual ou celeste, como está registrado nas escrituras: “Também há corpos celestes e corpos terrestres; e, sem dúvida, uma é a glória dos celestes, e outra, a dos terrestres.” (I Coríntios, 15:40).
 
     Logo então, podemos concluir que Cristo habitou entre nós, em corpo natural, antes da consumação de seu sacrifício na cruz do calvário, e, que após a ressurreição, a sua aparição se deu em um corpo espiritual, dessa maneira podemos afirmar que ele ressuscitou corporalmente. Desprezando a concepção empírica que espírito não tem corpo, e em seu lugar, admitindo as instruções do apostolo Paulo aos Coríntios, 15:44, “Semeia-se corpo natural, é ressuscitado corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual.” 
 
     Ora, nessa passagem bíblica em particular, podemos inferir que Deus, em Cristo, seguiu o curso natural dos acontecimentos, onde Ele (Cristo), se entregou a morte para remissão dos pecados de todos, e, em seguida, ressurgiu dos mortos condicionando assim, o ocorrido advento da ressurreição corporal.


Benesses da obra redentora

     Com o fato da ressurreição, fomos agraciados por Deus com algumas benesses em Cristo, o qual nos deu a redenção eterna e a confirmação de sua divindade. Mas antes vamos entender como Deus entrou na História da humanidade com o propósito de resgatar toda a criação, para isso pegaremos um gancho na teologia de Jurgen Moltmann, especificamente em sua obra “Teologia da Esperança”:
 
      ‘Deus entrou no tempo (...) A morte e ressurreição de Cristo são a garantia que Deus dá, de que haverá ressurreição futura, e por isso, o começo da ressurreição final. A ressurreição de Cristo é um fato histórico que atribui pleno significado ao nosso futuro.’
 
     Portanto, numa conjuntura prática, e absorvendo o mais consensual da teologia da esperança de Moltmann, cremos que a finalidade do sacrifício vicário do Nosso Senhor, tem cinco aspectos importantes para a nossa convicção de Fé, sendo:
 
      Sendo o primeiro deles que a ressurreição de Cristo o confirmou como o Senhor da vida. Ele é Aquele que tem a vida em Si mesmo, e pode concedê-la a quem quer.
 
      Em seguido, o fato de que a ressurreição de Cristo declarou a sua divindade, conforme Rm.1:4.
 
     O terceiro a verdade de que a salvação em sua inteireza, do princípio ao fim, depende da ressurreição de Cristo. A justificação é garantida nela (Rm.4:25).  Mas, agora, a vida depende da "vida que nos foi dada, através da ressurreição de Cristo". Podem os remidos, compartilhar de sua vida eterna (Rm.5:10; 1Co.15:12,17,20).
 
     Não menos importante, o quarto aspecto sobressai que fomos regenerados para uma viva esperança:  a conversão original, a regeneração, a transformação progressiva segundo a imagem de Cristo, haverão de ser compartilhadas por nós, mediante a graça de Deus em Cristo (Jo.5:25,26; 6:57; 2Co.4:14; 1Pe.1:3,4).
 
      E, por fim que com a ressurreição de Cristo, igualmente, o corpo dos remidos ressurretos não será composto dessa carne e sangue, visto que “a carne e sangue não podem herdar o reino de Deus” (ICo.15:50).  Antes, será semelhante ao corpo de Cristo (Fp.3:21; 1Jo.3:2).


Gloriosa ascensão
 
     As escrituras sagradas registram que após a ressurreição, Cristo passou várias instruções aos discípulos e, em seguida, foi assunto aos céus, e assentou-se à direita de Deus, conforme o evangelho de Marcos 16:19; ‘De fato, o Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à destra de Deus.’ Chamamos de gloriosa ascensão o fato de ele ter cumprido cabalmente, todos os requisitos para a redenção e remissão dos pecados da humanidade. E tendo cumprido essa tarefa gloriosa e honrada, adentrou ao Santo dos santos e sentou-se à direita de Deus Pai, onde intercede por nós pecadores, remidos pelo Seu sangue vertido na cruz do Calvário, condicionando a todos libertação da condenação dos pecados, visto que a Lei se evidenciou fraca pela carne, para corrigir e salvar o homem, conforme Paulo instruiu aos Romanos. 8:1-3.
 
     Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte. Porquanto o que era impossível à lei, visto que se achava fraca pela carne, Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança da carne do pecado, e por causa do pecado, na carne condenou o pecado. (Romanos. 8:1-3).
  
     Livres da condenação dos pecados, pelo seu sacrifício de expiação, onde ele mesmo nos substituiu, entregando-se à morte por todos, consumando a obra da Redenção e ascendeu aos Céus. Podemos agora, tentar entender a natureza da obra intercessória de Cristo, a começar pelo fato de ter ele entrado a presença do Pai, a qual chamamos de Santo dos santos, e nos concedeu acesso a esse lugar, pelo novo e vivo caminho a nós consagrado pela sua carne. Como registra o escritor aos Hebreus:

“Tendo pois, irmãos, intrepidez para entrar no santo dos santos, pelo, novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne”  (Hebreus 10:19-20).

 
      Com esse acesso, temos agora a oportunidade de nos relacionarmos diretamente com o Pai Eterno, mediante à intercessão do grande sacerdote na casa de Deus, o Senhor Jesus Cristo e, nessa perspectiva, de uma relação genuína com o nosso Pai Celeste. Por isso, devemos nos aproximar com sincero coração, em atitude de fé e de consciência liberta do mal, conforme o escritor aos Hebreus:

   “Aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência, e lavado o corpo com água pura” (Hebreus10:22).

 
     Por essa aproximação podemos confessar-lhe  nossas transgressões e desfrutarmos desse recurso divino que é a intercessão do Nosso Senhor, o Sacerdote eterno, pois como já foi mencionado ele está à direita do Pai, e intercede por cada um de nós, como um advogado junto ao juiz, conforme exorta o apostolo João em sua primeira epístola universal,

 "Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo" ( I João, 2:1)

 
      A gloriosa intercessão do Nosso Senhor, se faz evidente, quando, arrependidos, confessamos os nossos pecados e Deus na sua infinita graça nos perdoa todas as iniquidades, por meio dele, Cristo que é a propiciação pelos nossos pecados e não somente os nossos, mas os do mundo todo.
 
     Finalmente, é consistente afirmar que em Jesus Cristo, vemos verdadeiramente a revelação dos propósitos de Deus, para os santos e redimidos pelo o seu sangue vertido na cruz, na qual, ele tomou sobre si mesmo a natureza humana, a fim de elevar-nos de nossa triste condição humana à condição de Filhos de Deus por meio de seu sacrifício.
 
     Dessa maneira, sua vida tornou-se padrão para moldar nossas vidas, nessa carreira proposta a cada um de nós, não só moralmente, mas, também, na dimensão espiritual, porquanto não só procuramos imitar sua vida, mas, também, seremos um dia transformados segundo a Sua própria imagem, onde seremos transformados em essência iguais ao Cristo ressurreto.  Essa é a viva esperança que temos como âncora de nossas almas, revelada nas promessas do Evangelho. (Ef.1:23; I Co 15:49; I Jo 3:3, Hb.6:19).
 
     Desse modo, a Igreja de Cristo ao determinar como ponto inegociável de fé a crença na ressurreição corporal do Senhor Jesus Cristo e Sua gloriosa ascensão à direita de Deus Pai, assume uma postura doutrinária quanto a essa matéria em concordância com a teologia protestante tradicional, ensinada pelos apóstolos, reafirmada pelos reformadores e defendida pelos pioneiros da nossa Igreja, que embora, cuidando-se de homens simples, demonstraram um respeito e, um conhecimento profundo e depurado da doutrina bíblica, principalmente do novo testamento sobre a encarnação de Cristo, vero homem, vero Deus e, em sua ressurreição física incontestável, e na glorificação desse corpo que ascendeu a direita do Pai, e na pré-existência e eternidade de Cristo como intercessor perpetuo da eloquência de seu sacrífico como argumento eterno de redenção e perdão para toda a sua Igreja.
 
     Nesse assunto, não cedemos ao debate, pois aliadas a nós, estão todas as mais sérias correntes de teologia protestante dos últimos cinco séculos, as mais confiáveis tradições de igrejas evangélicas, o que reafirma a confiabilidade de nossa reputação de uma Igreja cuja doutrina fundamenta-se firmemente nas Sagradas Escrituras.

REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS
  
Moltmann, Jurgen - em sua obra “Teologia da Esperança”. Disponível em
<https://teologiacontemporanea.wordpress.com/> Acesso em 06 de outubro de 2017
Medeiros, Otoniel - em Histórias da Igreja de Cristo - Ensino Cristão Básico, Disponível em
<http://www.otonielmedeiros.com.br/> Acesso em 10 de outubro de 2017
Definições retirado do site de pesquisa. “Significados”. Disponível em <http://www.significados.com.br/perdao/> Acesso em 08 de nov. De 2017.
BÍBLIA do obreiro. Traduzida em Português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. 2ed. Barueri – SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2007. 1760p.
BIBLIA Thompson. Copyright© 1983 por The B.B. Kirk bride Bible Company, Inc. Edição em língua portuguesa: Copyright© 1992 por The B.B. Kirk bride Bible Company, Inc. E Editora Vida, Deerfield, Florida 33442-8134 – E.U.A


6ª bASE DE FÉ DA ICB - Redenção da culpa

Pastor João de Souza
Pr. da Igreja de Cristo – Parque Araxá
Membro do Conselho de Ética Nacional



CREMOS:

"Cremos na redenção da culpa, da pena, do domínio e da presença do pecado somente por meio da morte expiatória do Senhor Jesus Cristo e no sangue do unigênito Filho encarnado de Deus, nosso representante e substituto.”



    O quarto ponto de Fé da Igreja de Cristo no Brasil, está baseado primeiramente a partir do texto da Carta de Paulo aos Romanos capítulo três e parte dos capítulos cinco e seis temos uma definição completa de como fomos redimidos por meio da morte e do sangue do Senhor Jesus Cristo. 

   Para o apóstolo Paulo a culpa do pecado atribuída ao primeiro homem, se estendeu a toda humanidade e, nos trouxe de Adão até Jesus Cristo, tendo Adão pecado mesmo sendo puro repassou a seus descendentes toda a culpa do seu pecado, essa culpa foi repassada a toda a humanidade. Já nascemos nesse estado de morte, por causa do nosso progenitor Adão.
 
   Na verdade, não devemos confundir aqui, o “termo culpa”, com o sentimento de “culpa”! A culpa nesse sentido, é o fato de nos tornamos culpados por transferência pelo pecado cometido por Adão e, por consequência a pena, que adveio com ele: a morte física, a morte espiritual e morte eterna. 
 
   Desse modo, a pena (ou o castigo pelo pecado) que todo pecador merecia (como a própria lei estabelecia o julgamento para cada pecado em particular), Jesus recebeu sobre si mesmo e, todo o castigo que a nós era devido, porque fomos nós que pecamos e ele era justo e bom.
Nesse sentido, ecoamos o som das Escrituras: “Ele sendo rico se fez pobre para que nós fossemos enriquecidos” então recebeu em seu corpo na cruz toda a dureza e todo a castigo que o mundo inteiro merecia, abrindo através deste sofrimento, a graça de Jesus para que todo o castigo que era para nós fosse repassado pra ele pois pelas suas pisaduras fossemos sarados. Isaias 53:10.
 
   A redenção desse modo, ocorrida em Cristo, abrange mais que o simples livramento da condenação da culpa pelo pecado, mas se refere também ao livramento do domínio e da constante presença do pecado na vida do nascido de novo. Quando falamos do domínio é que por que de fato o novo nascimento, a conversão genuína nos liberta inteiramente da escravidão do pecado a que estava sujeita a nossa carne.
O domínio, ou poder do pecado, que nós carregamos em nossos corpos, Jesus Cristo, no derramamento do seu sangue nos comprou para Deus tirando o poder da destruição do pecado e do império das trevas, como diz Efésios 2.8-9 e Colossenses 1:12. Deus nos ajudou através de Cristo para que nós obtivéssemos o seu perdão, mediante a sua graça revelada e expressada em Jesus Cristo nosso Senhor, assim como afirma João, no seu evangelho, capitulo 3.16-17.

   Sobre a obra vicária de Cristo afirme-se: ninguém, nem os sacrifícios mosaicos puderam livrar a humanidade desta culpa porque Deus exigiu um sacrifico santo e perfeito, capaz de conceder a toda humanidade a segurança de que seríamos totalmente perdoados e justificados. Sendo Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, na sua morte substitutiva assumiu nossas culpas e nossas transgressões e toda a culpa do nosso pecado como diz o profeta Isaias:
 
“ele levou sobre si as nossas iniquidades e foi traspassado e moído pelos nossos pecados, o castigo que nos traz a paz estava sobre ele e pelas suas pisaduras fomos sarados”. (53:5-6)
 
   A mais pura doutrina bíblica revela exatamente que somos livres da culpa do pecado, pelo sacrifício de Cristo, o apóstolo Paulo afirma em Romanos 5.1 que “Justificados, pois, pela fé temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo”, e aqui, a ênfase de Paulo é que somente Cristo pode nos incluir na família de Deus pelo ministério da reconciliação. Reconciliando o mundo com Deus através da sua morte substitutiva.
 
   Quanto à expressão “presença do pecado”, faz necessárias algumas considerações bastante pertinentes: O apóstolo Paulo em Romanos 7 ao usar a frase “miserável homem que sou”, está de algum modo, afirmando que a carne é tão dominada pelo pecado e a única coisa que pode destruir a presença do pecado do homem é a destruição do corpo – a tendência pecaminosa.
 
   Então essa presença do pecado estará sempre atuante na vida de todos nós e somente na época do arrebatamento e redenção final da igreja quando este corpo do pecado for desfeito e estaremos recebendo um novo corpo, um corpo glorioso é que seremos livres dessa presença, para vivermos na santidade da presença de Deus, por toda a eternidade. I João 3:2

"Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado. Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?" 

Romanos 7:14-24

   Dessa maneira, como afirmado por Paulo, vivemos na tentativa de escapar do poder do pecado e lutando contra a presença do pecado, devemos buscar a santificação como diz o Senhor Jesus Cristo em Mateus 26.41 “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca”. Sabendo que somos, carne de pecado e para não sermos alcançados pelo pecado precisamos orar e vigiar muito. O poder do pecado é uma ação maligna predominante do mundo e satanás procura de todas as maneiras nos atrair de volta a ele, para que sirvamos mais ao pecado com a carne e do que com o corpo sirvamos a Deus. 


   O mesmo apóstolo, nos adverte sobre uma interminável luta até redenção final, narrada por ele em gálatas 5:16, quando afirma que devemos andar no Espirito e nos sujeitar a Deus, assim a carne não terá domínio sobre nós, quando a gente se sujeita a Deus e se submete ao poder do Espirito Santo toda a carne com o nosso espirito travarão uma grande batalha interna, mas sempre o espirito vencerá sobre a carne, porque o espírito foi redimido pelo poder do sangue de nosso Senhor Jesus Cristo e o Espirito Santo está a nos ajudar.
 
   A partir dessas considerações, atrevo-me a afirmar que a expressão “presença do pecado” inserida na confissão de fé da Igreja no seu quarto ponto, pode com razão, causar certa dúvida e ambiguidade, por que para alguns poderia significar que não mais pecaríamos depois da conversão e que por conta disso, esse termo “presença do pecado” poderia em uma eventual revisão da confissão de fé, ser omitido sem perda teológica substancial, e, assim eliminar qualquer má interpretação de nossa doutrina.
 
   Pessoalmente, acredito que a intenção de incluir o termo “presença do pecado”, poderia em tese, ser entendido em dois sentidos. O primeiro, subentendido do que afirma João, de que não vivemos na prática do pecado, e por isso, mesmo ainda sendo pecadores, essa presença não faria parte da vida cotidiana da Igreja. E, o segundo, em sentido mais escatológico, de que o ato pretérito de Cristo se projetará na redenção final da Igreja quando então toda a presença do pecado, será cabalmente afastada, sendo esse momento o desdobramento da mesma morte vicária de Cristo (talvez essa fosse a real intenção da inclusão da expressão).
 
   Particularmente, o mais prudente, em uma eventual revisão da confissão de fé da Igreja é que o termo “presença do pecado”, possa ser omitido ou melhor esclarecido o que poderia ocorrer com a mera substituição do termo “presença do pecado” por “prática do pecado” ou pela “presença futura do pecado. Uma vez, que a luta contra a carne e sangue e, da velha e nova natureza, na prática do bem contra o mal é uma das muitas das árduas experiências do homem convertido.
 
   Saneado o esclarecimento deste ponto em particular, não sobre mais dúvidas de que a Igreja de Cristo definiu muito bem em mostrar que a culpa, o castigo, o domínio e “a presença do pecado” (futura), só nos é dada a libertação total de todos esses males mediante a morte substitutiva de Jesus e também dele ter pago a culpa que era sobre nós assumindo os nossos pecados na cruz como diz Paulo aos Romanos 5:25: “Ele morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para a nossa justificação”. Aleluia.

  Dessa maneira, a Igreja de Cristo ao determinar como ponto inegociável de fé a crença na redenção da culpa, da pena, do domínio e “da presença” do pecado somente por meio da morte expiatória do Senhor Jesus Cristo e no sangue do unigênito Filho encarnado de Deus, nosso representante e substituto”, assume uma postura doutrinária quanto a essa matéria em concordância com a teologia protestante tradicional, ensinada pelos apóstolos, reafirmada pelos reformadores e defendida pelos pioneiros da nossa Igreja, que embora, cuidando-se de homens simples, demonstraram um respeito e, um conhecimento profundo e depurado da doutrina bíblica, principalmente do novo testamento sobre o pecado original, a universalidade do mal humano e, da maldição da ira de Deus, redimida na exclusividade do sacrifício meritório de Cristo.

   Nesse assunto, não cedemos ao debate, pois aliadas a nós, estão todas as mais sérias correntes de teologia protestante dos últimos cinco séculos, as mais confiáveis tradições de igrejas evangélicas, o que reafirma a confiabilidade de nossa reputação de uma Igreja cuja doutrina fundamenta-se firmemente nas Sagradas Escrituras.


5ª bASE DE FÉ DA ICB - Universalidade do pecado

Pastor Vitor Paulo
Pres. da Região Oeste Central RN PB


CREMOS:

"Na pecaminosidade universal e culpabilidade de todos os homens, desde a queda de Adão, início da ira de Deus, e na condenação de todos os homens."



  A discussão do problema da maldade humana é universal e sempre foi considerada um dos mais profundos dilemas a serem resolvidos quanto à sua origem e natureza. O ensino das Escrituras a respeito do assunto o conecta ao pecado primitivo perpetrado contra Deus e o estabelece como uma realidade universal. Não circunscrevendo a alguns ou a maioria dos homens, mas a todos sem exceção; relacionando a sua origem, por conseguinte, a Adão.

  No Antigo Testamento, ainda que, as afirmações mais precisas sobre essa concepção ocorram um pouco mais tarde, essa idéia é afirmada notoriamente ao longo da história. As declarações mais frequentes sobre o pecado;em princípio, não o aplica, de modo explícito, a todos os homens em todos os tempos; mas àqueles homens descritos naquele contexto temporal, por exemplo; quando é descrita a situação pecaminosa da época de Noé é dito “Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente” (Gn 6:5). Deus exerceu um juízo universal, condenando toda a humanidade daquele tempo salvando apenas Noé e sua família.

 Mesmo depois do dilúvio, após o extermínio dos perversos da terra, Deus ainda descreve a condição humana da forma seguinte “... a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice...” (Gn 8:21). Entretanto, essa afirmação assim como a anteriormente citada, ainda que destaquem a maldade presente em toda espécie humana desde a sua mais tenra idade, deixam certos vácuos teológicos que não permitem uma afirmação tão contundente sobre a união mística da queda humana em Adão exclusivamente com essas passagens.

  A maior parte das afirmações no Antigo Testamento consente este tipo de imprecisão, porém, algumas declarações são mais categóricas em sua afirmação da pecaminosidade universal, a exemplo, quando se diz “... pois não há homem que não peque...”. (1Rs 8:46; cf. Rm 3:23). Outros escritores atestam a implacabilidade do pecado na condição humana em afirmações semelhantes quando afirma: “Pois não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque.” (Ec 7:20; cf. Sl 130:3, 143:2). O profeta Isaías em sua linguagem metafórica do cordeiro que sofreria o castigo para reparar o pecado humano declara a pecaminosidade universal humana nos seguintes termos “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós” (Is 53:6).

  Portanto ainda que, em princípio, os escritores bíblicos não deixem tão claro a universalidade do pecado, nem a negue em seus textos, a afirmação dessa concepção de maneira mais consciente e clara, como pudemos observar, é reconhecida à medida que se avança na teologia do Antigo Testamento. No Novo Testamento é bem mais explícito, amplo e preciso esse conceito, não só em sua afirmação universal, mas de sua origem adâmica. O apóstolo Paulo é bem enfático com seus textos em Romanos nessa doutrina. Assevera a universalidade do pecado em Romanos 3 - desenvolvendo os Salmos 14 e 53, bem como 5:9; 140:3; 10:7; 36:1 e Isaías 59:7,8 – Ele declara que “Não há um justo, nenhum se quer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nenhum se quer” (Rm.3:10-12). E reitera a sua origem adâmica (v 18) “consequentemente, assim como uma só transgressão resultou na condenação de todos os homens, assim também um só ato de justiça resultou na justificação que traz vida a todos os homens” (Rm 5:18). O contexto imediato demonstra, evidentemente, que se fala do pecado adâmico (v.14)

 Toda humanidade, portanto, está solidária na queda, na culpabilidade do pecado e na sua condenação em Adão e essa é uma condição que se tornou ontológica, inerente ao ser humano em sua condição decaída e não apenas sociológica, como mero produto do meio. Paulo escrevendo aos efésios disse que “todos nós... éramos por natureza filhos da ira” (Ef 2:3). A expressão “natureza” destaca a condição inata, original partilhada por toda humanidade. Portanto, é algo presente na vida de todo e qualquer indivíduo desde seu nascimento; não é resultado de uma mera imitação “Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe” (Sl 51:5). A condição humana sofre os efeitos perceptíveis e naturais da inserção do pecado em sua natureza legada por Adão por ser tanto o progenitor da raça humana como seu representante. Nesse sentido então, se pode dizer que, o ser humano já carrega a ausência da justiça original e a presença do mal positivo. “Quem pode extrair algo puro da impureza? Ninguém!” (Jó 14:5). Essa corrupção em círculos reformados assume o nome de depravação total (inaptidão completa impeditiva da aproximação voluntária do homem a Deus), embora a decantação evangélica posterior do mesmo termo, admita também a possibilidade da depravação parcial (inaptidão parcial de aproximação voluntária do homem a Deus), mas em ambos os conceitos teológico-protestantes,está tem sido adesignação para apontar a amplitude desta afetação nas faculdades e poderes do corpo e da alma humana.

   Quando falamos da solidariedade da culpa humana no pecado original se faz necessário considerar a natureza desta declaração. A palavra “culpa” aponta para a conexãodo pecado como exercício da justiça, isto é, da penalidade imposta pela lei. Podemos falar da culpa basicamente em duas dimensões de sentido, a saber, como reatus culpae (réu convicto) e como reatus poenae (réu passível de condenação). 

   A primeira dimensão de culpa diz respeito a que decorre da prática pessoal das ações pecaminosas, nesse sentido nem a culpa de Adão nem os méritos de Cristo podem ser transferidos ou imputados,e prende-se aos próprios autores. A segunda dimensão de culpa, é um estado em que a pessoa está sujeita ao juízo por obrigação de satisfazer à justiça de Deus por causa da violação da lei humana em relação a Deus. Nesse sentido, todos são parte de uma mesma condição. 

   Adão é posto como chefe federal da raça humana, e como tal, o seu pecado é imputado aos seus descendentes“... mesmo sobre aqueles que não cometeram pecado semelhante à transgressão de Adão, o qual era um tipo daquele que haveria de vir” (Rm 5:14). Isso é evidenciado pelo fato de que, a Escritura ensina que a morte, que é punição do pecado, foi legada aos descendentes de Adão: “Portanto, da mesma forma como o pecado entrou no mundo por um homem, e pelo pecado a morte, assim também a morte veio a todos os homens, porque todos pecaram” (v 12)(Rm 5.12-19 cf. Ef 2.3; 1 Co 15.22).

   Assim como Adão encabeça uma humanidade coletiva trazendo os efeitos que disso decorre, Jesus também. Paulo afirma que, do mesmo modo, todos ressuscitam em Cristo, o “novo Adão”; Isto é, a nova humanidade: “Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dentre aqueles que dormiram (v 20). Visto que a morte veio por meio de um só homem, também a ressurreição dos mortos veio por meio de um só homem (v 21). Pois da mesma forma como em Adão todos morrem, em Cristo todos serão vivificados (v 22). Assim está escrito: “O primeiro homem, Adão, tornou-se um ser vivente” (v 45); o último Adão, espírito vivificante.”. (1 Cor 15:20-22,45cf.Rm 5, 17-19).

  A união mística em Adão perpetua a condição de condenação da velha humanidade que caiu e a união mística com Cristo insere o indivíduo na nova humanidade estabelecida por Jesus “Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas!” (2 Co 5:17). Essa nova criação e essas novas obras são constituídas àqueles que estão unidos a Cristo: “Mas aquele que se une ao Senhor é um espírito com ele” (1 Co 6:17).Por isso, conforme o ensino de Paulo, nem a condenação, nem a graça estão relacionados aos méritos individuais, mas a união com os chefes federais da raça humana (Adão para o pecado e condenação à morte como castigo por sua desobediência, e Cristo, para a salvação e redenção em sua morte para a vida eterna).  

  A proposição da universalidade do pecado também é prevista por Jesus nos Evangelhos Sinóticos. A afirmação emblemática “... Se vós não crerdes que Eu Sou, certamente morrereis em vossos pecados” (Jo 8:24) sublinha o argumento da condição de perdição universal inerente a todos o homens e, por conseguinte, a necessidade imprescindível da fé em Jesus como o Messias esperado para a libertação da condenação imposta pelo pecado mediante o cabeça da antiga ordem da humanidade“(v.18) Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus.(v. 36) Quem crê no Filho tem a vida eterna; já quem rejeita o Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele" (Jo 3:18,36). Esta pressuposição básica é tratada por Jesus nos Evangelhos com frequência. 

  A condenação humana é algo natural tendo em vista a gravidade da situação, pois, não é apenas uma transgressão da lei moral de Deus, mas uma rebelião contra sua justiça, santidade e majestade divina e também um movimento auto-destrutivo, “pois Nele vivemos nos movemos e existimos...” (At 17:28). O perdão, portanto, não é algo simples para Deus, pois, inevitavelmente esse agravo precisa ser reparado e punido. Deus é apresentado como o reto Juiz “Eis a Rocha! Suas obras são perfeitas, porque todos os seus caminhos são juízo;
Deus é fidelidade, e não há nele injustiça; é justo e reto” (Dt 32.4). Nenhuma injustiça contra Ele pode ser admitida nem deixada de lado, precisa imediatamente ser reparada, por isso, se fez necessário a providência de suspensão provisória do juízo final, por conseguinte, o efeito do sangue de Jesus precisava ser atuante “antes da fundação do mundo” (1Pe 1:19-20) para que a criação e a própria redenção efetiva fosse possível e a reparação da justiça e honra de Deus fosse satisfeita na história.

 Desde o pecado de Adão o homem está debaixo de uma sentença condenatória de morte iminente,“mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá” (Gn 2:17). A morte é um conceito amplo em suas dimensõese se extende sobre toda constituição humana; ela é: Espiritual; que é a perda da comunhão do homem com Deus decorrente do pecado. De imediato, quando Adão pecou perdeu a comunhão com Deus. E, por causa dissoexperiências estranhas passaram a fazer parte da realidade humana: ele, como todos nós, passa a esconder-se de Deus, a fugir Dele, ou seja, a relação de comunhão quebrada tornou Deus, para o homem, uma ameaça, nos tornou inimigos de sua ira. Deus é a fonte da vida, romper com ele acarretará, consequentemente, ao falecimento dela. Por isso, a Bíblia vai associar o pecado a morte. “Porque o salário do pecado é a morte...” (Rm 6:23, cf. Col 2:13, Ef 2:1).A perda da comunhão com Deus é um divórcio com a vida em todas as suas dimensões. Os demais níveis de morte são apenas consequências naturais desse primeiro nível. 

 O segundo nível da morte é o físico que é a separação do corpo da parte imaterial, ou seja, espírito. Essa dimensão física é percebida e identificada de imediato, quando aquilo que anima o corpo é retirado fazendo-o entrar em colapso e seguindo ao estado de decomposição. No livro de Eclesiastes esse nível de morte é apresentado da seguinte maneira “o pó volte à terra, de onde veio, e o espírito volte a Deus, que o deu.” (Ec 12:7). O autor do Gênesis coloca essa experiência como maldição decorrente do pecado.“... até que tornes à terra, porque dela foste tomado; porquanto és pó, e ao pó tornarás.” (Gn 3:19) 

 O terceiro nível de morte denomina-se “Eterna”, que é o estado consumado e irreversível de separação entre o homem e Deus. Quando o homem não recebe a vida de Deus ele perpetua o seu estado de morte pela eternidade. A morte neste nível será a experiência mais terrível que o ser humano pode provar. Esse terceiro nível da morte é também chamado de segunda morte “Então a morte e o Hades foram lançados no lago de fogo. O lago de fogo é a segunda morte. Aqueles cujos nomes não foram encontrados no livro da vidaforam lançados no lago de fogo” (Ap 20:14-15). 

  Tendo em vista a culpa e a corrupção original, que os primeiros pais (Adão e Eva) nos legaram, que se tem acertadamente denominado de Depravação Total; em nós todos foram deflagrados esse processo de morte, e esse fluxo progressivo de condenação, apenas pela via, imprescindível, do novo nascimento é interrompido (Jo 3: 3,5). Pois o pecado encerrou a todos debaixo da condenação “... estando vós mortos nos... delitos e pecados” (Ef 2:1). Pecado esse que nasce de uma origem comum que deflagrou uma condição essencial a todos “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação...” (Rm 5:19).

  Por implicação dessa união mística na queda, todos em todo lugar e em todos os tempos, portanto, estão debaixo dessa sentença e são conclamados ao arrependimento “Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam” (At 17:30). A possibilidade do arrependimento humano é fruto da providência da graça de Deus anterior a criação, isto é ponto pacífico, assim como, a constatação de que o homem entregue a si mesmo sem uma atuação miraculosa preventiva não seria possível arrepender-se, contudo, pela atuação do Espírito de Deus convencendo “...o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16:8) essa experiência é viabilizada. Graças à Deus, que nos oportunizou em Cristo, quebrar esse ciclo de morte, maldição e condenação inerente universalmente a todos os homens. 

  Dessa maneira, a Igreja de Cristo ao determinar como ponto inegociável de fé a crença na pecaminosidade universal e culpabilidade de todos os homens, desde a queda de Adão, início da ira de Deus, e na condenação de todos os homens, assume uma postura doutrinária quanto a essa matéria em concordância com a teologia protestante tradicional, ensinada pelos apóstolos, reafirmada pelos reformadores e defendida pelos pioneiros da nossa Igreja, que embora, cuidando-se de homens simples, demonstraram um respeito e, um conhecimento profundo e depurado da doutrina bíblica, principalmente do novo testamento sobre o pecado original, a universalidade do mal humano e, da maldição da ira de Deus, redimida na exclusividade do sacrifício meritório de Cristo. 

 Nesse assunto, não cedemos ao debate, pois aliadas a nós, estão todas as mais sérias correntes de teologia protestante dos últimos cinco séculos, as mais confiáveis tradições de igrejas evangélicas, o que reafirma a confiabilidade de nossa reputação de uma Igreja cuja doutrina fundamenta-se firmemente nas Sagradas Escrituras.











10ª bASE DE FÉ DA ICB - o governo teocrático-congregacional

Pastor Márcio de Moraes

Pastor da Igreja de Cristo
em São Luís-MA, presidente da COPAD



CREMOS:

"No governo Teocrático-Congregacional, o governo que emana de Deus, sendo Cristo o cabeça soberano da Sua Igreja que é o Seu Corpo, e de todo principado e potestade, porque é tudo em todos, para que em tudo tenha a preeminência." Cl 1:16-20; Ef 2:20-22;  Ef 4:11-16; 5:23-24; I Co 3: 11; 12:12-31; I Pe 2:6

  GOVERNO TEOCRÁTICO-CONGREGACIONAL E

 FEDERALISMO ECLESIÁSTICO

  
Texto Áureo: “Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também. Rm 12.12”
 
Uma palavra Inicial
 
                   A IGREJA DE CRISTO NO BRASIL adotou em sua base de fé, uma forma de governo eclesiástico que denominou de: “governo teocrático-congregacional”, a expressão única, não tem par em nenhum outro modelo de administração de igreja conhecido no Brasil e, nem mesmo fora dele.
 
E como veremos posteriormente, a dissecação linguística da expressão “teocrático-congregacional” dá boas dicas do ambiente espiritual vivido pelos pioneiros, do sentimento de estarem sob algum tipo especial de  direção divina, impulsionados na firme defesa de sua convicção doutrinária; mas de certo modo, traduz também uma mentalidade libertária de não adotar qualquer modelo oligárquico das experiências denominacionais de sua raiz e, nem ao menos de rascunhar em sua organização, traços de governos eclesiásticos mais tradicionais.
 
Bastante interessante, que antes de escrever esse artigo, inquiri diversos líderes acerca do modelo teocrático-congregacional – e o resultado é que alguns sequer conseguiram defini-lo, outros poucos, o criticaram como um modelo antiquado de teocracia, enquanto, a grande maioria não conseguiu dissocia-lo da definição republicana de democracia.
 
  O mais fascinante é que embora cada uma das respostas obtidas, apresentaram vários pontos de concordância, sempre que se tentou ligar tais pontos para elaborar um enunciado, o resultado final foi um quadro bem complexo, um verdadeiro emaranhado conceitual.  Mas, paradoxalmente, quando aprofundávamos o questionamento a partir da experiência pessoal e local dos mesmos interlocutores, todos surpreendentemente, revelavam, um senso prático enraizado de que o governo teocrático-congregacional em essência; é a liberdade de participação democrática da congregação nas decisões da liderança da igreja e, sem o menosprezo de que essa participação pudesse ser de algum modo também, produto da revelação divina e espiritual ao corpo de Cristo.
 
É, nesse último sentido, que o “governo teocrático-congregacional” embora, talvez, não tenha sido pensado amplamente com esta intenção pelos pioneiros, vai ganhando vida própria, incorporando-se historicamente ao crescimento da igreja e, se emanando naturalmente em leves mutações que vão se adequando e se acomodando aos espaços locais e regionais, ao ponto dessa formação espontânea superar o próprio conceito inicial. O mais bacana nisso tudo, é que ainda que alguns não saibam conceituar, definir ou explicar o “governo teocrático-congregacional”, todos acreditam que traduz o nosso jeito de “ser igreja!”
 
Então, afirmar que o governo da Igreja tem uma face teocrática não é jamais admitir um retrocesso à revelação profética do Antigo testamento, mas também afirmá-lo como congregacional, de outra face, não significa que a “voz do povo é a voz de Deus”, nem que a Igreja se curva ao populismo ou mesmo ao politicismo eclesiástico.
 
Nosso modelo eclesiástico, dessa maneira, consegue reunir a fundamentação clássica apostólica ao mesmo tempo que assume feições vanguardistas e, sem precedentes nas demais denominações. Sendo que esse formato conceitualmente ficou mais fortalecido com a descentralização do governo da Igreja a partir da década de oitenta, quando a definição de governo teocrático-congregacional se legitimou definitivamente e, se reverberou na expansão missionária promovida pelas regiões desde esse momento e, pela Secretaria Nacional de Missões no início do século vinte e um.
 
Governo Teocrático Congregacional – Um conceito diferenciado
 
Atrevo-me, a partir dessas notas iniciais, a traçar algumas considerações que facilitem da forma mais simples e direta possível, explicar contextualmente os reflexos históricos e atuais do jeito de “ser Igreja de Cristo” pelo prisma desse modelo de governo eclesiástico a que os pioneiros chamaram autoralmente de “teocrático-congregacional”.
 
Nesse sentido, comecemos com a definição esculpida no Regimento Interno da Igreja de Cristo no Brasil:  
 
“A Igreja reconhece as Escrituras do Antigo e Novo Testamento, como regra única e infalível de sua fé e prática, tendo estas Escrituras como fonte de inspiração dos princípios de sua constituição e ordem e adota os seguintes pontos básicos de fé e doutrina: (...) o governo Teocrático-Congregacional, o governo que emana de Deus, sendo Cristo o cabeça soberano da Sua Igreja que é o Seu Corpo, e de todo principado e potestade, porque é tudo em todos, para que tudo tenha a preeminência. (Regimento Interno, Art. 4º alínea “j’)
 
A Igreja de Cristo em sua base fé, defende que todo governo emana de Deus, sendo Cristo o cabeça da Igreja e que este exerce seu governo na Terra por meio de uma Igreja, como um corpo articulado em vários membros, e que conjuntamente se submetem a ação, direção e inspiração soberana do Espirito Santo, trabalhando afirmativamente para a Glória de Deus, que é preeminente sobre todo governo humano ou terreno.
 
Por este entendimento, a revelação progressiva de governo eclesiástico não mais se resume à figura única de apenas um homem, como era no tempo antigo (patriarcas, juízes, reis, profetas). Mas, soberanamente, a partir da formação da Igreja, a vontade de Deus é exercida por meio de um corpo, onde todos podem ser instrumentos da revelação divina e por isso, devem ser igualmente ser ouvidos.
 
                     Dessa forma, no governo teocrático congregacional, as decisões que se concentravam em um homem (antigo testamento), ou num grupo de homens (modelo apostólico), passam ser compartilhadas com toda a congregação.
 
A Igreja de Cristo, ao conceituar um modelo de ouvir a congregação, sem menosprezar a ação divina na revelação racional de Deus para os seus membros, rompe elegantemente com o modelo episcopal de sua origem denominacional, ao mesmo tempo que não se assanha com modelos presbiteriais (que também são federalistas), nem flerta com sistemas fechados de cúrias ou conclaves. Nem se entrincheira à razão, que pode emanar do conselho coletivo. E, assim, vamos elaborando um conceito de governo que acumula aspectos dos diversos modelos de governo: episcopal, presbiterial e etc., e ainda da organização eclesiástica e administrativa de assembleias e juntas executivas utilizadas por igrejas de governo federalistas (autônomas).
 
 
 Essa filtragem mais apurada de administração eclesiástica que surpreendentemente seguiu na direção oposta dos modelos gerenciais de crescimento das igrejas do movimento pentecostal (que se expandiam graças ao “leiguismo” e a coronelização episcopal) irá influenciar a adoção definitiva do sistema de descentralização federalista na década de oitenta e que, recentemente fora regulamentado no regimento interno da Igreja de Cristo no Brasil.
 
O Governo teocrático congregacional, assume-se como inspirado no Concílio dos Apóstolos, que começa a rejeitar antigas práticas da superstição judaica como tirar as sortes, desconcentrando a autoridade da revelação como na teocracia profética e, instituído o debate e o consenso como instrumentos da direção divina. E, por essa compreensão, subentende que a autoridade da instrução, é dada a Igreja, que por seus membros, torna-se responsável em expandir o reinado espiritual de Deus na Terra.
 
O que permanece claro como um conceito de governo, que é ao mesmo tempo teocrático e congregacional, é que o mesmo celebra e respeita as decisões conciliares dos seus membros. E, aqui o termo “concílio”, do mesmo modo que busca o consenso de opiniões, não o faz com o prejuízo da revelação, pois se orienta maximamente na direção do Espirito Santo, por meio das Escrituras, dos dons sobrenaturais e, ministeriais e, sem menosprezar o bom senso e a razão simples dos seus membros, todos os quais já se pressupõem por terem nascido de novo, possuem a mente de Cristo.
 
Assim, o mais notável, em tal modelo, é que embora inspirado no mecanismo conciliar de governo apostólico, não se restringe a um grupo de homens (como nos ministérios de continuísmo apostólico) mas na multiforme ação de Deus, em cada membro da Igreja, que juntos, cheios de graça de Deus, discutem entre si com inteligência, oração e temor, e tomam a melhor decisão para a coletividade e para o reino (At. 6. At. 11. 11-18 ; 14.4 15.2), podendo ser reservas, afirmar das decisões conciliares: “pareceu bem ao Espírito Santo e a nós!”.
 
Desse modo, se no início os doze apóstolos tomavam de forma exclusiva decisões administrativas, doutrinárias e missionárias, quando reunidos entre si, uniformizar as instruções e orientações coletivas; com a apropriação bíblica do conceito de corpo, todos os membros da Igreja vão sendo chamados a participar desse governo pelos dons, pelo conselho, dentro ou fora da liturgia de culto (um traz a doutrina, outro a experiência, outro a revelação).
 
Antes de prosseguir, antecipo-me, pedindo perdão por essa visão romântica, quase ingênua e às vezes, mais ideal que real, desse modelo. Em minha defesa, justifico, que sou consciente que esse elevado conceito de governo teocrático-congregacional, aqui e ali (em algumas igreja e regiões), às vezes passa bem perto, de uma monarquia parlamentarista, e em outros lugares, sobrevive em inflamados parlamentos eclesiásticos. Mas, nunca foi minha intenção, afastar-me do realismo, nem da auto-percepção de nossa Igreja como uma “colcha de retalhos” ou como um “arco-íris” de tantas cores e matizes que alguns de nossos absolutos podem ser apenas relativos pacificamente conciliados. Entretanto, continuamos sofrendo constante mudança e reelaboração, sem que esses processos importem em perda de sentindo, ou de nossa essência.
 
 
Governo Teocrático Congregacional – Aplicações Praticas
 
O governo teocrático-congregacional se tornou historicamente tão indissociável à Igreja de Cristo, que a mesma consagra seletamente sua definição mais primária, nesse modelo, citemos:
 
Art. 2° - Sob a denominação social de “Igreja de Cristo no Brasil” e conhecida como “Igreja de Cristo”, é uma organização religiosa sem fins econômicos, organizada no dia 13 de dezembro de 1932, na cidade de Mossoró – RN, pelo pastor Manoel Higino de Souza, auxiliado por seus cooperadores: Gumercindo Medeiros; Eustáquio Lopes da Silva; João Vicente de Queiroz; Domingos Augusto Barreto; João Moraes e Francisco Alves. Congregando número ilimitado de membros, reconhecendo os livros do Antigo e Novo Testamento da Bíblia Sagrada, como sua única fonte de inspiração e fé, adotando o Governo Teocrático - Congregacional, com sede e foro à rua Agostinho Leitão, 327, Alecrim, Natal - RN. (Artigo 1º do Estatuto Nacional, Artigo 2º do Regimento Interno Nacional)
 
Na prática, o governo teocrático-congregacional na Igreja de Cristo tem seu exercício plenamente percebido na organização dos Conselhos Locais, Regionais e, dos Conselho Representativo e Nacional, onde os ministros se reúnem para tomar as decisões a partir dos moldes da liderança apostólica. E, assim, na Igreja de Cristo, não se tolera, em tese, nenhuma decisão administrativa centralizada, exceto as de caráter emergencial (ad referendum), mas mesmo estas, deverão se homologar na primeira oportunidade em que os Conselhos se reunirem. (artigo 18, inciso VII c/c artigo 21, inciso V do Estatuto Nacional e artigo 37, inciso V do Regimento Interno).
 
Ao longo dos anos, o modelo teocrático-congregacional, foi assumindo feições “parlamentares”, mas preservando o valor igualitário de cada membro do corpo de Cristo (congregação), como se reflete na definição regimental de que todos os obreiros consagrados têm a mesma qualidade de voto (diáconos, diaconisas, presbíteros e pastores, evangelistas e etc.) e apenas possuem atribuições diferentes no corpo de Cristo, mas com a mesma prerrogativa de se pronunciarem e serem ouvidos nas reuniões dos Conselhos, havendo exceção apenas para as comissões formadas que poderão exigir, por sua natureza, funções específicas ( por exemplo as comissões de consagração são formadas exclusivamente de pastores, vide o artigo 18 do regimento interno). De certo modo, a configuração desse modelo, foi se sofisticando ou se relativizando de um conceito conciliar, se organizando administrativamente, às formalidades parlamentares. Nesse sentido, citemos, a definição regimental de governo teocrático congregacional:
                           
“Para o pleno exercício da autonomia nos termos dos parágrafos anteriores, o governo teocrático-congregacional, define-se como aquele que todo o corpo de Cristo é participante da revelação e do governo das igrejas locais, regiões e do Conselho Nacional, por meio de reuniões e assembleias periódicas, nas quais, sem distinção, os membros de seus conselhos em cada nível: local, regional e nacional; têm o direito a propor, apoiar, contrapor, debater, votar e ser votado, e a obrigação de acatar e fazer cumprir as decisões da maioria que estiverem de acordo com este regimento e  com o estatuto nacional e das respectivas regiões e igrejas locais. (Artigo 7º, parágrafo 7º, Regimento Interno).
 
      Dessa forma, os presidentes dos Conselhos (nacional, regional e local) têm função executiva, mas não centralizam as decisões, sendo que nas assembleias e reuniões, a estes cabe; organizar os recebimentos das propostas, dos debates e esclarecer pontos obscuros. E, embora possuam voto de qualidade em caso de empate, no governo da Igreja de Cristo, as decisões administrativas, doutrinárias, eleições e etc., são exercidas na igreja local pelos Conselhos Locais; na Região pelos Conselhos Regionais e na esfera Nacional por seu Conselho Nacional. (artigo 31, e seus incisos e parágrafos do 1º ao 4º)
 
      Ainda como princípio do governo teocrático-congregacional, as eleições em cada esfera (local, regional e nacional) devem ser periódicas e, por tempo determinado, não sendo permitido mais que uma reeleição consecutiva para o mesmo cargo de Diretoria Local (Artigo 19 do Estatuto Nacional c/c artigo 36 do Regimento Interno).
 
Federalismo x Confederalismo
 
A despeito de outras denominações evangélicas adotarem formas diversas de governo, o nosso jeito de administrar se pretende, fundamentado nas Escrituras pela prática apostólica, e administrativamente no Sistema Federalista, implantado desde a década oitenta em razão das necessidades próprias de crescimento e, pela adequada direção da liderança daquela época que temia o desvirtuamento da essência missionária da Igreja às disputas de poder, à medida em e que seus pioneiros “passavam para Jesus”, a necessidade de descentralizar se intensificou, sendo que os anos que se seguiram à descentralização transformaram cada vez mais o governo teocrático-congregacional às feições parlamentaristas de uma federação de Igreja e Regiões, sendo finalmente,  regulamentadas em nosso Regimento Interno, senão vejamos:
 
Art. 7º - A Igreja de Cristo adota em sua administração o sistema e o princípio federalista de autonomia restrita, pelo qual o Conselho Nacional é soberano em suas decisões e representado deliberativamente por um Conselho Representativo e administrativamente por uma Diretoria Executiva, e Órgãos Auxiliares;
 
Sobre o sistema federalista consagrado no regimento interno, não se pode sob qualquer hipótese, confundi-lo com o modelo de confederalização de igrejas, ministérios ou regiões; praticada por outras denominações evangélicas, cujos princípio e práticas diferem da experiência histórica desenvolvida pela Igreja de Cristo a partir da década de oitenta e, que pode ser facilmente depreendido da análise de dois aspectos: 1 Normativos (a natureza jurídica e a administrativa); 2. Histórico-cultural da Igreja em suas três esferas (nacional, regional e local), e sobre os quais teço breves, mais elucidativos comentários:
 
  
1.   Aspecto Normativo
a) Natureza Jurídica
 
Sobre este aspecto, passamos a analisar a legislação pátria (Constituição Federal) e a legislação institucional (o Estatuto e o Regimento Interno), verificando a predominância do sistema federalista, senão vejamos:
 
O primeiro artigo do Estatuto da Igreja de Cristo, a define da seguinte forma: (...) “sob a denominação social de “Igreja de Cristo no Brasil” e conhecida como “Igreja de Cristo”, é uma organização civil, de caráter religioso, sem fins lucrativos(...). E, em seu artigo artigo 12, afirma: “São órgãos de governo da Igreja: I - Conselho Nacional (...) ; II - Diretoria Executiva;   III – Conselho Representativo; IV – Conselho Fiscal;
 
Aqui está a primeira definição normativa de que o sistema é federativo e, não confederativo. A Igreja de Cristo no Brasil é a pessoa jurídica que possui dentre outros, um órgão de governo chamado Conselho Nacional. Se, contrariamente, o sistema da Igreja de Cristo, fosse confederativo, a natureza jurídica seria oposta: a pessoa jurídica aqui seria o Conselho Nacional ou a Convenção Nacional de Igrejas: que teria como membros as igrejas, as regiões e os ministros.
 
Um exemplo bem próximo pode nos ajudar a entender a diferença entre federalismo e confederalismo, quando comparamos dos sistemas de governo eclesiástico: das Assembleias de Deus no Brasil (confederativo) e das Igrejas Presbiterianas (federativo), para um terceiro momento, deduzirmos, o nosso tipo de sistema eclesiástico.
 
 
1_ Assembleias de Deus no Brasil (confederalistas)
 
 O atual governo das Assembleias de Deus, ainda que não assumidamente, é confederativo (em esfera nacional) e binormativo (estadual ou regional), isto quer dizer, que está regido sob dois diferentes tipos de governo: nacionalmente possuem uma confederação, que se denomina “Convenção Geral das Assembleias de Deus” (pessoa jurídica), as quais podem se filiar outras pessoas jurídicas (Convenções Estaduais ou Regionais). Devendo a Convenção Geral promover o intercâmbio entre as Assembleias de Deus, reconhecendo e inscrevendo as Convenções Estaduais e Regionais da mesma fé e ordem (artigo 3º, inciso I, IX e XI do Estatuto da CGADB). E assegurando os direitos às Convenções Estaduais ou Regionais já reconhecidas e cadastradas por resolução de sua mesa Diretora (artigo 87 do mesmo diploma legal).
 
 Nesse processo de filiação, cada um dos membros dessa “confederação” embora atendam exigências para a filiação (mesma fé e ordem), possuem independência administrativa, histórica e até cultural, mas individualmente em suas convenções estaduais e regionais regem-se por normas institucionais distintas, com natureza jurídica, finalidades e até arcabouço doutrinário diferente.
 
Nesse caso, embora a nível nacional sejam confederativas, a nível estadual e regional, estas ou são federalistas (convenções estaduais de igrejas e ministérios) ou possuem estruturas de governo administrativo dos mais diversos, sendo o mais comum dentro do modelo episcopal, o governo centralista tendo uma igreja (pessoa jurídica) com várias congregações (normalmente ligadas convencionalmente a ministérios locais de mesma raiz histórica).
 
                    A grosso modo, considerando, a natureza de confederação nacional, as Igrejas Membras das Confederações desse tipo, não podem sofrer qualquer tipo de intervenção, pois são apenas filiadas, podendo apenas sofrer suspensão ou exclusão da filiação, caso não cumpram obrigações mínimas, exemplo: contribuições periódicas eventualmente impostas, manutenção da designação: “Assembleia de Deus de tal” e etc.


2_ Igrejas Presbiterianas (federalistas)
 
Comparativamente, outras denominações, evangélicas que adotam o sistema de autonomia federalista de Igrejas, tem suas decisões nacionais tomadas em seus conselhos, concílios, sínodos, sendo administradas pelas organizações executivas nacionais, regionais e locais: Assembleias, Juntadas, Presbitérios e etc.
 
Por exemplo, segundo sua Constituição (Estatuto), a Igreja Presbiteriana do Brasil é uma federação de Igrejas locais, que adota uma única regra de fé e prática, as Escrituras Sagradas do Antigo e do Novo Testamento... (artigo 1º da Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil).
 
Seguindo a mesma orientação, a Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, define a comunhão presbiteriana como uma federação de igrejas locais que, embora tenham personalidade jurídica própria, estão jurisdicionadas aos concílios a que pertencem. (Artigo 6º Constituição da IPIB) Sendo que igrejas locais embora tenham personalidade jurídica, estão vinculadas eclesiasticamente umas às outras sob jurisdição do presbitério (artigo 3º da Norma Complementar da IPIB).
 
 Não menos diferente, a Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil, abrange e exerce jurisdição eclesiástica e doutrinária sobre presbitérios e igrejas locais a ela filiados e adota a forma de governo presbiteriano, estabelecida em seu Estatuto e tem como princípios doutrinários os expostos em sua Confissão de Fé. (artigos 2º e 4º Estatuto da IPRB)
 
Nesse último caso, o Presbitério é o órgão administrativo regional, composto da Diretoria Presbiterial, de todos os pastores, pastores auxiliares e Igrejas Locais, exercendo jurisdição eclesiástica e doutrinária sobre estes, bem como sobre tudo o que, em sua região, seja de interesse da IPRB. (artigo 2º do Regimento Interno). Sendo a Igreja Local uma entidade jurídica, uma unidade do sistema, organizada e filiada ao Presbitério de sua jurisdição territorial e à IPRB. (artigo 20 do Regimento Interno da IPRB).
 
Segundo o Regimento interno da IPRB é responsabilidade da Igreja local pagar a contribuição mensal de 10% (dez por cento) de sua arrecadação, dos quais 4% (quatro por cento) são destinados a IPRB e; 4% (quatro por cento) para o respectivo Presbitério e 2% para a Missão. Sendo que suas Igrejas Locais são subordinadas doutrinária e eclesiasticamente ao seu Presbitério e à Assembleia Geral da IPRB. (artigos 29 e 30 do Regimento Interno)
 
3_ A Igreja de Cristo é federalista
 
A partir da comparação com estes dois modelos denominacionais, (das Assembleias de Deus e das Igrejas Presbiterianas) chegamos à conclusão que a Igreja de Cristo normativamente é federalista, uma vez que embora adote a autonomia de suas unidades federativas, estabelece um sistema de pesos e contrapesos (direitos e obrigações) possuindo como órgãos de gestão o Conselho Nacional, a Diretoria Executiva; O Conselho Representativo e o Conselho Fiscal e, ainda como órgãos auxiliares, a SENAMIC e o Conselho Fiscal com atuação em todo território nacional.
 
Ainda reforçando o conceito federalista, o Estatuto Nacional no artigo 4º, dando tratamento a denominação de “Igreja” afirma que seus membros são: Os Ministros e Oficiais das Igrejas de Cristo; Os Conselhos Regionais Eclesiásticos e as Igrejas de Cristo locais.
A diferença é bem simples, se tivéssemos adotado o sistema confederativo, estes seriam em primeira face membros do Conselho Nacional (que seria a pessoa jurídica), ao invés disso, o artigo 14 do Estatuto Nacional afirma que o Conselho Nacional (sem representatividade jurídica) é na verdade um órgão de administração superior da Igreja de Cristo, sendo essa última, a pessoa jurídica, com representação jurídica para si e para terceiros.
 
Desse modo, a pessoa jurídica não é o Conselho Nacional, como acontece nas Convenções Nacionais de outras denominações, mas a Igreja de Cristo no Brasil, que é por sua vez, administrada executivamente por uma diretoria, e, representada juridicamente pelo presidente nacional da Igreja de Cristo no Brasil e, que preside administrativamente três de seus órgãos de governo: o Conselho Nacional, o Conselho Representativo e a Diretoria Nacional.
 
O equívoco do raciocínio reside no fato de normativamente, a Igreja de Cristo ser uma instituição que se fragmenta em diversos Conselhos (Nacional, Representativos, Regionais, locais), mas este é o exato formato de descentralização do governo da Igreja por meio do federalismo e, não de confederalismo, como erroneamente, alguns poderiam supor.
 
Aspecto Normativo
b) Natureza Administrativa
 
O Parágrafo 1º do artigo 7º do Regimento Interno afirma o seguinte:
 
“Para fins do mesmo sistema e princípio de autonomia, nos termos do art. 5º deste regimento: os Conselhos Regionais Eclesiásticos e as Igrejas Locais, embora soberanos em relação a si mesmos no limite de suas atribuições estatutárias, não são independentes em relação ao Conselho Nacional, nem as igrejas locais em relação às respectivas regiões, mas são autônomas administrativa e financeiramente e harmônicas entre si; sendo unidades vinculadas aos princípios doutrinários da Igreja de Cristo e sujeitas às decisões do Conselho Nacional.
     
Dessa maneira, ao definir para os fins do federalismo, seu sistema de autonomia, a Igreja de Cristo no Brasil em seu regimento interno procurou dirimir uma confusão conceitual da definição legal de autonomia e de independência, dentro do próprio princípio federalista. Sendo que para uma melhor compreensão e distinção entre os dois termos, valho-me de dois exemplos republicanos insertos em nossa Constituição Federal para entendermos dois conceitos de federalismo amplo ou republicano (independência e harmonia de poderes) e federalismo estrito (autonomia de unidades federativas), senão vejamos:
O artigo 2º da Constituição Federal afirma o seguinte: “são poderes da união, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”.
A partir do preceito constitucional fica evidente a diferença de independência e autonomia, a primeira pelo modelo de democracia que escolhemos, é uma prerrogativa exclusiva dos poderes da república que em tese não podem intervir entre si, e precisam trabalhar harmonicamente para o pleno exercício de suas atribuições.
Mas, mesmo aqui, o conceito de independência  dos Poderes da República, não é pleno, uma vez que O STF pode decidir sobre prisões de membros do legislativo por crimes comuns, regulamentar processos legislativos, sendo o presidente do mesmo órgão quem preside o processo de impeachment do presidente da República e, este último por sua vez, é quem indica os membros da Corte Suprema que são sabatinados pelo Senado Federal, sendo este órgão quem julga os crimes de responsabilidade do presidente e até mesmo do ministro do STF . Então, como se vê, o conceito jurídico de independência, não significa, em qualquer espécie administrativa, a ausência de cooperação, interação, interação ou de intervenção, mesmo de membros de alto escalão dos poderes da república.
 
Quanto ao conceito legal de autonomia, o Art. 1º de nossa Constituição, afirma que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federa e no artigo 18 da mesma Carta Magna afirma que: “a organização político-administrativa da República Federativa do Brasil, compreende a União, os Estado-membros, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos da Constituição.
 
Desse modo, mesmo para as unidades da federação republicana (União, Estados Municípios e Distrito Federal) há um limite para esta autonomia dentro do pacto federativo: “autônomos, nos termos da Constituição”. Isto significa que esta autonomia sofre as restrições nos termos da lei que a regulamenta. Um exemplo disso, é que estes entes federativos não podem ser dissolvidos (indissolubilidade), nem separados das demais unidades federativas. Não pode haver por exemplo, um município que não esteja ligado a um Estado.
 
Assim, como a autonomia e as atribuições de cada ente federativo da República Federativa no Brasil são previstos na Constituição Federal (União: artigos de 18-24; Estados: artigos de 25-27, Municípios: artigos de 29-31, DF e Territórios: artigos de 32-36, todos da Constituição Federal), de igual modo o Estatuto e o Regimento Interno da Igreja de Cristo delimitaram a natureza, as prerrogativas, as atribuições e as obrigações das Regiões Eclesiásticas (artigos 39-40) e das Igrejas (artigos de 41-46).
 
Nos termos da nossa Constituição Federal/1988, a autonomia de Estado e Municípios garantem dentre outras, as seguintes atribuições: “eleger seus governantes e administrar bens, patrimônios e tributos próprios, mas mesmo no caso dessa arrecadação, os repasses tributários devem ser feitos aos demais de acordo com normas claras, sob pena de intervenção (artigos 157 a 161 da Constituição Federal). Isto significa, que a autonomia dos Estados e municípios, não os isenta, de sofrer a intervenção caso descumpram exigências do pacto republicano.
 
A intervenção Federal da União aos Estado e ao Distrito Federal e do Estados aos Municípios é prevista na Constituição Federal nos artigos 34 a 35, dentre outros motivos quando: “a) para suspenderem o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos consecutivos, salvo motivo de força maior; b) deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias fixadas nesta Constituição, dentro dos prazos estabelecidos em lei; VI - para prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial. Ressalvando-se, a previsão do artigo 36, § 4º, que quando cessados os motivos da intervenção, as autoridades afastadas de seus cargos a estes voltarão, salvo impedimento legal.
 
Assim, seguindo a norma republicana, o parágrafo 1º do artigo 7º do Regimento Interno, afirma que suas unidades federativas (Conselhos Regionais e Igrejas Locais) embora soberanos em relação a si mesmos no limite de suas atribuições estatutárias, não são independentes em relação ao Conselho Nacional, nem as igrejas locais em relação às respectivas regiões, mas são autônomas administrativa e financeiramente e harmônicas entre si.
 
Esse tipo de federalismo consagra a autonomia financeira e administrativa das igrejas e regiões: assim definidas como a capacidade de legislarem em esfera local e regional, de escolherem os membros de sua Diretoria e, ainda de administrarem bens, serviços e patrimônios. Como se depreende dos parágrafos seguintes do regimento interno:
 
Parágrafo 4 º - A autonomia financeira das igrejas locais e Regiões Eclesiásticas; define-se nos termos da lei, como a capacidade de administrar seus recursos financeiros, mas obrigando-se a contribuir com as taxas e contribuições missionárias nos termos do Estatuto e Regimento Nacional da Igreja de Cristo no Brasil.
 
Parágrafo 5 º - A autonomia administrativa das igrejas locais e Regiões Eclesiásticas define-se nos termos da lei, como a capacidade de eleger sua própria diretoria para administração a nível local de bens e serviços e, exercer a disciplina de seus membros (...)
 
Ao mesmo tempo, exige que os ministros e oficiais estejam respectivamente vinculados ao Conselho Nacional e a um Conselho Regional (parágrafo 2º do artigo 7º do Regimento Interno).
 
Uma comparação interessantes sobre a Constituição Federal e a nossa no que diz respeito à nosso modelo federativo, é que assim como a autonomia das unidades federativas do Brasil é exercida por estas, desde que mantenham o pacto republicano, os repasses tributários, e a obediência às decisões judiciais e as leis federais, sob pena de sofrerem a intervenção (a união sobre os Estados e o Distrito Federal e, os Estado sobre os municípios) analogamente, o regimento interno da Igreja de Cristo em seu artigo 7º, parágrafo 3º determina que os Conselhos Regionais, nos termos deste Regimento são passíveis de Intervenção Financeira e/ou Administrativa por período determinado conforme decisão do Conselho Nacional.
 
                   Dessa maneira, utilizando-se da mesma fórmula republicana, as regiões eclesiásticas e as igrejas locais podem exercer livremente sua autonomia administrativa e financeira, podendo inclusive promover a disciplina de seus membros, estando restrita essa autonomia apenas ao seguinte pacto federativo: cumprimento das contribuições e taxas missionárias nos termos do Estatuto e Regimento Nacional (parágrafo 4º) e manter a doutrina, à forma e o sistema de governo eclesiástico da denominação, conforme os parâmetros estabelecidos no Estatuto e Regimento Nacionais da Igreja de Cristo no Brasil (parágrafo 5º).
 
Como mecanismo de fortalecer o pacto federativo conservando todos os ganhos da descentralização historicamente comprovados, mas sem enfraquecer suas unidades federativas, e ao mesmo tempo zelando pela doutrina, pela história e pelos princípios que resgatam à unidade nacional o regimento interno no parágrafo 6º do artigo 7º determinou que as igrejas locais e Regiões Eclesiásticas deverão quando da reforma de seus estatutos e regimentos internos fazer constar obrigatoriamente como cláusulas inalteráveis: a doutrina e base de fé, a forma de governo da igreja (teocrático-congregacional) e, os mesmos critérios de formação de igreja e regiões, e as definições e limites de suas autonomias financeiras e administrativas e a destinação de seu patrimônio em caso de cisão ou dissidência para os Conselhos Regionais respectivos ou em caso de dissidências destes para o Conselho Nacional.
 
E, ainda o artigo 33, parágrafo segundo do Estatuto Nacional (65 do Regimento) previu que em caso de cisma, dissidência ou cisão de congregação em relação à igreja local, ou desta em relação ao respectivo Conselho Regional, ou de qualquer um destes em relação ao Conselho Nacional, o patrimônio passará sucessivamente ao órgão superior à que estavam sujeitos a congregação, igreja ou região e os recursos patrimoniais, verbas e demais valores de arrecadação advindos serão repassados em suas respectivas esferas para a administração supervisionada aos membros que se mantiverem vinculados nacionalmente a Igreja de Cristo no Brasil e, em acordo com seu estatuto e regimento nacional.
 
Apesar da infundada “fobia de invasão de autonomia” propaladas às vezes por desinformação, as mudanças no Estatuto Nacional e no Regimento Interno garantem que os casos de intervenção sejam excepcionais - com ritos metódicos e o devido processo. Aplicáveis apenas em situações muito específicas e, comportando diversas etapas, nas quais se oportuniza ao infrator, constantemente poder sanar as irregularidades e restabelecer plenamente sua autonomia. Ainda mais que o exercício da autonomia de cada unidade federativa, é sempre regra e não exceção, e por isso mesmo; o Regimento Interno dispõe que qualquer intervenção deve ser temporária.
 
  Ainda como sinal distintivo que revela, o nobre interesse no pacto federativo e, não no apoderamento do Conselho Nacional ou da Diretoria Nacional em centralizar ações executivas ou deliberativas. O Estatuto Nacional e o Regimento Interno criaram o Conselho Representativo, garantindo que todas as regiões sejam representadas deliberativamente e, que não irão simplesmente acatar decisões, e sim, participar de cada uma das deliberações a nível nacional.
 
Desse modo, com a criação do Conselho Representativo foi possível descentralizar ainda mais, o poder deliberativo da Diretoria Nacional e compartilha-lo com as unidades federativas, por meio dos representantes das regiões e, com os órgãos de governo e auxiliares da Igreja de Cristo, como se verifica, no texto abaixo:
 
 A Diretoria Executiva em conjunto com os membros dos Órgãos Auxiliares: Secretaria de Missões, Conselho de Ética, e, 02 (dois) representantes de cada região e 02 (duas) representantes da UNAMIC e 02 (dois) representantes da UMIC NACIONAL formam um Conselho Representativo do Conselho Nacional para deliberar em suas reuniões ordinárias e extraordinárias sobre os assuntos administrativos e ministeriais de mesmo interesse, para o acompanhamento e mútua ajuda no desenvolvimento e crescimento da obra de Deus nas regiões  eclesiásticas  e  nas frentes de expansão  missionária  e para  planejar  e  executar  as ações previstas no presente e estatuto, no regimento interno da Igreja de Cristo no Brasil, bem como aquelas decididas pelas Assembleias do Conselho Nacional. (Artigo 19, § 1º do Estatuto Nacional e artigo 36, § 1º do Regimento Interno)
 
3_ Aspecto Histórico-Cultural
 
Há ainda um fator relevantíssimo para a Igreja de Cristo no Brasil se identificar com o modelo federalista e não com o confederalista. É que tecnicamente confederações (inclusive igrejas que adotam esse modelo de Convenção Geral) podem exigir requisitos mínimos para filiação de membros (unidades confederadas), mas estabelecidos tais requisitos, devem por princípio legal e moral promover a recepção indistinta de “convenções estaduais ou regionais (federações)” que queiram se filiar, ao mesmo tempo que devem liberar qualquer unidade federativa que solicite a desfiliação. Este é um princípio legal elementar básico da confederação que tem natureza associativa, sendo previsto na Constituição Federal, que ninguém é obrigado a associar-se ou a manter-se associado. E embora, na prática, isto não seja muito provável, é legalmente possível, que demais denominações possam exigir filiação, se cumpridas as exigências mínimas estabelecidas dentro de um modelo confederativo.
 
Creio, que nesse aspecto, o óbice cultural para adoção plena desse modelo confederativo pela Igreja de Cristo é praticamente instransponível. Pois, infelizmente, em algumas confederações de igrejas tem se observado, o triste exemplo de certas organizações religiosas que ao adotarem o modelo confederativo, valem-se desse modelo como um meio de arrecadação de taxas para apoderamento político, tanto partidária quanto eclesiástico – e com tais intenções, reduzem substancial e sensivelmente o filtro doutrinário e histórico para recepção de filiações, além de travarem verdadeiras batalhas internas na disputa pelos cargos de direção, aumentando ainda mais o sectarismo religioso, mesmo sob a mesma bandeira denominacional.
 
Contra estas posturas, por formação histórica, a igreja de Cristo é de raiz familiar e em seu veio missionário ao longo dos anos, mesmo com modesto crescimento, manteve o sentido ministerial de abnegação e amor à obra de Deus. E, pelo mesmo princípio, seus obreiros rejeitam qualquer tipo de disputa por poder ou mesmo de utilização do modelo confederativo para agregar valores financeiros.
 
Outra questão que nos distancia do modelo confederativo, é que a Igreja de Cristo, embora historicamente, conviva muito bem com a diversidade litúrgica, e ainda enfrente enraizadamente algumas tensões teológicas (calvinismo x arminianismo), (pentecostalismo x tradicionalismo) e etc. – (esse parece, será sempre nosso indissoável estigma, “nossa colcha de retalhos”, “nosso arco-iris”); ao mesmo tempo; encrudeceu uma carapaça instransponível, uma consciência coletiva ao longo dos anos; uma certa estrutura doutrinária consistente e inoxidável, que de algum modo funciona como um verdadeiro detector de excessos, unindo-nos (igrejas e obreiros) rápida e imediatamente ao mesmo senso doutrinário, ao menor sinal de contaminação herética ou de invasão de modismos eclesiásticos.
 
Isto quer dizer, que de algum modo por desdobramento histórico natural ou por ação divina, onde há Igreja de Cristo mesmo ao aproveitamento de material humano dissidente de outras igrejas, há uma resistência, uma autoimunidade para assumir modelos eclesiásticos ou doutrinas que ultrapassem a “curva do aceitável”.
 
De todas, essa é característica mais surpreendente da Igreja de Cristo e que lhe tem garantido se manter sem dissidências ou rachas externos ao longo de mais de oitenta anos, e o que é mais incrível - sem corrosões doutrinárias que a possam colocar na vala comum com outras igrejas que estivessem “teoricamente” filiadas a mesma confederação.
 
Em sentido parecido, os membros da Igreja de Cristo, espalhados no tempo (gerações inteiras ao longo de oitenta anos) e no espaço (nas diversas igrejas e regiões) com o mesmo vigor que celebram a descentralização e usufruem maximamente de suas liberdades locais e eclesiásticas, paradoxalmente nutrem um forte sentimento de unidade eclesiástica e, almejam mais proximidade, mais organização, e mais identificação nacional.
 
Aliás, esse fenômeno paradoxal de liberdade e unidade, de todos é o mais curioso, sendo claramente observável quando apesar de vivermos tão livremente em nossos microuniversos eclesiásticos, ainda assim nos emocionamos pujantemente quando entoamos o hino da Igreja de Cristo, entusiasmamo-nos com uma nova logomarca ou com uma bandeira nacional, ou qualquer símbolo de unificação e, almejamos sedentamente recursos didáticos mais sólidos para a conciliação doutrinária e administrativa. Esse anseio coletivo por unicidade prossegue nas acaloradas defesas da doutrina de “raiz” nos bate-papos locais ou virtuais, sempre regados com o orgulho de dizermos efusivamente que nunca sairemos da igreja de Cristo.
 
 
Um particular parecer
 
Interessante afirmar que mesmo, sem a formalização legal, em diversas situações ao longo da história da Igreja de Cristo, o tratamento administrativo entre algumas igrejas locais e seus conselhos eclesiásticos e destes em relação ao Conselho Nacional assumiram fortes feições confederalistas e, por isso mesmo, já há algum tempo, há um crescente entendimento de que, se forem superados os óbices legais e culturais e sopesados as perdas e ganhos, vantagens e desvantagens, a confederalização poderia ser um caminho viável a um formato mais produtivo de Igreja.
 
Particularmente, entretanto, eu acredito que algumas dessas situações em que foram dados tratamentos confederativos a problemas regionais, restou em prejuízo e, que as mesmas situações com o entendimento correto e aplicação equilibrada e consensual do pacto federativo poderiam ter encontrado soluções mais equânimes e eficazes.
 
Na verdade, percebo que o anseio pela confederalização da Igreja de Cristo advém de uma compreensão bastante limitada dos benefícios do modelo federativo que já desenvolvemos na prática e, que tem sido bem adotado há várias gerações por denominações federalistas que conseguem sem dificuldades e grandes tensões garantir à autonomia de suas igrejas, e ao mesmo tempo mantê-las vinculadas as suas juntas executivas ou órgãos similares de governo, de forma natural, e conscientes de que qualquer pacto federativo está firmado em direitos e obrigações e que eventualmente são necessárias sanções mínimas para o bem comum. Aliás esse é o fundamento basilar de qualquer civilização, de qualquer democracia e, de qualquer forma de governo, mesmo o eclesiástico.
 
Em defesa do modelo federalista da Igreja de Cristo, é preciso reafirmar que tanto Igrejas quanto regiões desfrutam plenamente de suas autonomias administrativas e financeiras, mas isto, deve se processar, sem o enfraquecimento da unidade promovida pelo Conselho Nacional e por seus órgãos de gestão.
 
Infelizmente, desenvolveu-se um pensamento retrógado e equivocado de autoprotecionismo de que só existe regiões fortes, se a Igreja nacionalmente for fraca ou, se a diretoria nacional for meramente representativa ou decorativa. Ou, que só existe Igreja local autônoma, se o Conselho Regional não tiver gerência sobre estas.
 
Na verdade, essa fórmula de raquitização da administração nacional da Igreja, tem se mostrado anômala e desequilibrada, pois além de promover a fragmentação e o isolamento de algumas igrejas e regiões, em certos casos, favorece o sistema de dois pesos e duas medidas, pois não é incomum observarmos membros de alguns conselhos regionais defenderem a plena independência destes em relação ao Conselho Nacional, ao mesmo tempo em que alimentam uma mentalidade centralista e quase episcopal de suas igrejas locais.
 
A aprovação do Regimento Interno, e a reforma do Estatuto Nacional nos moldes republicanos de pesos e contrapesos (direitos e obrigações), é um avanço na apropriação adequada e equilibrada do princípio do governo-teocrático congregacional, que sob o melhor aproveitamento do sistema federalista, pretende estimular a descentralização das Igrejas e Regiões pelas liberdades garantidas em sua autonomia e, ao mesmo tempo fortalecer a nível nacional uma identidade que permita a todo membro e obreiro da Igreja de Cristo, entender que é possível conciliar o crescimento da Igreja à  nível regional e, ainda assim, salvaguardar o  sentimento de unidade, de amor pelos símbolos, pela história, pela doutrina, e pela expansão missionária a nível nacional, robustecendo o Conselho Nacional, o Conselho Representativo e a Diretoria Nacional como entes de serviço e, de suporte, de gestão, mas também, em casos excepcionais, com atribuição deliberativa em situações emergenciais e contingenciais, como protetores na salvaguarda dos princípios conciliares e harmônicos do nosso jeito de “ser Igreja de Cristo”.


HISTÓRIA DOS DEPARTAMENTOS DE MULHERES DA IGREJA DE CRISTO NO BRASIL  

Otília Damaris Queiroz
Pres. da UNAMIC


Nossa história
A PRIMEIRA GERAÇÃO DE – AS PIONEIRAS    




  A história dos Departamentos de Mulheres da Igreja de Cristo no Brasil acontece diante de muitos desafios, mas sempre em estado de graça, serviço e dedicação à obra de Deus.
 
É impossível contar a nossa história sem recordar de tantos momentos agradáveis que passamos, das lições que aprendemos umas com as outras ao longo de mais de 63 anos de organização. Mas. difícil e, quase injusto é não poder enumerar nominalmente as incontáveis mulheres que contribuíram a seu modo, em oração, em sabedoria e com destemor para que hoje, no limiar do Século XXI, vivêssemos um momento tão maravilhosos de autodignidade e, de crescimento nesse ministério, nessa Igreja que tanto amamos. Felizmente, nenhum trabalho no Senhor será vão e o nosso Deus recompensará todas aquelas cujos nomes que mesmo não citados aqui, jamais serão esquecidos nem por Deus, nem por nosso agradecido coração.
 
Embora a história das mulheres remonte o início da Igreja de Cristo, na intercessão, no louvor, na sabedoria e no companheirismo aos pioneiros e, em cada líder de nossa igreja ao longo dos anos, somente há exatos 23 anos depois da organização da Igreja de Cristo, isto é,  no dia 13 de Dezembro de 1955, foi implantada a primeira Diretoria do grupo de mulheres da Igreja de Cristo no Brasil, na cidade de Fortaleza, no bairro Parque Araxá, no primeiro templo da igreja nessa localidade. Com a iniciativa da irmã Edna Barbosa de Medeiros, recebendo o nome de “Sociedade de Auxiliadoras Feminina da Igreja de Cristo”, tendo como referência e modelo, as diretrizes do trabalho executado pela Sociedade de Auxiliadoras Feminina da Igreja Presbiteriana em razão dos fortes vínculos de irmandade com essa denominação. 

Na ocasião a primeira Diretoria ficou composta da forma seguinte: Presidente - Edna Barbosa de Medeiros; 1ª e 2ª Secretárias - Valquíria Medeiros e Raimunda Moraes; e como Tesoureira - Simone Abreu.
 
AS PIONEIRAS


PRIMEIRA DIRETORIA – da Sociedade de Auxiliadoras Feminina da Igreja de Cristo”





PRES.- EDNA B.MEDEIROS
















Lealdade ou covardia ?

“Melhor é a repreensão feita abertamente do que o amor oculto. Quem fere por amor mostra lealdade, mas o inimigo multiplica beijos.” Provérbios 27:05 e 06


Costumamos desenvolver um sentimento de proteção para com pessoas ou mesmo ideias as quais nos afeiçoamos. Este é um sentimento natural, nascido a partir da empatia e da identificação que sentimos com alguém que possui qualidades admiradas por nós ou ainda que nos inspiram ou ensinam. A nossa tendência é proteger essas pessoas ou ideias de qualquer ataque que possa danificar imagem que guardamos no coração a respeito delas.

Defender uma pessoa por quem sentimos afeição é um instinto natural, notadamente verificado nas mães, ainda que o filho não lhe dê motivos para inspirá-las ou que este instinto muitas vezes prejudique a formação moral do filho. Muitas pessoas ao defenderem uma ideologia, partido ou sistema religioso fazem exatamente isto: não são capazes de se colocar em outro ponto de vista de onde podem observar falhas, desvios e necessidades de correção justamente por sentirem-se “mães” do objeto da sua afeição.

Basta observarmos a defesa cega de partidos, ideologias ou doutrinas para notarmos o quanto é doloroso abrir mão do sonho construído em torno do objeto de afeição. É preferível negar a realidade, encontrar as mais ilógicas explicações e até, em muitos casos, utilizar-se da mentira e do auto engano para que a linda imagem construída não seja sequer arranhada.

Graças a Deus porque seu amor para conosco é isento de superproteção. Graças a Deus que o seu amor por muitas vezes dói e às vezes dói muito, basta olharmos para a História de Israel. A afeição de Deus é totalmente desvinculada de qualquer interesse pois Ele não precisa de ideais, referências, nem da construção de sonhos em torno de nada ou ninguém, pois é plenamente suficiente em si mesmo. Ele ama por escolha e o seu amor se manifesta muitas vezes quando toca na ferida ainda aberta, quando utiliza a tristeza como ferramenta necessária ao arrependimento (II Coríntios 7:10) ou quando nos confronta para nos trazer de volta a realidade. A sua negativa é prova do seu cuidado.

A pergunta que precisamos fazer é: estou disposto a amar na perspectiva de Deus ? Estou disposto a confrontar o meu amado ou amada afim de abrir os seus olhos a respeito das atitudes que ele toma muitas vezes até sem ter consciência delas ? Tenho coragem suficiente para criticar os grupos as quais pertenço, ideias ou movimentos pelos quais levanto bandeiras ? Uma pessoa que não recebe críticas e nunca é repreendida, na verdade vive isolada da realidade (Provérbios 18:1). Amar implica em ter a coragem de repreender, exatamente como Jesus ensinou (Mateus 18:15). A repreensão nestes moldes é na verdade um ato de amor. Mesmo os fariseus, duramente censurados por Ele, foram objetos do seu amor. Não confrontar as pessoas por quem temos afeição não é lealdade, na verdade, é covardia, pois por mais que isso possa nos afastar delas ou nos trazer constrangimento, no tempo certo, de uma forma ou de outra, elas reconhecerão que quem teve a coragem de machucá-las em nome da verdade, foi quem realmente as amou.



Pb. Geraldo Jordão de Andrade Jr.

A revelação geral de Deus

Por: W. Robert Godfrey

Tradução: João Pedro Cavani – Revisão: Yago Martins

Original: General Revelation


Nada é mais importante do que conhecer a Deus como ele verdadeiramente é. Por essa razão, a igreja tem confessado muitas verdades sobre o nosso Deus através da história. Deus é a eterna Trindade, o Criador todo-poderoso, o sábio Sustentador, o Redentor eficaz e o Juiz que está vindo. Uma verdade não muito claramente enunciada em nossos credos é que Deus é o Revelador fidedigno. Para conhecer a Deus como ele é, ele precisa se revelar para nós.

Porque Deus é infinito, ele não pode ser totalmente compreendido por criaturas finitas. Nós estamos cegos à verdade de Deus por causa do nosso pecado. Mas antes mesmo que o pecado entrasse no mundo, nós precisávamos que Deus nos falasse sobre si mesmo. Deus sempre foi um revelador de si mesmo em suas palavras e obras. Ele falou a Adão no jardim do Éden para revelar a si mesmo e exibiu aspectos do caráter dele nas obras da criação que cercaram Adão. Os teólogos chamaram as obras de Deus – primeiramente faladas e depois escritas – de sua revelação especial, enquanto chamaram as obras de criação e providência de sua revelação geral. A revelação geral é, como o próprio nome sugere, geral (aqueles teólogos sabiam do que estavam falando), enquanto que a revelação especial é muito mais específica, detalhada e extensa. Hoje, a revelação geral nos cerca na natureza, enquanto possuímos revelação especial na Bíblia. A revelação especial fala ao povo de Deus tudo que é revelado a respeito do caráter dele na revelação geral e muito mais.

O que exatamente, então, é a revelação geral, e por que ela é significativa? Alguns sugerem que as ciências naturais são o estudo da revelação geral e por isso vão além da revelação especial. Mas desde o Iluminismo, as ciências naturais tipicamente estudaram a criação, não para conhecer a Deus, mas para conhecer a criação, e por isso não estão focadas na revelação geral através da criação. Revelação geral, falando apropriadamente, é a clara exibição que Deus faz de sua glória e poder nas obras da criação e da providência. Como as Escrituras explicam: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite” (Salmos 19.1-2); “porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas” (Romanos 1.19-20).

Muitos anos atrás, Joan Baez, a célebre cantora folk, apresentou uma nova canção em um dos seus concertos. Ela estava prestes a cantar “The Dangling Conversation” [A Conversa Oscilante], uma canção cujo refrão é: “Be not too hard, for life is short and nothing is given to man” [“Não seja tão duro, porque a vida é curta e nada é dado ao homem”]. Ela disse como ela estava assistindo um maravilhoso pôr-do-sol com o escritor da música e perguntou: “Como você pode olhar para uma beleza dessas e dizer que nada é dado ao homem?”. O escritor pensou por um momento e replicou: “Bem, a beleza é emprestada, e não realmente dada”. O salmista teria sorrido e entrado na conversa dizendo: “Se a beleza do pôr-do-sol é dada ou somente emprestada, isso aponta indubitável e inescapavelmente ao Ser Divino que dá ou empresta. Este é o caráter indispensável da revelação geral”.

Os pecadores podem resistir e negar essa revelação geral, mas não podem escapar dela. Toda a natureza, em todo tempo, grita a existência, o poder e o esplendor de Deus. Os pecadores podem fechar os olhos e tapar as orelhas, mas a revelação geral continua evidente ao redor de todos eles. Somente quando o injusto ativamente suprimir esta verdade evidente o testemunho da revelação geral pode ser negado. Tal supressão é ímpia e tola. Por isso, as Escrituras declaram justamente: “Diz o insensato no seu coração: Não há Deus. Corrompem-se e praticam abominação; já não há quem faça o bem” (Salmos 14.1).

Essa revelação geral é um resultado inevitável das obras da criação e providência feitas por Deus. Mas para qual propósito ela serve? Em primeiro lugar, a revelação geral é um ótimo encorajamento e apoio aos crentes ao longo da vida deles: “Grandes são as obras do SENHOR, consideradas por todos os que nela se comprazem. Em suas obras há glória e majestade, e a sua justiça permanece para sempre” (Salmos 111.2-3). Mas há outra função vital na revelação geral neste mundo caído também. Paulo expressa poderosamente essa função: “Tais homens são, por isso, indesculpáveis” (Romanos 1.20). Os pecadores são cheios de desculpas: “Eu creria somente se eu pudesse ver ou ouvir a Deus”. Paulo disse que os pecadores não têm desculpas legítimas. Aqueles que rejeitaram a revelação geral de Deus não seriam beneficiados pela revelação especial dele. De fato, todos nós, pecadores, rejeitaríamos ambas as formas da revelação de Deus sem a obra dele de especial e misericordiosa regeneração nos corações do seu povo. Certamente, seria presunçoso da nossa parte adicionar algo ao Credo Apostólico. Mas poderia muito bem ser uma melhora o dizer: “Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, o revelador, e Criador do céu e da terra”. Louvado seja Deus, o Revelador.

Adoração em espírito e em verdade

"E sucedeu que, entrando a arca do Senhor na cidade de Davi, Mical, a filha de Saul, estava olhando pela janela; e, vendo ao rei Davi, que ia bailando e saltando diante do Senhor, o desprezou no seu coração."    II Samuel 6:16

Existem padrões que definem a verdadeira adoração a Deus ? para Mical e para muita gente, sim, existem. Mical julgou totalmente inapropriada a maneira como Davi expressou a sua adoração. Para Mical Davi não era um homem qualquer, era o rei de Israel e um rei não pode cometer certos "excessos". Um rei não devia estar no meio do povo sem suas vestes reais e muito menos dançando e saltando diante de todo mundo. Não sei se a Mical estava preocupada com uma adoração a Deus que fosse "digna" ou simplesmente estava pensando em sua própria imagem como membro da família real. De qualquer forma, uma questão é levantada a partir desta narrativa: será que a minha visão do que é adoração deve formatar a adoração dos outros ? a adoração deve seguir as convenções sociais e padrões definidos humanamente ? Davi dançou diante do Senhor como expressão de louvor e de adoração a Deus, pois a Arca da Aliança estava de volta a Jerusalém, ele estava vestido com um éfode de linho, uma vestimenta sacerdotal, ou seja, ele estava vestido para adorar e não despido como alguns pensam sobre este texto. Nossa expressão de louvor e adoração deve ser livre dos "padrões" estabelecidos. Acho que aqueles que ministram diante da congregação não devem tentar impor formatos de como as pessoas devem adorar. Adoração livre requer diversidade: no mesmo instante, haverá o que está louvando a Deus em silêncio, outro que dará brados de alegria ao Senhor, outro que levantará suas mãos, outro aplaudirá ao Senhor e outro dançará diante dele. Há pessoas que se preocupam tanto com a formatação que se esquecem de adorar verdadeiramente. Há uma preocupação excessiva em levar a Igreja a adorar da forma que eu julgo ideal, em "movimentar" a congregação, "fazer o louvor fluir" ou "pegar fogo". Isso acontece também como quem ministra a palavra.

A grande questão é que a verdadeira adoração se revela no interior, nas intenções do coração, na disposição mental de cada um. No Evangelho de João 4:24, Jesus revelou que: "Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade." Adoração verdadeira é aquela que expressa a pureza de um coração que deseja adorar em simplicidade, sem barganhas, sem exibicionismos, sem medos. Adorar pelo simples e maravilhoso fato de que ELE É DEUS. Não se pode julgar a adoração de ninguém pela forma de expressão usada, mas cada um de nós precisa ter certeza de quais são as nossas motivações para adorar. Somente você pode julgar a sua adoração. Existe verdade na minha adoração ? esta é a pergunta que preciso fazer a mim mesmo.

Se por um lado a adoração precisa ser livre, por outro existem pessoas que a confundem com entretenimento. A alegria do louvor não pode ser resumida à diversão humana. Louvor e adoração não é passatempo, Davi sabia muito bem diante de Quem ele estava. O que ele estava fazendo tinha um propósito, não era uma simples performance, ou uma forma de extravasar energia. Se você vai cantar, cante refletindo no que está cantando, se vai louvar a Deus com expressão corporal, faça isso como adorador e não como que vai a um baile ou boate. Dançar para simplesmente "balançar o esqueleto", pode ser uma boa atividade física mas não misture isso com louvor.

Infelizmente hoje, o que estamos vendo em muitos casos, obviamente com exceções importantes, são verdadeiros "shows" gospels. onde a adoração e o louvor são apenas acessórios de uma performance, de uma apresentação e pior ainda: resumem-se ao mero entretenimento de massas. O objetivo que se esconde por trás de um discurso de adoração é o de vender arte e ganhar dinheiro. Não estou dizendo que viver de arte é errado, o que estou dizendo é que adoração é uma coisa e entretenimento é outra. Não é possível misturar. Nestes eventos, as pessoas não são levadas a um altar de adoração, mas a um encontro de fãs que vão prestigiar seu cantor ou banda preferida. Acho que precisamos a cada dia refletir sobre este tema, voltar as origens de um louvor simples e puro, onde as pessoas estejam cultuando a Deus com liberdade e reverência. Que nossa adoração seja orientada por um desejo puro de exaltar Aquele que é antes de todas as coisas, sempre norteados pela valorização da edificação individual e coletiva, conforme Paulo nos diz em Filipenses 4-8: "Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai".

Pb Geraldo Jordão - Igreja de Cristo em Rosa dos Ventos - Parnamirim /RN

O cristão e a universidade: Um olhar prático sobre o academicismo

Tenho ficado muito feliz com a nova realidade do Ensino Superior em nosso país e, apesar das críticas quanto ao sistema de cotas (assunto polêmico, exigível de tanto debate, que no momento, pretendo evitar), não tenho dúvidas que ao seu modo contribuiu muito para a democratização desse espaço acadêmico. Não apenas, jovens, mas também muitas pessoas de meia idade retornam ou encontram pela primeira vez seu lugar nesse universo do saber, na multiplicação quase cupinizada de faculdades particulares de ensino presencial ou à distância, improvisadas muitas vezes, em estruturas cada vez mais simples (não me refiro às clandestinas, obviamente); mas que proporcionalmente merecem a dignidade da diplomação a exemplo do que acontece também em países de primeiro mundo.

Dessa óptica e, sem controverter outras discussões, como docente, nunca me custou ignorar um mínimo de afrouxamento do rigor ao ingresso de pessoas mais maduras na universidade, ainda mais que tal correção histórica, pode ser aprumada na qualificação do ensino em sala de aula com um professor mais comprometido, e mais capaz de adequar os signos do conhecimento, e evitar o cientificismo exagerado, ou se não; cadencia-lo gradativamente, a fim de fazê-lo merecido por pais e mães de famílias, que às vezes diferentemente dos jovens, já nem buscam mais uma oportunidade profissional, antes têm na formação universitária uma alavanca social e pedagógica para a elevação de sua autoestima, ou mesmo a simples realização de um sonho pessoal; hibernado, normalmente; por desfavorecimento financeiro. Sim, sem dúvida, no saber há uma coluna de fogo e, uma nuvem que pode iluminar e abrigar todas as mentes desejosas de aprender e falar a gratificante linguagem do saber acadêmico.

Mencionadas essas rarefeitas considerações, passo mormente a dedicar uma palavra ao cristão universitário; grupo, ainda majoritariamente formado de jovens e, para os quais; um curso superior é muitas vezes, apenas uma projeção dos desejos dos pais, fato que embora corriqueiro, nem sempre é circunstância capaz de reduzir a oportunidade de crescimento e de ampliação da visão de mundo; uma etapa da vida com significativos desdobramentos financeiros, sociais e de sucesso pessoal em uma carreira, vocacionada ou motivada por conveniência inevitável.

Pessoalmente, penso ser um dos muitos que podem servir de exemplo. Desde os meus dezoito anos passei a ser o que chamavam de “rato de universidade”, cursei três graduações seculares, duas teológicas, além das pós-graduações em diferentes áreas e, como professor universitário sempre vivi esse ambiente acadêmico com fascinação. Mesmo assim, das experiências que aprendi; aquelas que pretendo relacionar; são mais pessoais; que puramente científicas. Atrevo-me pretensiosamente, chama-las de dicas para o cristão universitário:

Primeira Dica: Você! Não se envergonhe de se apresentar como cristão!

Houve um tempo em que afirmar em uma sala de aula na universidade que era evangélico significava imediato estereótipo de fanatismo. O pior é que o preconceito era mútuo, lembro que na minha época, teve até um pastor que me aconselhou a não entrar na universidade por que podia me perder naquele mundo de ideias ateístas. Do outro lado, as pessoas achavam que ter um “crente” (como era mais usualmente chamados os evangélicos) por perto na sala de aula, era certeza de chateação; e que o “crentinho”, ou “o pastor” iria ficar pregando pra que todos se convertessem a qualquer custo.

Hoje, felizmente, muito dessa imagem mudou. Na verdade, até perdeu alguns filtros religiosos e éticos, virou moda, tribo, “viber”; muito provavelmente, tenha sofrido a influência da americanização midiática e de sua germinação sincrética favorecida pela cultura religiosa brasileira, acrescida fenomenologicamente das muitas conexões da interação globalizada promovida pela tecnologia de “softs” e redes de relacionamentos; ao ponto do termo “gospel” viralizar um novo conceito de mercado explorado por cristãos e não cristãos.

No espaço acadêmico, o antigo sentido de “ser crente” e o atual de “ser evangélico”, obviamente, evoluiu mais lentamente. Mas, mesmo assim, graças a Deus, a imagem do religioso protestante na sala de aula e no círculo acadêmico, e de estudantes assumidamente cristãos foi “desalienigenizado”, acentue-se; em grande parte, pelo crescimento proporcional das muitas vertentes protestantes: igrejas históricas, neopentecostais, e até mesmo os desigrejados (ou sem igrejas) que simpatizam com a fé evangélica, por virem de famílias evangélicas, por que já participaram de uma comunidade religiosa, ou simplesmente por que acompanharam algum tipo de movimento gospel (shows, grupos e etc.).

Do que acima se resume é que, atualmente quem não é evangélico, tem pelo menos um amigo ou um parente em sua família que ajudam a provar que o cristão é uma pessoa normal que professa uma fé saudável e de boas convicções éticas. Desta forma, assumir de imediato que é cristão; acredite, facilitará muito as relações com outros colegas – reforçará decisões e suas negativas diante de algumas propostas. Não precisa “chegar chegando”, você pode declarar a sua fé numa oportunidade clara e razoável. Só não demore muito, a demora pode estimular uma indefinição em seu comportamento.

Outra coisa importante é a autoestima. Se puder, deixe a sua bem pra cima. Não se sinta inferiorizado, mesmo que seu conhecimento ou sua preparação no ensino médio, não tenha sido uma das melhores. Você pode estudar; se preparar, e tornar-se um bom aluno. Lembre-se, autoconfiança (e não arrogância) é uma boa ferramenta para futuras situações como profissional e como cristão. Agora, enquanto não se sentir suficientemente seguro pra falar, mantenha a boquinha fechada. Evite falar demais, pessoas inteligentes geralmente optam por frases curtas e precisas. Evite falar demais nas primeiras aulas! Você não precisa provar nada pra ninguém. Suas palavras precisam ser aguardadas como a cereja do bolo! Seja um estrategista, sempre que iniciamos contato com um novo grupo, devemos gastar um tempo no reconhecimento e, na observação. Ouça os outros primeiros – estude os professores, os colegas, os alunos faladores etc. Guarde-se para o momento certo. Você é especial! Sinta-se assim, pessoas especiais não tagarelam – suas falas são aguardadas, por que são raras e coerentes. Lembre-se, mesmo o sol só é visível durante o dia!

Segunda Dica: Os professores

Acostume-se com uma coisa: “existe todo tipo de professor” e você precisa passar por todos. Existe o amigão, o ético, o gente fina, o exemplo, o motivador, o preguiçoso, o desinformado, o despreparado, “o caxias”, o frustrado e etc. A cada período você vai conviver com eles, não determine sua rotina de estudo e desenvolvimento profissional baseado no perfil de seu professor. Mesmo assim, dependendo do seu curso, as ideias e conceitos podem ser ateístas ou deístas (crença em um ser superior, mas não na revelação bíblica). Professores ateus, normalmente são hábeis no discurso, (sobretudo nas Disciplinas de Filosofia, História, Sociologia e nas Ciências Exatas e Naturais). Eles têm do seu lado a autoridade do magistério, a reverência da turma e, alguns se “acham os tais”. Seu primeiro desafio começa aqui. Alguns são instigadores, provocam discussões, outros até mal intencionados, passam textos para fichamento na pretensão de confrontar a fé, ou a concepção de comportamento moral da religião. Alguns professores não gostam de ser inferiorizados, por isso não importa o quão superior seja o seu argumento; fale com humildade, mas sem transparecer insegurança ou falta de convicção. Não encare nenhum professor como um rival, mas como alguém que pode ser estimulado a entender seu ponto de vista, sem necessariamente render-se a ele. Pense que você pode ser a única oportunidade que ele pode ter de ouvir o evangelho de Jesus de forma franca e sem excessos religiosos.


Terceira Dica: As aulas

A intrepidez em sala de aula é extremamente louvável. Confrontos com colegas e professores, algumas vezes são inevitáveis para um cristão convicto. Porém, a discussão mais acalorada deve ser evitada sempre que possível. Abordagens constantes ou diárias farão de você um chato. Todo discurso repetitivo por melhor elaborado que seja torna-se maçante e perde a força retórica. Queremos evitar aqui, a classe se entreolhando sempre que você levantar o seu braço para opinar. Por isso, é preciso saber a hora certa de falar, espere, respire – articule bem seu comentário primeiramente em sua cabeça, e só quando tudo estiver bem arrumadinho lá dentro, com todos os pontos que você desejar expor organizados; ai sim, você poderá levantar o braço. Não fale por impulso ou por emoção, normalmente quando fazemos isto, temos que improvisar, e as palavras não acompanham o que a gente pensava que queria dizer. Você não precisa correr esse risco, se pensar antes de falar! Não é proibido o uso de papel e caneta, se for o caso, anote e enumere no papel suas considerações antes de abrir a boquinha.


Quarta Dica – Os colegas

Se houver um grupo evangélico ou uma Aliança Bíblica Universitária em sua Faculdade é interessante conhecer e participar. Cuidado apenas para não segregar, se você andar somente com cristãos como em bandos, vai parecer que é apenas participante de outra tribo urbana. Acredite; seus argumentos em sala de aula serão melhores aceitos, se você for visto como alguém comum e, não como um fanático religioso. Se você tiver bons amigos fora de sala de aula, terá também bons aliados dentro dela. Misture com responsabilidade o máximo possível suas amizades entre cristão e não cristãos; apresente-os uns aos outros, envolva-os. A primeira vantagem desse tipo de atitude é que você teria reforço espiritual quando precisar, opiniões cristãs a favor e etc. A segunda vantagem é que evitará participar de dois grupos distintos, e não precisará estar dividido nem sujeito as oscilações naturais de conviver com estes dois dos tipos de companhia.

Quinta Dica – As provas, trabalhos e desempenho

Se for estudioso e ao mesmo tempo solicito e atencioso com seus colegas, suas chances de ter algum tipo de influência sobre eles aumentará incrivelmente. Esforce-se para estar pelo menos, um passo a frente nos estudos em uma ou outra disciplina e, quando conseguir isto, seja humilde e solidário, pronto a ajudar seus colegas nos trabalhos e antes das provas. Se há duas coisas que causam uma antipatia coletiva imediata é um colega metido a sabichão ou um colega de turma que só olha pra si, e pra suas notas – evite qualquer uma dessas famas. Não estou dizendo que você precisa ser o melhor da turma, mas, por favor, não seja o pior. Um estudante desinteressado; relapso, consegue bem pouco respeito da turma.

Sexta Dica – As Festinhas e Calouradas

Toda universidade tem ao longo do curso, dezenas de calouradas por ano, festas de arrecadação pra formatura e outros eventos da turma etc. Jamais fui a uma, entendo que não há necessidade de participar, por mais bem intencionada que seja ou por mais que isto ajude em sua “socialização”, e por mais que alguém justifique que isto o ajudará a se entrosar para ganhar almas. Uma lógica assim é perigosa, e pouco produtiva. Ser confundido como alguém que não está sujeito a limites sociais vai dificultar muito mais o seu trabalho de evangelização do que facilitá-lo. Acredite, não vale à pena esse tipo de mistura, mesmo que alguém diga que Jesus comia e bebia com pessoas de má fama, o contexto era bem diferente de uma calourada ou uma festa temática ou de um carnaval fora de época ou qualquer coisa assim.

Se você se recorda das primeiras dicas, sabe que nunca orientei que você se afastasse ou se segregasse dos demais colegas. Mas, agora, sem ser paradoxal, estou realmente dizendo, que uma festa universitária em vários aspectos; é algo ruim; vou mencionar pelo menos dois:

Primeiro – Normalmente numa calourada ou festa desse tipo, sempre tem bebida alcoólica, mesmo que você não beba (o que já é um bom começo), outras pessoas bebem e a bebida desinibe as pessoas – tornam elas mais acessíveis e vulneráveis. Por melhor que você se comporte, correrá desnecessariamente o risco de viver situações de tentação, com um rapaz ou com uma moça que não está sob os mesmos limites de sua fé. Lembre-se, que você é de carne e não de ferro.

Segundo – Você não faz ideia o quanto situações assim atrasam um trabalho contínuo de evangelização - as mentes e expectativas das pessoas em relação a você ficarão extremamente confusas. Mesmo aquele colega que insistiu para que você participasse daquela festa, no íntimo ficará decepcionado. Por que, toda a alma tem a necessidade de ser salva, e a dele, mesmo inconscientemente criou a esperança de que você ajudaria nisso.
Além das calouradas, se você de fato, tiver amigos na universidade, surgirão outros convites para algumas festas: casamentos, aniversários, bailes de formatura e etc. Você não deve desgastar a sua imagem aceitando a todos eles, é de bom alvitre ser seletivo. Então transforme o convite escolhido numa oportunidade de pregar sem palavras. Compre o presente que quiser e junto dele, não tem problema de entregar outro interessante: um cd ou DVD evangélico, uma bíblia, um bom livro evangélico. Não é brega, nem inconveniente dar presente evangélico não! Pelo contrário, além da possibilidade de evangelização, você estaria sinalizando quem é. Cuidado apenas, para não subentender que é um religioso e não um cristão, o que se diferencia pelo excesso de atitudes, de gentilezas e de proximidades com seus colegas de turma. Isto quer dizer, que dar um presente evangélico não se confunde com uma regra, mas uma sugestão; esteja apto para fazer adaptações contextuais para essa dica. No geral, confie no que digo; as pessoas não estranharão se você evangélico der um presente evangélico.

Ao chegar, sente-se e tome um refrigerante ou suco. E, avalie bem, se vai ingerir bebida alcoólica, mesmo um “coquetelzinho” ou uma taça de vinho. Algumas pessoas têm a tendência de oferecer esse tipo de bebida assim que chegamos numa festa, por que imaginam que são bebidas “permitidas” aos evangélicos. Mas, muitas destas pessoas, estão esperando também a chance de “jogar” isto na sua cara ou de levantar questionamentos a respeito, evite situações assim. Mesmo o cristão que se permite às vezes, a ingestão moderada de uma taça de vinho; por exemplo, deve evitar a aparência do mal, deve saber escolher o ambiente, e perceber quem está a sua volta, e se a longo ou médio prazo, tal exposição não será mais prejudicial do que socializadora.

Sétima Dica – A Abordagem Direta

Não tenho dúvidas de que sua postura nas aulas, os papos, os testemunhos são formas indiscriminadas de semear a palavra de Deus, mesmo sem uma pregação direta e verbalizada. Não vejo, a invisibilidade como uma opção para o cristão genuíno, que entende a importância de no meio acadêmico; desmistificar preconceitos religiosos e assumir sua identidade de discípulo de Cristo.

Além disso, se houver no seu coração o desejo de ir mais além, e ganhar almas para o reino de Deus na universidade; deve se preparar para adotar também uma abordagem mais objetiva, iniciando um programa de evangelismo pessoal. A partir dessa decisão, pense em alguns alvos, ore por alguns amigos, e ainda dependendo de sua intimidade com ele, e de sua própria timidez – decida o tempo e a oportunidade de cada estratégia: uma conversa, um testemunho, um livro ou convite para uma reunião ou culto de sua igreja.

Seguidas, ao seu modo, estas dicas, não se sinta frustrado se houver poucas conversões por seu intermédio, acredite que sua postura, seu jeito de ser e suas palavras; ficarão marcadas nas mentes de colegas e professores e, um dia longe de seus olhos e ciência, o Espírito Santo ceifará o que você semeou.

Pr. Márcio Moraes - Igreja de Cristo em São Luís / MA